Opinião: Campo Pequeno pode dar a sua última corrida de touros em Outubro

Amanhã inicia Agosto, mês forte e intenso no que à tauromaquia diz respeito.

Várias corridas, cartéis mais e menos competitivos, e uma tauromaquia em modo ‘gueto’ inacessível e com os seus intervenientes armados, uns em parvos outros em demagogos.

Começo este artigo de opinião por agradecer ao cavaleiro Gilberto Filipe. Após a corrida nas Caldas da Rainha, teve o cuidado de me enviar uma mensagem sobre a sua prestação nessa corrida, após ler a minha crónica desse espectáculo. Fê-lo com elevação, expressando o seu ponto de vista e fundamentando. Não tivemos o mesmo ponto de vista, mas respeitamos-nos na diferença. Sim, é possível uma relação cordial entre imprensa, a pouca que existe, e os artistas.

E seguidamente avanço para algumas parolices que estão a fragmentar a tauromaquia. Parolices provocadas pelos ‘amantes da festa’.

A conferência de imprensa de apresentação dos cartéis da 2ª parte da temporada no Campo Pequeno foi inflamada, com Rui Bento Vasques a disparar em várias direcções e a falar em cavaleiros que recusaram actuar na corrida mista.

Tenho ideia de quem a médio prazo existirão cavaleiros arrependidos. Porque o Campo Pequeno está para venda e os interessados não estão propriamente interessados em ter ali actividades tauromáquicas. Ou seja, depois nem corridas mistas nem à portuguesa.

Não me surpreenderia se em Outubro assistíssemos à última corrida de touros no Campo Pequeno. Contudo, os agentes da festa estão mais interessados em ver quem tem mais likes, quem é o rei do quarteirão da sua área. E é neste baile de egos em que os pés pesados tropeçam ao primeiro passo de dança em que tentam bailar com os seus adversários. Porque quem se guia pela fama, glória alguma alcança.

Perdemos Viana do Castelo, perdemos Póvoa de Varzim! Não sejamos parvos e não acreditemos em reacções, quando era exigidas acções. Na tauromaquia existe uma inércia tal que chega a ser deplorável ver o arrasto seboso de quem se acha d’elite.

Setúbal está fechada, Alpalhão continua sem actividade, Azaruja idem, e poderíamos continuar a lista que tende a aumentar. E é isto que deve preocupar os agentes da festa, porque se, na pior das hipóteses, o Campo Pequeno deixar de ter corridas de touros, a festa sofre uma machadada enorme e tornar-se-á uma minoria residual em termos da sua actividade.

Unir é palavra de ordem, desunião a prática comum… E é neste Fado da Contradição que vive a tauromaquia. Fala, fala, fala...mas depois faz tudo o inverso do que apregoa. Na verdade os ataques que sofremos são a nosso pedido e pela nossa inércia.

E por falar inércia. Alguns cavaleiros pagam a uma assessoria para press releases primários, sem conteúdo e que apenas chegam aos meios tauromáquicos. Pergunta para 1 milhão de dólares: O objectivo não deveria ser chegar a outros públicos que não apenas o tauromáquico? É que na tauromaquia todos se conhecem, é uma espécie de bairro.

Mudando agora para situações positivas. No passado fim-de-semana, e após a pouco interessante corrida no Campo Pequeno, há a destacar as corridas em Salvaterra e nas Caldas da Rainha. Em Salvaterra com casa cheia e nas Caldas com três quartos. O resultado artístico foi bom e o público saiu agradado. Não custa assim tanto fazer bem as coisas, pese embora a comunicação nem sempre seja a melhor…

Figueira da Foz, Foz do Sizandro e Alcáçovas também com boa presença de público, segundo a imprensa presente nesses festejos.

Temos Agosto, Setembro e Outubro para agir. Em uníssono! Sem varinas em modo jornalistas e peixeiros em modo metralhadoras de fotografia. Porque a tauromaquia é sinónimo de classe, educação e elevação. Na qual falta algum 'savoir-faire' (saber fazer, em tradução livre).

Alter 24 de agosto19
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