“Mesmo existindo competitividade não pode em momento algum existirem comportamentos indecentes de alguns agentes.”, diz Ricardo Levesinho em grande entrevista ao Toureio.pt

Ricardo Levesinho, a empresa Tauroleve, irá gerir a Praça de Touros Palha Blanco, estando assim de regresso ao fim de três anos à menina dos seus olhos. Mas este ano celebra também 10 anos enquanto empresário tauromáquico. Numa extensa entrevista ao Toureio.pt, Levesinho aborda todas as questões relativas à Palha Blanco. Já há contratações feitas, quer em termos de toureiros quer em termos de ganadarias, fala do antecessor na gestão do tauródromo vila-franquense, Paulo Carvalho, aborda a APET, a festa dos touros em Portugal e faz um balanço do seu percurso onde assume estar abaixo das expectativas iniciais.

Toureio.pt (T)- Ricardo, acaba de ganhar a Praça de Vila Franca de Xira. O bom filho a casa torna? Ou sente que nunca de lá saiu?

Ricardo Levesinho (RL)- Sempre aqui vivemos com uma paixão intensa pela nossa terra e pela Palha Blanco e por isso sinto que nunca saímos pois o nosso sentimento estando dentro ou fora da responsabilidade que é gerir a Palha Blanco é idêntico.

T- Como reage à vontade de impugnação do concurso por parte de alguns adversários neste concurso?

RL- Não comento. Se as acções passassem pela natural defesa das suas ideias e através do respeito de valores humanos e sociais dizia-lhe que aceitava de forma natural. Sendo feito com comportamentos que entendo anormais e de uma falta de caracter gritante abstenho me de comentar.

 

Guardo a minha opinião para não ser polémico pois a minha forma de vida não passa por esses comportamentos

 

T- Considera que esta acção é mau perder ou há mesmo motivos para impugnação?

RL- Guardo a minha opinião para não ser polémico pois a minha forma de vida não passa por esses comportamentos. O futuro o dirá.

T- Como reage ao número elevado de participantes no concurso. Afinal de contas Vila Franca de Xira sempre teve tradição toureira… Mas será que actualmente tem algo de ‘diferente’?

RL- Antes de mais é sempre bom existir vários projectos pois dai surgem ideias válidas e que podem ser aproveitadas. E por outro lado é uma satisfação entender que a Palha Blanco sente-se renovada e criadora de riqueza e ai tem que se felicitar o anterior concessionário que a fez valorizar salvo algum erro registado.

T- A sua proposta não foi a mais elevada. Mesmo assim sempre confiou que ganharia? Como empresário mas também aficionado em que acha que a sua proposta marcou a diferença?

RL- Confiava que ganharia porque se não o sentisse não nos apresentávamos a concurso e é normal acreditarmos em algo que fazemos com gosto e a sensibilidade necessária. E penso que foi essa mesma sensibilidade que ao aplicarmos juntamente com o profissionalismo demonstrado através de um planeamento artístico devidamente estabelecido que fez decerto a Santa Casa entender que o nosso projecto era o mais indicado para a defesa da historia da Palha Branco.

T - Algum dos seus concorrentes o congratulou?

RL - Com excepção do Sr. Pombeiro e do Jorge Vicente, de uma forma ou outra senti respeito e honra por parte dos demais pretendentes.

T- Ser ‘da terra’ foi benéfico nesta vitória?

RL- No concurso de há 10 anos na nossa primeira integração sinto que sim. Desta vez acredito que a avaliação do nosso trabalho anteriormente efectuado foi decisivo e agradecemos com muito gosto e orgulho a decisão que muito nos honra.

T- Depois de ser conhecido o vencedor como tem sido as reacções do público?

RL- Foram muito positivas como é público pois sinto que as pessoas sentem uma ligação entre nós e a Palha Blanco.

T- Em termos de temporada em VFX o que já pode anunciar? Quantas corridas?

RL- Serão 5 Acontecimentos em formato de Corridas.

 

Estão contratados os cavaleiros António Ribeiro Telles e Diego Ventura bem como as ganadarias Vale do Sorraia, Palha e Manuel Veiga

 

T- Há cavaleiros e ganadarias contratados? Se sim, quem?

RL- Estão contratados os cavaleiros António Ribeiro Telles e Diego Ventura bem como as ganadarias Vale do Sorraia, Palha e Manuel Veiga. E estamos neste momento a tentar passar de esboço teórico a real as nossas ideias.

T- Quem é que gostaria muito de trazer a Vila Franca de Xira? Na proposta já expressava intenção de António Telles e Diego Ventura. Além destes quem quer muito trazer?

RL- Queremos trazer os valores portugueses mais destacados. E estamos a sonhar o conseguir trazer uma das figuras do toureio a pé mundial.

T- Este ano o Grupo de Forcados Amadores de VFX troca de cabo. De que modo a temporada na Palha Blanco vai assinalar este acto?

RL- O objectivo obrigatório e feito com enorme gosto e respeito é criar as melhores condições para que os espectáculos sejam grandes acontecimentos e que contribuam para a gloriosa histórica do Grupo e ao mesmo tempo apoiar ao máximo a entrada do novo cabo.

