Falemos hoje de toureio a cavalo...

Os toureiros a cavalo ainda hoje envergam trajes utilizados pelos nobres do Século XVIII

O toureio a cavalo é, sem dúvida, a arte de tourear que mais chega ao coração dos portugueses, se não atente-se nos quase dois milhões de telespectadores que viram as corridas televisionadas este ano.

As corridas de toiros ditas à portuguesa, são espectáculos compostos por cavaleiros e forcados. Hoje, falaremos da lide de toiros a cavalo.

Pelo que tenho visto, não é fácil encontrar literatura sobre esta arte tão portuguesa, contudo, no blogue Barreira de Sombra, da autoria de António Lúcio, ”https://barreiradesombra.blogs.sapo.pt/106104.html” pode-se encontrar um resumo de um estudo bastante completo sobre a arte de tourear e de arranjo dos cavalos, da autoria de Fernando Sommer d’Andrade. O estudo a que me refiro, tem data de 1970 mas nunca vi nenhum mais actual e devia ser tomado como referência de quem se dedica a esta arte e a quem escreve sobre ela também.

Obrigado a António Lúcio, por nos trazer esta obra de arte que tanta falta nos faz.

Neste estudo e no que concerne às sortes, diz o autor que, elas são derivadas da sorte de caras e devem ser entendidas como o aliviar da sorte mãe. Algumas delas, por o cavaleiro não estar preparado para as condições intrínsecas do toiro outras, por toiro não ter condições para ser trabalhado pelo cavaleiro e daí não sair uma sorte de frente, com uma reunião de facto ao estribo.

Infelizmente, na nossa corrida de toiros, há cavaleiros que procuram o jogo mais aliviado, com o toiro a ficar paralelo ao cavalo na altura de cravar, sendo dito, também nesta obra, que o toiro deve fazer com o cavalo um ângulo recto ou agudo, na altura da reunião.

Mestre João Moura a cravar ao estribo

Por vezes, vê-se nas nossas praças, artistas que ao fazerem quiebros muito marcados deixam o toiro fora da sua zona de reunião, ficando o ferro a cilhas passadas ou ficando o toiro paralelo ao cavalo, não havendo portanto reunião.

Outro passo que muitas vezes não é respeitado pelos artistas, é o remate do ferro.

Segundo os teóricos desta arte e o Eng. Sommer d’Andrade também refere isso, o remate faz parte da sorte; é, no entanto comum, após cravagem do ferro não se rematar a sorte, isto é, não rodar pelo piton de saída, buscando demasiado depressa ouvir as palmas que serão ou não merecidas. Sendo outro dos pontos fracos de alguns cavaleiros da nossa praça, a rapidez com que querem ouvir as palmas e por vezes, diria que, exigindo palmas de braços no ar a vibrar como se tivessem acabado de fazer uma obra de arte quando deviam saber que o grande júri é o público e só ele sabe se quem se submete ao seu exame merece palmas ou não.

No site Touradas, http://www.touradas.pt/tauromaquia/atourada , há uma descrição completa das sortes mais usadas na lide a cavalo. Como ficou dito é de salientar a sorte de frente ou de caras pela descrição que neste “site” podem ler, é fácil perceber como é de dificuldade acrescida a sua feitura: quanto mais tempo em linha recta for o cavaleiro, mais tarde fizer o movimento lateral para a esquerda, mais verdade terá a sorte e tão raras são as vezes que se vêem tais movimentos.

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