Tauromaquia é resistência - superação e vitória!

A propósito de no meu anterior artigo ter salientado que os termos Ingratidão e Injustiça não seriam termos taurinos, e porque tinha feito uma acusação ao público assistente de Las Ventas…agora esse mesmo público redimiu-se e soube compreender e apoiar o matador Paco Ureña, que no passado dia 15 de Junho conseguiu a simbiose perfeita com duas grandes faenas a toiros de Victoriano del Rio. Apesar de colhido no primeiro do seu lote, o maestro transcendeu-se e no último toiro, espraiou o seu toureio de verdade e logra um triunfo mais que merecido que já lhe tinha fugido de outras tardes bem conseguidas e, assim abrir de par em par a Puerta Grande da Monumental Madrilena.

Toureiros como este que fazem da verdade e do estoicismo a sua força, são os que dão crédito, projectam e são o melhor garante da Festa.

E porque de resistência, de luta contra a adversidade no mundo taurino, falamos sempre com a perspectiva de vitória no horizonte, pela sua actualidade e pertinência quero referir o seguinte:

Recentemente vi uma notícia em que o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim durante uma cerimónia com casa cheia, apresentava um novo espaço multiusos pomposamente designado de “Póvoa Arena”, mas sem toiros no horizonte, e que irá substituir a actual praça de toiros, ou seja levou a dele avante!

Mas, onde estão os Poveiros e a defesa da sua tradição taurina?

Não é só dizer á boca cheia como tanto se propalou, a “Monumental do Norte”, o centro difusor da cultura taurina naquela região do nosso País…como vai ser com as corridas pedidas e anunciadas ao abrigo da Lei, será que os Poveiros que amam a festa de toiros vão estar unidos como uma pinha e dizer presente, arrostando com as consequências quando chegar o momento de dar a cara sem medos? Será que vai haver aquela mobilização que antecede os grandes momentos, e que deve vir principalmente de dentro da comunidade local?

Cada povo é, ou deve ser soberano nas suas decisões, senão vai arrepender-se no futuro por ter deixado outros decidir por si. Na Póvoa o representante máximo do Município tomou e fez secundar por outros a decisão que quis, acabar com os toiros e as touradas na sua cidade (só dele?), o povo contemporizou, distraiu-se, não agiu…pior, continuou a votar nos mesmos!

Nós apoiaremos os aficionados da Póvoa, como já o estamos fazendo através da petição que assinámos, somos solidários activos. Mas a primeira palavra tem que ser dos locais, daqueles que verdadeiramente sentem e vivem a Póvoa. Moral da história será que os Poveiros querem mesmo a Festa de toiros na sua terra?

Não esqueço que nos anos quentes da chamada “Polémica de Barrancos” (1997 a 2002), que mais não era que a defesa da nossa tradição cultural ligada á tauromaquia, face aos ataques externos de fundamentalistas que apenas nos queriam impor as suas ideias, os seus gostos e padrões ditos civilizacionais, nós não ficámos isolados. Muitos aficionados e amigos da Póvoa de Varzim, de Viana do Castelo, de Vila do Conde e de tantas outras localidades do nosso Portugal vieram dar-nos a sua solidariedade, apoio esse que alicerçado na inquebrantável vontade do Povo Barranquenho, foi decisivo para conseguirmos a vitória. E sem falsas modéstias tal aconteceu porque também houve uma liderança á altura para prosseguir a luta e obter aquilo que desejávamos, consagrar na Lei o que sempre tinha sido pertença dos Barranquenhos, o seu direito á liberdade de manter a sua forma cultural de entender e viver a sua tauromaquia popular.

Eu próprio só me cheguei á frente, para dirigir a luta porque tinha a plena certeza que toda a população estava comigo, e o Povo Barranquenho juntou-se como um só na defesa dos seus valores e da sua Identidade.

Convém esclarecer que na altura a difusão não era a mesma, apesar das estações televisivas presentes (e foram muitas: as nacionais, a TVE, a BBC, e outras), da rádio e dos jornais, nada é comparável á enorme importância do papel das redes sociais de hoje.

Nessa época qualquer acontecimento não tinha a projecção que hoje tem, na altura foi preciso angariar as assinaturas uma a uma, para uma petição a apresentar á Assembleia da República. Fruto de muito trabalho e muitas vontades, a mesma redundou num enorme êxito, mas agora é bem mais fácil. Todo esse processo valeu a pena porque no fim conseguimos alcançar o nosso desiderato, a excepção para a nossa realidade cultural tauromáquica ficou consagrada na Lei.

Assim, hoje, saibamos aproveitar!

P.S - Mas que porque de vitórias falamos, e para terminar, quero referir um acontecimento marcante que tive a sorte de presenciar recentemente na praça de toiros de Badajoz, Juanito tomou a alternativa no passado 22 de Junho, conseguindo empolgar a assistência através de faenas ligadas e intensas que lhe valeram uma orelha como justo prémio, mostrou que temos toureiro e dá-nos a certeza que pode ter um futuro brilhante.

Chamusca_3agosto19
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