 

Sinto que existiram coisas que não podiam ter acontecido mas isso de certeza o Paulo também o sente e passa pela apresentação dos toiros.

 

T- Sei que provavelmente não responderá, mas qual o balanço que faz do seu antecessor na gestão da Palha Blanco?

RL- Como aficionado sinto que existiram coisas que não podiam ter acontecido mas isso de certeza o Paulo também o sente e passa pela apresentação dos toiros.

Mas aconteceram momentos importantes pela positiva como as apostas em toureiros que se revelaram grandes impulsionadores de boas entradas de publico e as próprias campanhas publicitárias que existiram que são fieis à boa forma como o Paulo idealiza os eventos que cria e os impulsiona.

T- Durantes os últimos três anos, teve vontade de regressar?

RL- No inicio confesso que estava nostálgico mas a leitura que faço é que estes 3 anos nos ajudaram a reflectir e a melhorar comportamentos futuros pois senti estando de fora que existiam erros que não devíamos ter cometido.

T- Se por um lado a menina dos seus olhos é Vila Franca, por outro fará a gestão do Coliseu Figueirense. O que já pode adiantar da temporada na Figueira da Foz? Ou pelo menos, o que pretende fazer…

RL- Ao termos a gestão do Coliseu a nossa forma de trabalhar tem que ser igual e consequente com a forma como vemos a Festa no presente. E essa forma é exactamente igual em Vila Franca e na Figueira, adaptada ao publico e com respeito pelo mesmo.

Iremos organizar 3 corridas e estamos a começar as negociações e o fecho das datas.

T- Há ideia de gerir mais alguma praça?

RL- Estes dois projectos são extremamente exigentes. Creio que neste momento a nossa actividade passa pelas responsabilidades que temos.

T- Mito ou verdade: o público de VFX é mesmo o mais exigente em Portugal?

RL- O meu pai, eu e o meu irmão mais que integrantes da empresa somos aficionados e naquelas bancadas não existem mitos. Não os sentimos. Naquelas bancadas existem exigências, critérios, defesa dos valores taurinos e acima de tudo glorificação dos grandes toureiros e forcados que com alma e valentia vêm para triunfar.

 

Mesmo existindo competitividade não pode em momento algum existirem comportamentos indecentes de alguns agentes.

 

T- Como analisa o actual momento da tauromaquia em Portugal?

RL- Estamos num momento muito preocupante. E necessário urgentemente uma estratégia de futuro e essa está a ser muito bem iniciada pela Protoiro com o apoio de todas as associações. Por outro lado é necessário riqueza pois se não existir riqueza para distribuir não se pode manter qualquer tipo de actividade e era por fim necessário existir respeito e hombridade. Mesmo existindo competitividade não pode em momento algum existirem comportamentos indecentes de alguns agentes.

T- O que mudaria já caso tivesse essa possibilidade?

RL- Aumentava a união e coesão através do respeito. Se não existe respeito não existe um caminho forte nem resistente face aos desafios do futuro.

T- Como analisa a imprensa taurina?

RL- Como em tudo existem os melhores e os menos bons. Entendo que existindo perante o publico com a divulgação de informação devia de existir um conhecimento que fosse enriquecedor e as vezes isso não acontece. No entanto relevo a muita difusão de noticias que demonstram a força popular da Festa.

T- Como tem sido a relação entre a Tauroleve e a Imprensa no acesso aos seus espectáculos?

RL- Normal como é natural.

 

Sinceramente estamos abaixo das expectativas pois cometemos erros que se revelaram causadores de muitas dificuldades

 

T- Comemora 10 anos como empresário tauromáquico. Num balanço, já superou, completou ou ficou abaixo as expectativas iniciais?

RL- Sinceramente estamos abaixo das expectativas pois cometemos erros que se revelaram causadores de muitas dificuldades mas estamos cá para tentar que daqui a 10 anos a nossa satisfação seja, se não total, muito satisfatória e que nos vejam como uma referencia positiva para a tauromaquia.

T- O que que ainda quer muito fazer na tauromaquia?

RL- Sentirmos úteis e ajudarmos a apoiar os alicerces para existir futuro.

T- Sabemos que em algumas situações o Ricardo criticou a APET, como vê o trabalho desta associação?

RL- As críticas sempre tentei que as sentissem como construtivas e sempre no seio da mesma. A APET como obrigação tem o dever de ser um motor da Festa e esse e o meu entendimento.

T- Paulo Pessoa de Carvalho está demissionário há um ano, por alegadamente não haver quem queira assumir esse cargo, o Ricardo nunca pensou em avançar?

RL- Entenda que esses assuntos são internos da APET e não era correcto da minha parte violar o respeito pelo que acontece nas Assembleias ao divulgar o que la se passa. Mas decerto a APET pela mão dos seus associados e sabendo a importância que a mesma tem não deixara a mesma desaparecer.

T- Em termos de apoderamento como será a temporada 2018?

RL- Existiram algumas sondagens que agradecemos, mas não senti que pudéssemos ser uteis.

T- Qual a mensagem que pretende deixar aos leitores do Toureio.pt?

RL- Que entendam e acreditem que existe futuro e que sejam constantemente construtivos e exigentes pois só assim os vários agentes se comprometem a evoluir e a caminhar pelos caminhos do sucesso.

Go to top