A faena de um bravo!

Mestre Joaquim Bastinhas, não mais entusiasmará as nossas praças, o seu marcante optimismo, sempre a sorrir (com aquele ar que só tem quem verdadeiramente gosta do que faz, quem sente e ama a Festa de Toiros), quando citava o toiro e transmitia e empolgava os aficionados, não mais voltará a repetir-se, mas perdurará sem dúvida a imagem daquele Cavaleiro que sempre com galhardia enfrentava o toiro com valentia e saber.

Recordo várias corridas em que as coisas não lhe corriam de feição e o público manifestava o seu desagrado, longe de desanimar ele mantinha o sorriso e voltava á carga realizando grandes “faenas”.

Um exemplo a seguir, e que devia servir para nos unir ainda mais na defesa dos valores tauromáquicos, aquilo que ele sempre defendeu e nós temos o dever de preservar.

Que pensaria ele dos problemas que actualmente afectam a tauromaquia:

- A falta de “afición” dos filhos de muitos aficionados…o que é que falhou na transmissão do gosto pelas corridas, do amor pelos toiros?

- Porque não se passaram os conhecimentos deste mundo tão apaixonante… de quem é a responsabilidade?

- Vemos praças quase desertas… qual a percentagem de responsabilidade que nos cabe a nós taurinos (aficionados, toureiros a pé e a cavalo, empresários, forcados, imprensa taurina e outros agentes da Festa de Toiros) por não termos agido atempadamente… pecámos por omissão?

- Como refazer o que está desfeito… o que entretanto se perdeu?

- Que medidas para o novo ano que já começou?

- Que estratégia tem quem nos representa … porque não passa a nossa mensagem na captação de novos aficionados?

-Vamos assistir impávidos e serenos ao declínio e morte da Festa?

Vem aí um novo ano e este é o momento da reflexão, do apontar de novos caminhos para a consolidação e futuro da festa de toiros – que só é possível com a nossa participação activa.

 

 

 

Temos que passar das intenções aos actos, este é o tempo de dar a cara e afirmar bem alto que somos aficionados! Nós que amamos esta cultura, vamos lutar contra aqueles que tudo vão fazer para acabar com ela sem respeito algum pelas diferenças culturais em que nós taurinos nos inserimos. Querem o triunfo do fundamentalismo animalista sobre o ser humano – a título de exemplo em 2016 o Papa Francisco perguntava: “Quantas vezes vemos pessoas que cuidam dos animais e depois deixam sem ajuda o vizinho que passa fome”, esta é a moral dos que nos atacam.

Vamo-nos deixar ficar confortavelmente na nossa quietude e marasmo, olhando olimpicamente para o lado enquanto espezinham aquilo que é a nossa cultura, os nossos usos e costumes, em nome de uma nova ordem de valores arbitrariamente escolhida por eles?

Penso que não, chegou a hora de reagir e seguir o exemplo do mundo taurino. Luta-se em Espanha, México, Equador, Peru, Colômbia e outros países da América Latina em que a tradição taurina tem peso, afirma-se a tauromaquia enquanto realidade cultural em França, e nós em Portugal, que fazemos?

Quero acreditar que nos vamos mobilizar para defender aquilo que realmente importa, os valores tradicionais da tauromaquia enquanto cultura enraizada no nosso povo, contra todo e qualquer tipo de totalitarismo que nos queiram impor em nome dos “novos tempos e da nova mentalidade”, que mais não representam que a subversão dos valores em que assenta a nossa sociedade.

Na despedida,um mar de amigos dentro e fora do Santuário do Senhor Jesus da Piedade, na sua Elvas querida, deu-lhe a maior ovação e premiou a “faena” enorme que foi a sua vida.

Que melhor resposta que esta aos baixos insultos vertidos á sua memória nas redes sociais, por indivíduos que não merecem ser classificados como humanos, mas antes de vermes rastejantes!

Sei que o Mestre Joaquim Bastinhas teria um orgulho imenso em ver todos os verdadeiros aficionados, todo o mundo dos toiros, unido na defesa e preservação da nossa cultura taurina.

Neste novo ano que começa, é este o desafio que temos que vencer.

Com “temple e “solera”, desejos de um bom 2019, cheio de realizações taurinas.

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