Autarca da Moita alerta falta de "atenção dada à tauromaquia" pelo Ministério da Cultura (c/som)

A localidade da Moita, no distrito de Setúbal, está por estes dias em festa com as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, festejos que por tradição incluem no seu programa um programa diversificado de actividades taurinas, como largadas de touros e corridas de touros, estas ultimas realizadas na Praça de Touros Daniel do Nascimento.

O Toureio.pt esteve à conversa com o Presidente da Câmara Municipal da Moita, Rui Gracia, sobre a importancia da Festa Brava para o concelho dizendo que "a importância é tal que eu penso que ninguém em Portugal pensa na Moita sem a associar à tauromaquia. É óbvio que nenhuma terra, localidade ou cidade vive exclusivamente de um único evento, de um único acontecimento, e a Moita tem muito mais para oferecer do que a tauromaquia. Mas a tauromaquia faz parte da nossa identidade. Tem aqui década e décadas de história. Tem uma das praças, eu com um bocadinho de bairrismo… atrevo-me a dizer a maior do país, e portanto a tauromaquia continua a ser e tem de continuar a ser uma fonte de afirmação da Moita."

Questionado se a Tauromaquia fazia parte da identidade do povo da Moita, o autarca referiu que "basta ver o que são as festas e a Feira da Moita. A Feira Taurina, as largadas aqui na avenida, os milhares de pessoas que todos os dias cá estão, nas dez largadas que fazemos nesta semana. Portanto isto é a prova de que a vida da tauromaquia aqui está no sangue dos nossos habitantes, e vai com certeza continuar a estar."

Questionado sobre qual a fatia orçamental que o municipio dispendia para a cultura Tauromáquica, Rui Garcia afirmou que "é o município que suporta as festas e portanto suporta todos os encargos relativos às festas, incluindo portanto os encargos das largadas e de tudo o que está associado. E para além disso, alguns apoios que damos aos nossos grupos de forcados, à escola de toureio, e portanto nós, também por essa via, apoiamos a manutenção da tauromaquia no nosso concelho."

Instado a comentar a posição anti-taurina de outros autarcas do país, o Presidente da Câmara da Moita declara que "eu nunca consentiria declarar o concelho da Moita anti nada. Porque temos que respeitar as vontades, os sentimentos e os gostos das nossas populações. Portanto, o que eu digo é que acho que não há razão para isto. As pessoas… Todos os portugueses têm a liberdade de gostar ou não gostar da tauromaquia, de vir ou não a uma corrida de touros. Ninguém tem o direito de impor as suas vontades."

Já sobre a descentralização e a transferencia de competencias do Governo para as Autarquicas, questionamos o autarca sobre que alterações iria fazer se tivesse a tutela das corridas de touros, tendo este dito que "naturalmente ouviria com muita atenção o que os aficionados e os entendidos têm a dizer sobre o assunto. Mas não alteraria nada que não fosse da vontade deles alterar, no sentido de melhorar o espectáculo, de o tornar mais apelativo e no sentido de a juventude aderir cada vez mais a esta tradição".

Já sobre a atual tutela das corridas de touros, o Ministério da Cultura, o autarca moitense considera que "não tem sido muito eficaz. Não tem sido dada muita atenção à tauromaquia. Mas a questão da descentralização é bem mais complexa que isso e nós temos opinião relativamente à descentralização que não se deve sobrecarregar as autarquias com encargos e com tarefas que dificilmente vão poder ser bem cumpridas."

 

Go to top