Porque devem unir-se os Taurinos?

Esta é uma interrogação pertinente, face ao momento crítico que a Tauromaquia atravessa, em que os ataques á sua existência se multiplicam e sobem de tom, isto sem uma atitude firme e uma resposta concertada e atempada por parte dos aficionados e dos diversos agentes do meio taurino português.

Porque não congregar esforços e vontades daqueles que sem outros interesses gostam de toiros e amam a Festa verdadeiramente?

Porque não juntar as diversas organizações que nos representam (desde a Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, á Assoc. Nacional dos Toureiros (ANDT), Assoc. Nacional de Grupos de Forcados (ANGF), Assoc. Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), Assoc. Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, e outros agentes taurinos com o imprescindível apoio da Comunicação Social taurina) numa só que assim teria mais força, mais representatividade e coordenaria todas as acções em prol da tauromaquia formando assim um verdadeiro “lobby” de influências que manteria em respeito aqueles que de uma forma gratuita e sem qualquer fundamento nos atacam!

Sabendo nós da exemplar organização da Festa em França (principalmente no sul do Pais), fruto de uma “afición” dedicada e profunda conhecedora do que é o mundo do touro, e que participa activamente em todo o processo de organização das feiras taurinas, não assumindo que sabe tudo, tentando antes documentar-se sempre e aprender o que não sabe com toda a humildade. Este deve ser um exemplo a seguir pelo que tem de bom, até porque temos que ter a perfeita consciência que só bem preparados e conhecedores do que é o meio que integramos, poderemos com toda a firmeza defender a nossa liberdade cultural e o nosso amor pela festa brava.

O exemplo de Espanha, em que depois de muitas derrotas e muita inacção e marasmo por parte do mundo taurino (em que se perderam muitos baluartes da Festa, na Catalunha, na Galiza e nas Baleares), surgiu um punhado de valentes homens e mulheres que tomaram a feliz e meritória iniciativa de criar a F.T.L.- Fundación Toro de Lídia, que dirigida por um verdadeiro lutador das causas taurinas, o ganadeiro Victorino Martin, arregaçou as mangas e começou a trabalhar a sério, dotando-se de uma estrutura bem oleada a todos os níveis, com homens e mulheres devidamente habilitados e dispostos a assumir a defesa dos valores da causa que todos defendemos-a Tauromaquia. Começaram um trabalho que hoje tem continuidade e tem frutificado, defendendo juridicamente as causas da tauromaquia, tem criado uma estrutura sólida de coordenação e união de todas as organizações do meio taurino espanhol, tem conseguido fomentar o gosto pela Festa através dos “Capítulos” provinciais como forma de unir os aficionados de cada região ou cidade, e conseguiu impulsionar a criação de uma “Rede de Associações Culturais Taurinas Universitárias”, visando ligar o Ensino à Tauromaquia e contribuir assim para assegurar o futuro da Festa.

E nós, que estamos a fazer?

Aceitamos passivamente que nos insultem, que espezinhem os nossos valores culturais, e limitem a seu belo prazer por acções demagógicas e fundamentalistas, a nossa liberdade de gostar de touros?

Podemos permitir que políticos pagos pelos nossos impostos, sirvam determinados interesses sem nenhum respeito pela liberdade dos outros, e continuem a chamar-nos todos os nomes imaginários e ofensivos, a dizer que somos incivilizados, como se só eles fossem os detentores da verdade?

Sabemos que “a melhor defesa é o ataque” (tanto em gíria futebolística, como na estratégia militar), pelo que não consideramos sensato continuarmos imersos no nosso comodismo, olhando para o lado enquanto nos atacam, e menosprezando os nossos adversários. Estivemos assim, salvo raras excepções, quando o PAN elegeu um deputado que, fruto da nossa inação e de alguma complacência dos outros pares (sempre o politicamente correcto á frente…) manda mais que todos os outros e se permite todos os dislates contra a nossa causa.

Cada vez mais assistimos a uma verdadeira inversão de valores, hoje fruto do parecer bem, e seguindo padrões importados do norte da Europa que nada tem a ver com a nossa forma de vida e cultura mediterrânica, vemos os animais com mais direitos que os humanos, muitas vezes em determinados casos como com os animais de companhia, que se tornam mesmo em substitutos dos humanos. É inacreditável, mas é verdade e não augura nada de bom para o futuro. Onde está a ruralidade que deveria coexistir com o urbano?

Este é o momento em que devemos unir as nossas forças, criar sinergias que possibilitem uma direcção única na defesa da Festa, e aqui a responsabilidade no meu modesto entender deveria ser da “Prótoiro”, com uma atitude mais proactiva visando congregar vontades e juntar as organizações representativas, com mais determinação para enfrentar os fundamentalismos que cada vez mais proliferam em nosso desfavor.

Nós cá estamos, prontos a ajudar e a ser partícipes da causa que nos deve unir – a Tauromaquia!

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