Reações à corrida de Vila Franca: “Tourear não é apenas pôr os ferros, tourear é lidar também” (c/som)

A Praça de Touros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira, abriu as suas portas este domingo, 6 de Maio, para uma corrida de touros à portuguesa, espectáculo integrado na I Feira das Tertúlias do Concelho de Vila Franca de Xira.

Uma corrida de touros que fica marcada pela emoção transmitida pelos touros Vale Sorraia.

No final a corrida, o Toureio.pt falou com o cavaleiro António Ribeiro Telles, que afirmou que “o meu lote foi ‘durote’ como nós dizemos na gíria”, acrescentando que os touros “tinham que ser lidados, tourear não é apenas pôr os ferros, tourear é lidar também e aí, modéstia à parte, foi o meu trunfo, foi ter lidado os touros.” Questionado sobre a necessidade de existir mais curros destes António Telles diz que “a corrida tem que ter touros e tem que ter toureiros mas está anunciada como corrida de touros e não corrida de toureiros, não é?! Portanto o mais importante aqui é o touro, tem que transmitir, tem que colaborar para o espectáculo.”

 

 

Por sua vez Luís Rouxinol, referiu que este espetáculo foi “daquelas corridas que penso que fazem aficionados, com touros incómodos para os cavaleiros, que normalmente não gostam de tourear touros assim, mas são estes touros que faze falta à nossa festa de touros, porque se começamos apenas a tourear touros de alguns encastes, a festa começa mesmo a ir abaixo.”, referindo ainda que “foi uma corrida importante aqui em Vila Franca, com uma boa moldura humana, estou satisfeito com as minhas prestações e penso que o espectáculo saiu bastante bom.” Questionado também sobre a necessidade deste tipo de touros noutras praças Rouxinol é peremptório em dizer que “claro que faz” falta, acrescentando que “se formos ver as outras corrida com o encaste Morube, que é um touro que todos gostam de tourear, é lógico que eu também os gosto de tourear, são touros que não incomodam muito, dá para praticar um toureio que estes touros não dá, mas depois penso sempre que é toureio sem emoção. E o toureio é emoção!”

 

 

Já o cavaleiro mais recente de alternativa, David Gomes, disse que este “era o dia esperado, consegui ter um dia muito positivo”, comentando as suas actuações dizendo que “a primeira lide teve momentos muitos bons, onde tive ferros de emoção, arrisquei ao máximo com o ferro de violino no final, entre as tábuas, mas temos que arriscar. Este segundo touro é um touro mais fechado em tábuas mas procurei lidá-lo da melhor forma. Foi uma lide um bocadinho menos emotiva mas também com momentos altos com passagens por dentro, ferros cravados a sortes um bocado ‘sesgadas’, na qual pude desfrutar. O touro no momento da reunião deixava o cavalo passar, sem protestar, e estou muito contente. Acho que vou satisfeito de um dia tão bonito.

David Gomes comentou também a necessidade de existir nas arenas portuguesas mais touros a transmitir, afirmando que “ se os touros não derem emoção nas arenas, as pessoas na bancada não reagem. E foi o que se passou aqui hoje, as pessoas estiveram sempre entregues aos toureiros que estiveram dentro da praça, às pegas, e assim é que a festa vai para a frente porque senão as pessoas adormecem na bancada.”

 

 

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