“Há toureiros que, à partida, recusam algumas ganadarias”, diz Rui Bento Vasques

Estamos em pleno defeso, altura em que são feitos balanços e se prepara a próxima temporada. Neste sentido o Toureio.pt, tem realizado uma série de entrevistas com vários intervenientes da Tauromaquia portuguesa a fim de compreender como decorreu a temporada que findou e como se prepara a próxima.

Se no dia de ontem apresentamos a primeira parte de uma grande entrevista ao Diretor das Actividades Tauromáquicas do Campo Pequeno, Rui Bento Vasques, que pode recordar aqui, hoje trazemos-lhe a segunda parte desta entrevista, onde se continua a fazer o balanço da temporada 2018, falando ainda dos projetos para 2019.

Uma entrevista que pode ler de seguida:

 

T - Esta foi uma temporada superou ou ficou abaixo das expectativas?

RBV - Porque queremos sempre mais e melhor, diríamos que a temporada ficou em linha com as expectativas criadas. Todavia, vários abonados e aficionados nos felicitaram dizendo que a

T - Em termos de apresentação, considera que os touros apresentados estiveram mais próximos dos mínimos exigidos ou mais próximo da qualidade máxima?

RBV - Tivemos cinco chamadas à arena de ganaderos: Charrua, Teixeira, Pinto Barreiros, São Torcato e Ribeiro Telles…cinco corridas em 12….estes factos” falam” por mim.

 

“Há toureiros que, à partida, recusam algumas ganadarias”

 

T - Ainda sobre a apresentação, os touros apresentados estas temporadas tiveram por base o interesse do público ou o interesse de alguns toureiros?

RBV - Como sabe, há toureiros que, à partida recusam algumas ganadarias. O nosso papel é, dentro da máxima qualidade, conjugar aquilo que é agradável ao público e ao artista.

T - Ainda sobre 2018, foram atingidos todos os objectivos propostos para esta temporada?

RBV - Porque somos sempre ambiciosos e queremos mais e mais, diria que apenas foram atingidos quase todos os objectivos que nos propusemos.

T - No início do ano falou-se na venda do direito de exploração do Campo Pequeno, de alguma forma isso influenciou a montagem da temporada e que se tenha reflectido ao longo do ano?

RBV - De forma nenhuma

T - É certo que a questão da venda do direito de exploração é algo que não lhe diz directamente respeito, mas vieram a público que poderá ser mesmo este ano que o direito de exploração poderá ter nova gestão, pode expor aos aficionados o que realmente pode mudar? E quem pode estar a caminho do Campo pequeno?

RBV - Como compreende, esse não é um assunto para vir a público no momento em que o mesmo é objecto de negociação e não compete à Direcção e Tauromaquia pronunciar-se sobre essas matérias.

T - É certo que ainda é muito cedo, mas relativamente à próxima temporada, que projectos já tem em mente? Já há rumores...

RBV - Já? Se há não têm origem no Campo Pequeno e, repito, não comecei ainda a planear nada relativamente a 2019.

T - Mas o que pode adiantar de momento?

RBV - Nada de momento

T - Quem quer ter no Campo Pequeno na próxima temporada? Um nome...

RBV - Até lhe daria mais do que um: Diego Ventura e José Tomás, entre outros

T - Quantas corridas integrarão a temporada?

RBV - Sobre a temporada de 2019, qualquer resposta é prematura

 

“No que me toca, são “Fake news””

 

T - Nas declarações que fez a um blog disse que até às declarações do vice-presidente Elvas não “estava o desejo de gerir a praça”, a utilização do verbo no passado, pode ser sinal que essa gestão agora já pode estar a ser analisada?

RBV - Vou-lhe responder com uma expressão muito da “moda”. No que me toca, são “Fake news”.

T - O ano passado uma das questões que lhe fiz foi, quem seria Rui Bento se saísse do Campo Pequeno, agora pergunto-lhe o que será o Campo Pequeno se Rui Bento Vasques um dia sair?

RBV - Os homens passam e as instituições ficam. E o Campo Pequeno já cá está há 126 anos….Logo, ninguém é insubstituível.

T - Antes de terminar perguntava-lhe como viu a temporada tauromáquica em Portugal?

RBV - Com vários motivos de interesse. Quase todos os jovens cavaleiros a quererem afirmar-se, três matadores de toiros portugueses com elevado potencial (António João Ferreira, Nuno Casquinha e Manuel Dias Gomes), a que se junta Joaquim ribeiro “Cuqui”, grupos de forcados que são um dos motores mais importantes da festa em Portugal, um campo ganadero de grande qualidade e um profícuo e esforçado trabalho das escolas e academias de toureio, no ensino de futuros novilheiros e, se Deus quiser, donde poderão sair um ou outro matador de toiros. 

Por outro lado, vejo os diversos intervenientes da festa mais consciencializados sobre o momento delicado de contestação que a tauromaquia atravessa e, com tal, com um espírito mais combativo na defesa da cultura e da tradição tauromáquica.

T - Sabemos que este ano o Campo Pequeno fez alguma pressão na APET para que todos cumprissem de forma igual certas regras da Associação…

RBV - Claro. Nem poderia ser de outra maneira.

 

“Há uma maior consciencialização de todos os intervenientes e, bem assim do público, sobre o momento de contestação à tauromaquia.”

 

T - Na sua opinião considera que os vários ataques que a tauromaquia sofreu fizeram com que o publico fosse mais ás praças, ou foi a qualidade do espectáculo que aumento?

RBV - Como atrás referi, há uma maior consciencialização de todos os intervenientes e, bem assim do público, sobre o momento de contestação à tauromaquia. O público tem sabido reagir em apoio e defesa desta tradição, desta forma de cultura. Cito-lhe os seguintes exemplos e sob pena de me esquecer de mais alguns: A enchente na Póvoa de Varzim, na corrida de Julho, transmitida pela RTP. Praça cheia em contestação à decisão autárquica de fechar a praça de toiros; as elevadas audiências às transmissões televisivas e a recuperação de público. Por outro lado, o publico começa a distinguir claramente os cartéis de qualidade dos restantes.

T - Para terminar que mensagem deixa aos leitores do Toureio.pt?

RBV - Que cada um de vós e cada um de nós estejamos cada vez mais unidos na defesa da tauromaquia.

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