Festa Brava? Festa às florzinhas? Afinal o que querem?

A Tauromaquia portuguesa está extasiante, vários são os temas que se vão debatendo e todos eles com várias interpretações, opiniões e análises, por coincidência ou não na maioria dos temas há um ponto em comum, a imprensa.

Mas antes de irmos ao assunto propriamente dito, devo explicar que este será o primeiro de vários artigos que semanalmente irei trazer-vos. E porquê agora? Porque o Toureio.pt comemora este mês 15 anos de existência e sempre com um lema “A Emoção da Festa Brava está aqui!”, e por isso penso que será altura de colocar mãos à obra, ou melhor dito... à escrita.

Voltando ao tema que me levou a escrever algo... O papel da imprensa na Tauromaquia. Já escrevi sobre este assunto várias vezes, mas ao que parece nunca será demais.

Antes de continuar devo deixar aqui a minha declaração de interesses, que não é nenhum, o que vou escrever não se trata de uma defesa seja a quem for, mas sim defesa a uma profissão que abracei à 15 anos , o Jornalismo.

Nos ultimos meses, muito se tem falado nomeadamente da Carteira Profissional de Jornalista, que agora serve de requisito, e bem, para se ter acesso à trincheira para se desempenhar a função de fotojornalista. E aqui começa a primeira questão, quem de facto desempenha as funções de fotojornalista? Será que é preciso um estudo de uma conceituada universidade para se analisar isso? Penso que não.

Depois há que ter noção que, ser jornalista é dar informação com claresa, veracidade e imparcialidade, algo que praticamente não está a acontecer nos espaços de informação taurina, pois vimos espaços onde se escreve porque se ouviu dizer, onde se escreve porque se viram uns videos, onde se escreve porque alguém pagou para se dizer bem ou mal, onde se escreve com intenção de depois receber dividendos, ou seja, escreve-se a pensar em tudo menos em transmitir uma informação idónea e verdadeira..

No entanto a verdade por vezes não cai bem a certas pessoas, o que leva a várias pressões e até mesmo a ameaças. Mas isto é Jornalismo, porque noticia é aquilo que outro não quer que se saiba, isso sim é a noticia! E posso dar alguns exemplos que já se passaram com o Toureio.pt,  há bem mais de 10 anos após uma corrida em Safara a esposa de um cavaleiro não gostou do que se escreveu e deu-se ao trabalho de mandar um mail dizendo algo do género “quando o meu marido toureou, o senhor deve ter ido à casa de banho”. Outro exemplo mais recentemte, leva-nos à temporada de 2018, em que um cavaleiro se deu ao trabalho de ligar e pedir explicações sobre uma crónica que nem se quer tinha lido, apenas porque uma terceira pessoa que nem se quer tinha ido à corrida em questão, lhe tinha dito algo sobre a crónica.   A mais recente, foi numa praça do Ribatejo em que eu prórpio tiro uma fotografia a um forcado que estava a ser assistido pela equipa médica e vem, posteriormente, o cabo do tal grupo ter comigo em tom ameaçatório dizendo algo do género “eu sou o cabo e não quero essa fotografia publicada”. Ora todas estas situações constituem-se como atques à liberdade de imprensa, puniveis por Lei e podem levar a pesada coimas.

Ah! E depois temos ainda aqueles que pagam para se escrever bem, mesmo que não se esteja, mas é apenas para se enganar a si prórpio e ainda temos aqueles que pagam para se escrever mal do outro, ou porque não se gosta, ou porque tem alguma divida a pagar. Coisas em que não me revejo e apenas revelam a pequenez das gentes da festa.

Quero com isto dizer que Jornalismo é uma coisa sério, não se pode brincar! E quando se brinca, pode dar problemas, e para isso servem a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Mas agora falemos concretamente do tema do momento, a corrida que se realizou em Coruche e que deu sem duvida furos jornalisticos aos fotojornalistas que se mantiveram na corrida até ao fim, sim porque houve outros que se foram embora a meio a caminho de outro espetáculo numa terra ao lado...

Por acaso o Toureio.pt não realizou o seu habitual Minuto-a-minuto, mas segundos depois de cada queda e voltareta, a informação com fotografias estava dada e em primeira mão. Sim, o Toureio.pt  avançou a informação e com fotografias devidamente editadas e não fotografamos o ecrã da maquina, porque o jornalismo também se rege pela qualidade.

Se podíamos não ter dado as noticias? Podiamos, mas deixamos de ser jornalistas e passávamos a ser simples fotógrafos a fazer maratonas numa trincheira, sem ter noção de onde está o foco da noticia.

Confesso que fiquei surpreendido com a maneira como se tem escrito nas redes sociais criticando um colega, seja ele fulano x ou y, é um colega e há que respeitar, porque quem não respeita não se pode dar ao respeito. Mas criticando este colega por ter feito o seu trabalho... sim estou a escrever bem, neste momento está-se a criticar alguém por fazer bem o seu trabalho... apenas porque as imagens foram capa de um jornal... sim já sabemos que é um jornal de exageros, mas um fotojornalista apenas envia fotografias na redação é que se escreve e neste jornal, como bem sabemos, dá-se uma informação e eles ampliam, mas a linha é essa e há que respeitar.

Quanto ao fotografar e noticiar esse tipo de ocorrências... é algo que faz parte de um espetáculo Tauromáquico, pois sempre ouvi dizer que Tauromaquia era tragédia e glória, onde está a duvida? O problema é que se relatamos que a festa está a perder a emoção, vem logo alguém dizer que somos antitaurinos; se relatamos que houve emoção e houve toureiros no chão e forcados na enfermaria, vem logo alguém reclamar que somos antitaurinos. Afinal em que ficamos? Querem a imprensa apenas para promover corridas?  Para fazer de agência de comunicação? Isso não é jornalismo, é agência de comunicação... e nem isso existe na festa... ah esperem até existe... mas quando é remetido algo à imprensa são notas de promoção sem qualquer tipo de interesse noticioso e é quando chegam...

Uma coisa é certa, noticiar que há emoção leva pessoas às praças, prova disso foi Vila Franca de Xira, onde se previa uma fraca assistência e após as noticias que apenas dois Órgãos de Comunicação Taurina deram sobre Coruche tudo mudou em Vila Franca.

Por isso eu digo, chega de demagogia bacoca, porque se querem tapar o Sol com a peneira e noticiar só o que é bonito,  dizer que tiveram todos bem nos espetáculos, os touros sairam todos bem, aí sim, as o público deixa de ir à praça porque a festa deixa de ter interesse e principalmente expectativa... Entendam que a festa vive de emoção e principalmente de expectativa.

Para terminar deixo uma questão, afinal querem ou não jornalistas com carteira profissional nas praças de touros? Decidam-se porque eu não estou a entender nada...

Despeço-me com a promessa de regressar a este tema, porque ficou ainda muito por dizer.

Até para a semana!

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