Está quase!...

A nova época tauromáquica está quase aí, esperamos que seja a melhor, sempre se espera isso. Após o defeso vêm os festivais, para os artistas criarem rodagem junto do público, para o público ver alguns bons espectáculos a preços mais reduzidos, os ganadeiros poderem limpar alguns animais cuja apresentação não seria a mais consentânea com uma corrida de toiros e os forcados, não só nos festivais, como também em treinos e ferras, irem apurando as técnicas que ao longo da temporada os farão valentes heróis populares. O Moço do Forcado há-de ser sempre a figura com quem o povo mais se identifica porque desde logo não sendo nobre, não veste os trajes de nobre do século XVIII. É do povo e como ele se veste, representando a valentia destemida e a inteligência que posta ao serviço desta “sorte”, faz com que a sua estratégia, sem instrumento algum, vença a força bruta do toiro e o pare.

Toda a gente envolvida na festa faz as suas futurologias, de acordo com os cartéis que vão aparecendo e, ao mesmo tempo, combinando os rumos que tomarão, para ver esta ou aquela corrida que parece mais aliciante.

Os bastidores da festa brava estão em ebulição, os contratos vão surgindo, os representantes dos artistas redobram esforços para encontrar a melhor corrida, os melhores alternantes e a melhor praça. Nas ganadarias já estão apartados muitos dos curros que sairão à praça durante a Primavera e o Verão. Nesta altura, onde por vezes de uma forma frenética, se tenta arranjar o melhor conjunto de curro de toiros, cavaleiros e forcados, há no campo bravo um silêncio e uma paz bordados por inúmeras flores de cores e matizes tão bonitos e diversos que nem a escola holandesa seria capaz de pintar.

Um toiro a campo

Apetecia-me desafiar as gentes da festa a inspirarem-se nesses tons, cores e sons do campo bravo para compaginarem com essa beleza os seus egos que, por vezes, e por serem tão grandes, põem em causa a partilha de opiniões e de conclusões que, de um modo geral, atingem a festa provocando males cuja cura nem sempre é fácil.

Paremos então para pensar um pouco. Deixemos os nossos egos de fora, juntemos esforços e procuremos soluções sabendo, à partida, que ninguém tem verdades absolutas e que as verdades de hoje, podem não ser as de amanhã. 

Se “O todo o Mundo é composto de mudança” não o será também a Festa dos Toiros?

Isto que escrevi atrás, não deixa de fora as mulheres e homens da escrita. Todos nós, carregamos as nossas verdades mas possivelmente nunca escutámos o contraditório. Se aparece alguém que diz que determinada coisa pode não ser assim, ou se fosse de outra maneira seria melhor, não se discute com a razão; é com o ego. Parece que procurar uma outra forma de ver as coisas é como uma ofensa ou então lá vem a velha máxima: sempre foi assim… talvez sempre tenha sido mas está na hora de mudar.

Pensemos que se isto se pode aplicar a tantas coisas na nossa vida porque não à “Festa”?

Não sei se seria exequível, mas logo agora que vamos sendo atacados por todos os lados e até por quem nos devia apoiar, que tal num próximo defeso realizar-se um congresso ou algo semelhante, onde se apresentassem ideias e as mesmas fossem analisadas e discutidas? a essa tribuna seria chamada gente de todos os sectores da actividade que contribui para a festa, olhando-se de frente para as dificuldades e procurando resolvê-las, deixando de fora as verdades absolutas e fazendo uso da dúvida metódica, daí partindo para alcançar bases sobre as quais se assentassem ideias novas que ajudassem a festa a singrar, quer na vertente de “Praça” quer nas tauromaquias populares, tão importantes nas suas zonas de influência como é a ilha Terceira, nos Açores.

Tourada à corda na Ilha Terceira nos Açores

E por hoje, com um abraço me despeço. Saudações taurinas.

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