Colete Encarnado: Francisco Palha e Nuno Casquinha triunfam em corrida dura e com emoção.

A Praça de Touros de Vila Franca de Xira acolheu este domingo, 8 de Julho, a tradicional corrida do Colete Encarnado. Uma corrida mista com Luís Rouxinol e Francisco Palha, a cavalo, os matadores de touros Pepe Moral e Nuno Casquinha e os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, a integrar o cartel que se completava com os touros da Ganadaria Palha.

Cumpridas as cortesias, a corrida iniciou-se com uma lide a duo por Luís Rouxinol e Francisco Palha. Uma lide com bom ritmo, destacando-se Francisco Palha com bons curtos. Rui Godinho foi dobrado, após uma primeira tentativa falhada e na qual saiu lesionado, por Francisco Faria à quarta tentativa. Cavaleiros e forcado deram volta.

Pepe Moral teve um primeiro touro colaborante e que proporcionou momentos de pouca pincelada com arte, mediante boa cadência por parte do toureiro. Cumprida a função no capote e depois de bandarilhado, o touro permitiu ao toureiro espanhol momentos cadenciados e com beleza, embora sem nunca conseguir o desejado triunfo. Deu volta à arena.

Nuno Casquinha estava jogar em casa e apostou tudo. Recebeu discreto com o capote, esteve tremendo no tércio de bandarilhas e com a muleta mostrou qualidade. Esteve bem por ambos os pitons, demonstrando suavidade, quis fazer bem e devagar, técnica e arte. Demonstrou, perante um Palha, que não se encolhe perante ganadarias valentes. Uma faena que deve ter repercussões nos cartéis que faltam fechar esta temporada em Portugal. Deu volta à arena.

Luís Rouxinol esteve francamente bem perante o quarto touro da corrida. Regular nos compridos, foi durante a preparação das sortes e cravagem dos curros que sobressaiu toda a sua experiência em entender o opositor, destacando-se na brega, na escolha dos terrenos e preparando bem as sortes. Terminou com um palmito e com o público 'no bolso'. Bruno Tavares, pelos Amadores de Vila Franca de Xira, pegou à primeira tentativa, fazendo saltar o público dos lugares. Ambos deram volta à arena, com o público a pedir segunda volta ao forcado e este a concretizar o pedido.

Francisco Palha está num momento de grande confiança. Mesmo quando a tarefa é difícil, o jovem cavaleiro porfia até chegar ao triunfo. Em Vila Franca de Xira foi exactamente isto que aconteceu mas podia ter terminado mal. Uma lide em que jogou sempre no limite do risco, tendo no penúltimo ferro sido colhido, felizmente sem gravidade, isto por pisar os terrenos do touro. Ferros com emoção e de parar corações. Um cavaleiro que arrisca, que permite ao público estar constantemente atento à emoção que decorre na arena, não pode ser criticado. Tudo isto perante um touro Palha. Francisco ainda tem muito para crescer e por entre quedas e os aplausos vai lá chegar. Por Vila Franca de Xira, pegou David Moreira à segunda tentativa. Cavaleiro e forcado deram duas voltas à arena, com o maioral da ganadaria a ser chamado também.

Pepe Moral voltou a estar discreto no tércio de capote, os seus bandarilheiros estiveram muito mal na cravagem das bandarilhas e ouviram os assobios da exigente aficion vilafranquense. Com a muleta, o toureiro espanhol voltou a não romper. Alguns bons passes por ambos os pitons não satisfazem a expectativa por quem esperava ver alguém que saiu em ombros da Praça de Touros de Sevilha. Muito pouco. Claramente o elemento com menor brilho numa grande tarde de touros. Não foi autorizada volta. Agradeceu nos médios.

Cabia a Nuno Casquinha fechar a corrida. No capote acolheu o oponente com larga afarolada de joelhos em terra, nas bandarilhas cravou dois bons pares e convidou Pedro Gonçalves a cravar outro. Pedro Gonçalves foi colhido mas sem consequências. Na muleta, Nuno Casquinha voltou a estar muito bem. Duas séries que fizeram o público soltar olés. Casquinha enorme nesta tarde, a jogar na sua terra natal.

Vila Franca de Xira voltou a demonstrar que é diferente. O público vilafranquense é exigente mas também valoriza os triunfos. Sorte a dos artistas que podem desfrutar de uma plateia assim. Destacar ainda os touros Palha. Definiram leis e obrigaram os artistas a mostrar valor.

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