Forcados - os heróis da festa...

Os forcados são o elo de ligação com quem o público anónimo mais se identifica na festa. De um modo geral são os representantes da gente da terra que aparecem em nome da mesma, na arena. Enquanto as figuras se apresentam em nome próprio e são profissionais, isto é - estão ali a ganhar o seu sustento, nem podia ser de outra maneira, - os forcados são amadores e apresentam-se em nome da terra; nem sempre assim foi e foram famosos os forcados profissionais de Alcochete e de Lisboa.

Nos anos 70 do século passado, os “Lusitanos” repetiram a experiência mas não se saíram bem. De um modo geral, os grupos de forcados representam terras com afición, com praças de toiros, como por exemplo a Moita, o Montijo e Alcochete com dois grupos cada, Lisboa e muitas outras terras, cidades e vilas com um grupo. Há, contudo, algumas excepções; Cascais, por exemplo, já teve praça de toiros e muita afición, tem um grupo com o seu nome mas a ligação do mesmo à terra que lhe deu nome, não me parece que seja muita. A afición foi-se com a praça que os poderes locais, tanta pressa tiveram em derrubar e dai para cá, praticamente não tem havido corridas na zona, nem em praças desmontáveis.

Eis uma imagem da antiga praça de toiros de Cascais onde se viveram grandes momentos de toureio. Figuras como Manuel Conde, Mestre João Núncio, Mestre Batista, Quim Zé Correia, José Júlio, Mário Coelho e outras estrelas da época, deram aqui lições de toureio.

Voltemos aos forcados. As sortes de pegar toiros são variadas, embora a maior parte delas esteja em desuso.

No século XIX era comum fazer-se a sorte de gaiola. Esta sorte era basicamente a pega de caras, feita à saída dos curros.

 A pega de costas aqui documentada numa demonstração do grupo de Lisboa, na terceira Festa do Forcado, em que o forcado da cara cita de lado virando-se de costas apenas no momento da reunião, ficando deitado sobre a cabeça do toiro. Dado o aumento de volume e força dos toiros lidados hoje em dia, esta pega caiu em desuso.

A pega da cadeira é uma sorte onde o forcado da cara espera a investida do toiro sentado numa cadeira, com o grupo alinhado atrás de si.

Durante algum tempo, nos anos 70 e 80 do século passado, foram vistas outras “modalidades” tais como o cara citar sozinho em praça e o grupo só saltar a trincheira depois da reunião ou pegar o toiro em pontas, apenas com os chifres despontados como mandam as regras.

Quaisquer  das sortes eram perigosas e as lesões não se faziam esperar, pelo que foram caindo em desuso. Hoje em dia usam-se basicamente duas: a de caras e a de cernelha como recurso quando a de caras não resulta.

Pega de caras pelos amadores do Ribatejo

De seguida uma pega de cernelha, entendida como pega de recurso, no caso da de caras não resultar, contudo, forcados como Ricardo Rhodes Sérgio dos Amadores de Santarém, por exemplo, notabilizaram-se como cernelheiros, por excelência.

Aqui podemos apreciar todo o trabalho dos cernelheiros e dos campinos para encabrestarem o toiro e assim haver uma entrada com êxito.

Segundo o regulamento tauromáquico de 2014, em vigor, é permitido que estejam entre barreiras 20 elementos por grupo, quando peguem mais do que três reses, 18 elementos por grupo, quando peguem três reses,16 elementos por grupo, quando peguem duas reses; e 12 elementos por grupo, quando peguem uma rês.

Despeço-me com um abraço e até de hoje a quinze dias.

Alter 24 de agosto19
Go to top