Como as partes se juntam para formar um todo que é a Festa

A festa não se faz só com cabeças de cartaz, que segundo o regulamento em vigor, são -Cavaleiros, Cavaleiros Praticantes, Cavaleiros Amadores, Matadores de Toiros, Novilheiros, Novilheiros Praticantes, Novilheiros Amadores e Grupos de Forcados Amadores.

Fazem também parte integrante do pessoal, que torna possível uma corrida de toiros, no que ao lidar das reses diz respeito -a Quadrilha.

A Quadrilha, por definição é o conjunto de Artistas que coadjuvam os Cabeças de Cartaz nas suas actuações, nomeadamente os Bandarilheiros e os Bandarilheiros Praticantes.

Ainda que na sombra, são também parte importante da corrida, os Auxiliares -Moços de Espadas, Emboladores e Campinos.

O Avisador, de um modo geral discreto, funciona como adjunto do Director de Corrida para exercer, entre barreiras, a função de interlocutor no decorrer do espectáculo.

Como atrás ficou dito há Cavaleiros Amadores, Praticantes e Com Alternativa, bem como Novilheiros e Bandarilheiros nas mesmas condições.

No caso dos Novilheiros só podem tirar Alternativa de Matador de Toiros com a morte da rês, pelo que apenas é possível fazê-lo no estrangeiro. Optam, de um modo geral pela vizinha Espanha ou pela América Latina.

Curro Romero, uma lenda da tauromaquia dá a Alternativa a Cristina Sanches tendo como testemunha José Maria Manzanares

Já no caso dos Bandarilheiros e dos Cavaleiros Praticantes têm estes que fazer pelo menos 10 espectáculos como Amadores, para passar a Praticante e depois mais 15 espectáculos para tirar Alternativa.

Os Novilheiros, como é evidente, também têm um número mínimo de espectáculos que devem fazer, antes da passagem a Matador de Toiros; como Novilheiro, pelo menos 10 espectáculos e um ano de permanência nessa categoria e como Novilheiro Praticante, pelo menos 5 espectáculos realizados para a passagem a Novilheiro.

Estas são as regras para se passar de uma categoria a outra, no que aos artistas diz respeito. Falta dizer que as passagens de categoria são sempre avaliadas por um júri que em face do que vê, atribui uma determinada classificação que quase sempre dá aprovação.

Que eu saiba, podendo contudo estar errado, só um toureiro português chumbou na Prova de Alternativa -José Mestre Baptista.

Para que conste e a história guarde.

Aqui José Mestre Baptista dá a Alternativa ao jovem Joaquim Bastinhas. Que Deus os guarde

Agora que já falámos dos vários intervenientes na corrida de toiros, falta-nos falar dos insubstituíveis, sem os quais não há festa -os toiros.

O toiro que hoje em dia é corrido nas nossas praças é descendente de um ancestral que viveu na Ásia, Mesopotâmia, no Egipto e na Europa. Era um animal que pesaria perto de 1000 quilos e teria perto de 1,80 m, segundo o “site” Touradas, http://www.touradas.pt/tauromaquia/otouro

Só por volta do Século XVIII, aparece a profissionalização das ganadarias e o apuramento das raças, até chegarem ao estádio que hoje conhecemos.

Existem aproximadamente 90 Ganadarias sendo a mais antiga a de Vaz Monteiro com antiguidade registada a 06/1843.

Esta Ganadaria tem procedência do Marquês de Vagos mas conseguiu criar o seu próprio encaste, isto é: foi constituída com vacas e sementais do Marquês de Vagos e nunca mais foi introduzido sangue diferente. É um encaste de casta portuguesa a preservar. Estreou-se na antiga praça de Almada em 1843.

Os toiros que saem à arena vêm devidamente identificados, mas muitos aficionados não sabem o que significam os números e “desenhos” que são ferrados no então ainda bezerro. Assim sendo, aqui fica o que julgo ser uma pequena ajuda para quando o iniciado nestas coisas vê sair um toiro dos currais e pode identificar o animal dentro da ganadaria. Na nádega é aposto o ferro da ganadaria, no costado o número de registo, na espádua o último algarismo do ano em que nasceu e no pescoço o “P” da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide.

Para aquilatar da idade do animal não interessa se nasceu em Janeiro ou em Dezembro de um determinado ano, o que interessa é que foi nesse ano e assim terá a idade correspondente à diferença de anos.

Um exemplar da Ganadaria de S. Martinho, com o número 177 e nascido em 2013, aqui superiormente fotografado.

 

 

chamusca_30maio19
chamusca_1junho19
Go to top