“Haverá toiros enquanto nós quisermos”

Começou o ano com luzes e sombras para o nosso mundo taurino, enquanto se celebravam as exéquias pelo nosso Emílio de Jesus, o homem, o aficionado que plasmou na fotografia as melhores imagens da Festa e que deu a conhecer momentos que marcaram a história da Tauromaquia, um património que nós temos o dever de preservar e divulgar, celebrava-se a vida e continuavam os momentos de reencontro de todos aqueles que vivem o toureio e as “Galas” celebradas pelas Tertúlias e Clubes Taurinos que no final de cada temporada tauromáquica, visam premiar e enaltecer todos aqueles que, de alguma forma se salientam e contribuem para o futuro da Festa Brava.

Este tem sido um ano de resistência, de querer e estoicismo na defesa do património tauromáquico, com este legado grandioso que grandes figuras do toureio e aficionados anónimos nos continuam a transmitir.

Seria indesculpável, vergonhoso mesmo que nós aqueles que sentimos e vivemos este mundo que nos apaixona ainda que sejamos aficionados, figuras ou promessas do toureio seja apeado ou a cavalo, cedêssemos perante o totalitarismo dos movimentos “animalistas” que nos querem impor os seus padrões de vida e formatar-nos ao que é o seu pensamento, no fundo doutrinar-nos e moldar-nos ao que é o seu posicionamento na sociedade, a mesma que querem fragmentar e porquê não, pouco a pouco aniquilar, Afinal que valor tem para eles a nossa Humanidade?

Será que nós próprios estamos a favorecer esta situação?

Somos taurinos, mas não vamos ás corridas de toiros, seja a corrida integral, ou a corrida á portuguesa, desculpando-nos com o estado actual da tauromaquia, com as dúvidas que nos assistem quanto ao preço dos bilhetes, quanto á qualidade dos toiros apresentados nos cartéis, quanto á politica empresarial das praças, enfim quanto a um sem número de interrogações!

Afinal em que ficamos! Vamos ficar comodamente sentados e deixar que nos destruam, na nossa autofagia silenciosa.

Criticamos que se façam as Galas e questionamos o porquê e o mérito dos escolhidos, mas ficamos em casa a ver as corridas na televisão ou nas redes sociais, contribuindo assim com a nossa ausência das praças de toiros para o esvaziamento da tauromaquia.

A propósito do que dizem, ou continuam a dizer os “antitaurinos” á falta de melhores argumentos; a tauromaquia é como a inquisição, como a mutilação genital feminina, como o circo romano e outras barbaridades, convirá dizer que eles no seu fundamentalismo é que são os verdadeiros inquisidores, pois não admitem que nós pensemos de maneira diferente, esquecem a tolerância que é apanágio nosso que demonstramos a cada momento porque somos superiores em termos de valores humanísticos. Também os grandes ditadores como Hitler, que não gostavam das corridas de toiros e diziam adorar e proteger os animais, não tinham o mínimo escrúpulo em utilizar as câmaras de gás para dizimar os seres humanos.

Está na nossa mão que a Festa perdure, pois como o disse o reconhecido intelectual francês e aficionado taurino François Zumbiehl, “Haverá toiros - enquanto a comunidade de aficionados valore o que tem entre mãos, expresse sem medo a sua voz e defenda o respeito à diversidade cultural”

Neste começo de ano convém salientar momentos importantes para o panorama tauromáquico nacional que ocorreram em 2018, como o “chumbo” do Projecto de Lei do PAN apresentado na Assembleia da República, que previa a proibição das touradas em todo o País e em que o PSD, o CDS, o PCP e alguns deputados do PS votaram contra. Outros houve que foram protagonizados por verdadeiros defensores e representantes de organizações taurinas portuguesas, por exemplo no programa de grande audiência da RTP “Prós e Contras” subordinado ao tema “O IVA da Tauromaquia”,em que os meus ex-colegas Presidentes das Câmaras Municipais de Vila Franca de Xira, Alcochete, Santarém e Coruche superiormente acompanhados pelo Presidente da Associação Nacional de Tertúlias Tauromáquicas, Dr. Luís Capucha e do Secretário-Geral da Prótoiro Hélder Milheiro, deram boa conta do recado e foram claramente os vencedores no debate que os opôs aos “antitaurinos”. Posteriormente o mesmo Hélder Milheiro numa entrevista dada á Rádio Campanário, no programa de Miguel Cláudio “De Caras” deu-nos uma visão clara e fundamentada do que é, e representa a tauromaquia para o nosso País.

No tocante a Espanha justo é referir a excelente acção reivindicativa da FTL – Fundación Toro de Lidia, que congregando a defesa das várias formas de culturas taurinas (a corrida integral, o rejoneo, os encerros, os bous al Carrer, e outros festejos populares taurinos) tem conseguido importantes vitórias nos órgãos judiciais do País vizinho, caso do Tribunal Constitucional que a exemplo do que tinha sentenciado sobre a inconstitucionalidade da Lei Catalã, de proibição das corridas de toiros, alargou a mesma decisão á Lei aprovada na Ilhas Baleares alegando que a referida lei o que pretendia “era impedir que se celebrasse uma manifestação cultural viva”- ou a decisão do Tribunal Administrativo de Alicante que anulou a proibição do Ayuntamiento de Villena de organizar festejos taurinos no município – as inúmeras acções tendentes á recuperação das praças de toiros para a realização de festejos taurinos e as constantes tomadas de posição contra as declarações e posicionamentos de diversos membros antitaurinos do Governo Espanhol, culminando com ida do próprio Presidente da Fundación, Victorino Martin á Comissão de Cultura e Desporto do Senado de Espanha, onde perante os senadores proferiu um importante discurso subordinado ao tema “ El animalismo quiere aniquilar la España rural”, em que defendeu fundamentadamente o mundo rural em que se insere o toiro bravo, e a cultura taurina enquanto arte que entusiasma multidões.

São acções como estas, que determinam o rumo dos acontecimentos futuros em relação á tauromaquia e devemos rever-nos neles se quisermos ganhar esse mesmo futuro!

Entretanto dia um de Fevereiro cumpriu-se a tradição uma vez mais, Mourão andou nas bocas do mundo, o Dr. Joaquim Grave esmerou-se em apresentar um festival em que apesar das “Candeias terem chorado e sorrido”, com chuva e sol á mistura, os aficionados ficaram satisfeitos e confiantes que a nova temporada taurina vai ser prometedora a bem da Tauromaquia.

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