"Ninguém está para investir aqui se isto não der minimamente o rendimento para se poder seguir com as coisas", diz Rafael Vilhais no balanço da Feira da Moita (c/som)

Rafael Vilhais era um empresário resignado no final da Feira da Moita. Em declarações ao Toureio.pt fez um balanço da edição deste ano.

Não foi o que esperávamos em termos de público, mas também não desiludiu tanto. Temos sempre o problema da corrida mista que não mete as pessoas que se pensa, mas não é de agora mas sim há mais tempo… E a corrida se fosse à noite… Embora seja a corrida do município, e as pessoas daqui querem que seja à tarde… Não mexia nada. As pessoas hoje em dia têm uma vida diferente, isto alterou-se tudo, alteraram-se as coisas e isto tem que ser modificado” começou por dizer.

Sobre a fraca adesão da comunidade moitense ao tauródromo, subiu o tom crítico para dizer que “quando lhes damos tudo não vêm. Quando lhes damos outra coisa também não vêm. Grande parte do público que vem é de fora, ainda hoje se nota, eu estou a ver aqui público que conheço e não é da Moita sequer. Infelizmente, não há muita gente da Moita. Em percentagem se calhar, digo eu, será 20/25% de pessoas da Moita, o resto é tudo de fora e logo por aí se vê… As pessoas gostam da corrida de quinta-feira, isto é um país em que está enraizado o toureio a cavalo e com forcados, isto numa terra em que se diz aficionada do toureio a pé. Já cá veio o Roca Rey, o Sebastian Castella, o Manuel Escribano, e tanto faz, andamos na mesma bitola. Não meteu muito mais gente que no ano passado. Na quinta-feira, na corrida de ontem, as coisas já foram melhores, uma corrida que se deu para pagar a ela, sobrou alguma coisa mas não sei se dá para pagar o que as outras dão de prejuízo. E hoje…não esperava muito mais do que está aqui. Está uma casa embelezada…mas isto tem que ser completamente alterado”.

Isto não há dinheiro. Esqueçam-se os romantismos e as tradições já foram o que foram…Hoje em dia temos que adaptar as coisas aquilo que o público pode. Nem é aquilo que o público quer. É aquilo que as pessoas podem ,as possibilidades deles. E hoje, esta feira não se suporta. Corridas de semana… não suporta quatro espectáculos seguidos. Está visto e nem vale a pena pensar-se de outra maneira. Portanto ou se altera ou isto acaba. Não estou a dizer que acaba dessa forma mas tem que se adaptar à situação real… Ninguém está para investir aqui se isto não der minimamente o rendimento para se poder seguir com as coisas” acrescentou, revelando que o orçamento para a feira da Moita é de “120 mil euros, é o quanto custa”.

 

 

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