Tomar: Touros São Martinho deixaram todos com o Credo na boca

Na Praça de Touros José Salvador, em Tomar, realizou-se, no passado dia 9 de Agosto, a Corrida do Emigrante. Em praça estiveram os cavaleiros Marcos Bastinhas, Luís Rouxinol Jr. e António Prates. Pegaram os Forcados Amadores do Montijo e Tomar. Os touros foram pertencentes da ganadaria São Martinho.

Uma noite de emoções à flor da pele e com os forcados a terem uma daquelas corridas que dificilmente se esquecem.


 
A reportagem sobre esta corrida começa exactamente pelos forcados. Diante de verdadeiras locomotivas, duas das reses acima de 600 Kg, com boa apresentação, pouco móveis na sua generalidade, de investida pouco franca, mansos e com arreões que dificultaram, e de que maneira, o labor quer dos forcados, quer dos cavaleiros.

O público presente na praça sentiu sempre o perigo na arena e que a qualquer momento...podia mesmo aquecer. No total seis forcados tiveram de ser assistidos e transferidos para o hospital. Os Amadores do Montijo não conseguiram mesmo pegar o terceiro touro da corrida, segundo do seu lote, com 650 Kg.

Assim, pelos amadores do Montijo pegaram Hélio Lopes ao segundo intento, o primeiro touro, e Gonçalo Costa, dobrando João Sobral, à quinta tentativa (a sesgo e com ajudas a carregar), ao quinto touro. O terceiro, como referido anteriormente, não foi pegado. Pelo grupo local, os Amadores de Tomar, pegaram: Hélder Parker dobrou Vasco Freitas, consumando ao quinto intento a sesgo e com ajudas a carregar; Renato Pereira ao segundo intento e Ricardo Silva à primeira tentativa.


 
Importante destacar, nem sempre são os forcados a estar mal. O curro de São Martinho foi perigoso, pediu muitas contas e portanto a malícia e pouca franqueza na sua investida foi uma constante.

 

Quem também não teve vida facilitada foram os cavaleiros.

Marcos Bastinhas reapareceu após a sua lesão, contraída em Évora. O cavaleiro elvense esteve ao seu estilo, exuberante e comunicativo com as bancadas, apostando num toureio a média velocidade e com raça. No primeiro touro destaque para o segundo curto. De boa nota e o que de melhor se viu numa lide em que cravou três compridos e três curtos frente a um reservado touro São Martinho, mas de excelente apresentação. Manso e pouco vertical na investida.

 

No segundo touro do seu lote, desenvolveu uma lide de maior qualidade e durabilidade. Francamente bem Marcos Bastinhas, principalmente na cravagem curta. Uma série de boa nota, quer na preparação, quer no momento da reunião, quer no remate. Culminou com assinatura da casa, o par de bandarilhas, sofrendo toque na montada.

Luís Rouxinol Jr. está numa fase de maturação da sua identidade toureira. Não é apenas o filho de Luís Rouxinol. Tem muita influência paterna, no toureio que executa, mas denota já a sua identidade. Cravagem comprida regular e na curta começou mal. O segundo curto é de cátedra e antecedeu uma crença do touro por terrenos junto a tábuas. O cavaleiro cravou-lhe um ferro a sesgo e a partir daí parte para um término de lide a merecer fortes elogios. O toureio de Rouxinol Jr. é superior à sua idade física.

No segundo touro do seu lote foi uma lide em modo iô-iô. Touro com mobilidade mas manso, investida incerta e Rouxinol Jr. a não estar sempre ao seu melhor. Pela positiva a destacar o segundo curto da ordem e depois a reacção do público a um ferro em sorte de violino. Nem sempre bem, mas positivo nesta lide, é o resultado de Rouxinol Jr. O jovem tem ganas e mesmo quando corre mal é de plena entregue à sua arte.

António Prates teve noite dura, muito dura. O primeiro do seu lote, além de ser o mais pesado, foi distraído, com forte vontade de galgar trincheiras e um animal que exigia perícia e uma actuação imaculada. Do jovem Prates destaca-se a garra e vontade de fazer bem, nem sempre conseguindo.

No segundo do seu lote, era um touro, igualmente, complicado, no qual há a destacar o segundo curto cravado pelo cavaleiro, mas depois...a crença em tábuas do astado tirou todo o brilho à actuação do jovem. Uma noite de evolução e aprendizagem para Prates.

Os touros da ganadaria São Martinho foram um verdadeiro terror para os artistas. Mansos, com peso, de extraordinária apresentação e a pedir contas. Em termos de mobilidade foram díspares.

Corrida dirigida por José Soares, assessorado por José Luís Cruz.

Alter 24 de agosto19
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