Vamos continuar calados?

Não queríamos, não o pedimos, mas este é um momento de resistência activa em que se devem empenhar todos os verdadeiros aficionados.

Vivemos uma conjuntura, em que as várias tauromaquias estão sendo assediadas pela violência e pela desinformação dos “media” e de estruturas animalistas com elevado poder económico, social e politico, e em que é imperioso não hesitar ou recuar mas dar uma resposta firme a os ataques que mais não visam que destruir a tauromaquia tal como a conhecemos.

A resistência e a saída á rua dos povos da América Latina face aos fundamentalismos orquestrados e difundidos pelas organizações que contemplam a manipulação das massas e o doutrinamento das sociedades locais impondo-lhes comportamentos formatados de cariz animalista, em que o homem/ser humano é relegado para segundo plano face aos animais irracionais, que passam a ser detentores de todos os direitos. Há aqui uma verdadeira inversão de papéis e de valores.

 No México vemos manifestações em defesa das tradições, usos e costumes enraizados nas populações daqueles países, perante a ameaça de movimentos e partidos radicais que querem instituir uma nova ordem em que só eles possam caber. Vemos as pessoas que sentem o peso e a importância das suas tradições culturais a levantar-se para defender aquilo que é pertença sua, e que gente sem escrúpulos lhe quer tirar sem nenhum respeito pela diferença num mundo cada vez mais globalizado e falho dos valores que deviam promover a coesão da sociedade humanista em deveríamos viver.

Vemos gente humilde, vemos todos aqueles que trabalham para, e do meio taurino a lutar pelo seu posto de trabalho, pela sua própria subsistência ameaçada por radicalismos que não querem saber da realidade, que apenas lhes importa a anarquia e impor os seus padrões que não são os nossos, sem o mínimo respeito pela diversidade em que assentam as sociedades em que vivemos, sem aceitar as diferenças culturais que nos distinguem.

No Peru o entusiasmo e a pureza das populações, maioritariamente indígena e defensora dos seus costumes e tradições ligadas a uma forma de tauromaquia de cariz marcadamente popular – é um reviver da ancestralidade nos tempos actuais e a coexistência exemplar entra a população e o território que vão dar corpo á alegria esfusiante, ao colorido da Festa, ao entusiasmo e participação popular com que vivem a corrida, com os seus ídolos os toureiros/matadores locais ou vindos do outro lado do Atlântico. Que vivência!

Da Colômbia vem o sinal positivo de que algumas instituições funcionam e respeitam as particularidades e as tradições de certas regiões como o enuncia a decisão emanada da Corte Suprema (equivalente ao nosso Tribunal Constitucional) quando refere que: “se deben respetar las corridas donde haya arraigo y continuidad”. Exemplo louvável da independência do poder judicial desse país.

As pessoas sentem, há um medo latente que grassa devido á intoxicação através da comunicação social e das redes sociais com insultos e ameaças contra tudo o que é tradicional ou taurino. Ser aficionado nos dias que correm é um risco, é visto como se de um assassino se tratasse. Ou como se fosse uma espécie em extinção e representa um incómodo para certos poderes instituídos que querem formatar o nosso pensamento, o nosso comportamento e a nossa forma de vida.

Aqui no nosso burgo, conseguimos duas pequenas vitórias, primeiro com a derrota do projecto apresentado pelo PAN em Julho e que visava acabar com a tauromaquia, e agora com a questão do IVA a aplicar aos espectáculos tauromáquicos, mas a guerra não terminou e vamos ter que nos mobilizar pois eles  vão continuar a atacar tudo o que é tradição, ou valores culturais taurinos, e será que nós o vamos deixar? Vamos continuar adormecidos á espera que acabem com aquilo de que gostamos, esta cultura só nossa que é a tauromaquia?

Atenção que apesar do sinal inequívoco de apoio á nossa causa por parte de algumas formações políticas com assento na Assembleia da República, outras houve que de uma forma dúbia se dividiram e não foram consistentes no seu apoio.

É imperioso não esquecer aqueles que continuamente nos atacam e sabendo do perigo que o PAN representa, é bom ter em atenção que o Bloco de Esquerda por ter mais peso político e influenciar o poder, é tanto ou mais perigoso e um inimigo a considerar, por advogar a instituição do pensamento único para dominar e impor o seu totalitarismo, através da aproximação ao governo influenciando todas as decisões e assim manobrar e impor a sua ideologia, destruindo o Estado tal como o conhecemos.

Esquecendo a ministra da triste Cultura deste nosso País, é bom ter presente que temos um Primeiro-Ministro que pensa apenas em si e em desfrutar do poder que bem ou mal exerce, que não é responsável pelas coisas más que acontecem no nosso País, apenas assumindo a paternidade do que de bom sucede, e que agora finalmente descobriu que não gosta de nada que cheire a taurino. Em bom alentejano “estamos aviados” com tal personagem, que ontem até gostava de nós e batia palmas e condecorou um dos nossos no Campo Pequeno. Grande lição de coerência democrática de um governante que deveria ter mais respeito por nós!

Será que andamos distraídos, que não entendemos os sinais que cada vez mais nos dizem que a luta não tem quartel!

A sanha dos anti-taurinos e dos partidos e políticos fundamentalistas da nossa praça, e do restante mundo taurino vai continuar e vai aproveitar as nossas debilidades, a nossa notória falta de união em defesa dos valores que nos norteiam – a tauromaquia , é um trabalho de sapa, qual cavalo de Tróia que visa a destruição de tudo o que for taurino, de tudo o que representa o mundo do toiro.

Deixem-me ser optimista, eu acredito que é possível congregar esforços e fomentar uma verdadeira coesão do mundo taurino, em que a liberdade de escolha dos nossos gostos e da nossa afición seja uma constante e uma demonstração do nosso amor á natureza e ao elemento que nos move – o toiro.

Desejo um Bom Natal e um Novo Ano cheio de certezas taurinas!

Chamusca_3agosto19
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