“Não é completamente diferente do Bullfest, é diferente porque focámos mais naquilo que é a relação com o touro”, diz Pessoa de Carvalho (c/som)

O Salão Nobre da Praça de Touros do Campo Pequeno recebeu esta terça-feira, 12 de Fevereiro, uma conferência de imprensa em que foi apresentado oficialmente o Dia da Tauromaquia, evento que se realiza dia 23 de Fevereiro, no tauródromo lisboeta.

O Toureio.pt falou com Paulo Pessoa de Carvalho, Presidente da Prótoiro, que explicou o Dia da Tauromaquia, começando por referir que o evento é “importantíssimo e gostava que todos os anos houvesse um Dia da Tauromaquia. Há dois anos teve-se o ‘Bullfest’, este ano entendeu-se ter o nome português, efectivamente porque somos portugueses. Bullfest é um nome assim meio estrangeirado, se bem que possa ter sentido noutros contextos. Se bem que o Dia da Tauromaquia tem uma intencionalidade”, realçando que “foi um ano intenso de guerras, de batalhas parlamentares. Foram muitos e muitos ataques, mais organizados, mais sistematizados àquilo que é a festa de touros em Portugal. E nós tivemos um ano em que em termos de parlamento e em termos de batalha naquilo que é o palco de decisões em Portugal, as decisões políticas, conseguimos imensas vitórias. E isso deveu-se a variadíssimas situações, mas em particular a uma particular união daquilo que é o universo taurino. Nós sabemos o que somos, somos muitos, podíamos ser mais e devíamos, mas há uma coisa que também sabemos. Poucas são as vezes em que nos sentimos congregados à volta da causa. Porque há muitas quezílias do foro pessoal, muita competitividade, enfim, uma série de coisas que acontecem e não deviam acontecer. E nestes ataques, houve um toque à união, ‘bora lá unirmos-nos e mostrarmos o que somos e como somos’, e eu acho que isso conseguimos.”

 

Questionado se todas esses ataques e vitórias são suficientes para mobilizar os aficionados a participarem neste evento e se não será necessário algo mais, o Presidente da Prótoiro afirma que “eu acho sempre que se pode fazer mais. Eu não sei se essa pergunta não traz uma mensagem de ‘não estão a fazer pouco?’, eu acho que é sempre preciso mais. Nós não podemos parar! Acho que isto sensibiliza mas não chega. Nós não conseguimos ainda comunicar da forma certa. Nós vamos tentando, e é sempre aquela coisa ‘a Prótoiro trabalha em segredo’. É sempre o chavão. Às vezes há trabalho que não se vê, outras vezes em que é visível. Agora, todo o trabalho que nesta área venha a ser feito, infelizmente, para mim está aquém. Foi suficiente? Não foi. Foi uma ajuda? Foi. Temos de comunicar de outra forma. Eu sinceramente espero, já falámos isso em reunião da Prótoiro, que este dia da tauromaquia correndo bem como se espera, porque ainda hoje estava aqui a falar no Campo Pequeno e as vendas estão a andar como se fosse para uma corrida de casa cheia. Eu acho que este dia correndo tão bem como correu a conferência de imprensa, aí sim ficamos com um balão de oxigénio e com uma alma para fazer mais. Mas temos sempre de fazer mais. Como? Não sei. É estar atento a todas as frentes, é estar atento a tudo o que se está a passar…

 

Depois de várias entrevistas em que a Prótoiro anunciou um evento completamente diferente do Bullfest, Paulo Pessoa de Carvalho diz agora que “não é completamente diferente do Bullfest, é diferente no sentido em que nos focámos mais naquilo que é a relação com o touro. Não nos dispersámos tanto com outras actividades culturais. Contudo não é uma diferença aberrante com o Bullfest mas sim é a tauromaquia e aquilo que é a relação com o touro em Portugal. Basicamente é isso.”

 

Já sobre o orçamento para este evento, “Dia da Tauromaquia”, o Presidente da Prótoiro adianta que “temos um orçamento que ronda basicamente metade daquilo que foi o orçamento do Bullfest. Não chega aos 30 mil euros, anda entre os 25 e os 30 mil euros. Há dois anos o Bullfest não nos deu nenhum ganho, tivemos ali um saldo negativo mínimo. Portanto eu diria que as contas pagaram-se, tivemos depois um impacto muito grande que saiu em volta disso. Este ano conseguimos, estamos convictos, de que vamos conseguir daqui algumas receitas que permita uma actividade da Protoiro mais sistematizada, na comunicação, e quando falo em comunicação falo em acções visíveis na rua. Queremos acções para as massas, não queremos ser reactivos, queremos ser pró-activos. Nós temos estado sempre aqui a defender-nos e queremos ter uma estratégia de antecipação. Nós temos reacção e não antecipação e acho que esse é o grande defeito que a tauromaquia tem tido em Portugal.”

 

Eu não sei comunicar para fora. Sou um aficionado crónico e portanto, hoje esteve aqui a nossa agênncia de comunicação e vai pegar na informação que aqui foi dita e vai trabalhar com o Diário de Noticias, a Lusa e todos esses órgãos generalistas. Mas a estratégia não vai passar muito disso.”, acrescentou Pessoa de Carvalho, que disse ainda que “este conceito do urbanismo contra a tauromaquia é uma desmistificação. O que nós temos que fazer no urbanismo é outro tipo de informação. Para os aficionados pode haver uma linguagem directa que eles percebem. Para os não aficionados, para o mundo urbano, tem de haver uma linguagem diferente, mais pedagógica. Portanto a mensagem será a mesma, a forma mais pedagógica.”

 

Paulo Pessoa de Carvalho concluiu deixando um convite aos aficionados, afirmando que “temos um ‘cartelazo’. Estou confiante que será um bom espectáculo, assim os touros o permitam, os cavaleiros se entendam a duo, divirtam-se e desfrutem, como a forma que hoje falaram aqui. Com paixão por aquilo que é a sua vida e a sua profissão. Os preços são acessíveis. O mau tempo não será tema, estamos numa praça que é coberta. E pode-se com o bilhete do festival assistir-se aqui a variadíssimas coisas. Eu acho que todos os aficionados independentemente de virem desfrutar de um grande dia, têm uma quota de obrigação de no fundo apoiar aquilo que gostam. É essa a mensagem que deixo: Venham!”

 

 

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