Afinal? Tínhamos ou não razão?

Um novo ciclo legislativo vai começar, com uma Assembleia da República alterada na sua composição e, pasme-se… com os anti-taurinos reforçados em número e influência nas decisões que nos vão afectar e ser nefastas para todos os que gostam de toiros.

Será que os portugueses se deixaram enganar por demagogias baseadas num fundamentalismo refinado e veiculado através de propostas que caem bem em certas camadas da população, alvos fáceis e disponíveis a este tipo de influências que os vão manobrar a seu belo prazer?

Será que ficámos a dormir e deixámos que influenciassem os incautos, que absorveram o discurso contra as alterações climáticas e a apresentação de um novo Serviço Nacional de Saúde para os animais (pasme-se, quando o actual SNS criado para os humanos está degradado, e não responde minimamente ás solicitações)?

Onde ficou a nossa mensagem?

Qual foi o nosso poder de persuasão para alterar as coisas, face ao perigo que se avizinhava?

Será que não deveríamos ter mostrado a nossa força e a nossa união, numa determinada data e num local cheio de simbolismo como a nossa capital do toureio, a praça do Campo Pequeno?

Ou será que perdemos uma grande oportunidade de afirmar a nossa cultura e, por omissão deixámo-nos ultrapassar por aqueles que só têm uma finalidade: destruir o nosso mundo de valores tal como o conhecemos.

Em Agosto passado, um grupo de eminentes aficionados, em que sem falsas modéstias me incluía eu, reuniu a nosso pedido com a Prótoiro com a finalidade de apresentar uma exposição com várias propostas que entendemos pertinentes e importantes para a Festa.

Fizemo-lo com a melhor das intenções, mas infelizmente, a resposta foi mais do mesmo. Não quero ser pessimista, mas de pouco valeram os nossos apelos a quem de direito, para que antes das eleições mostrássemos a nossa força e a nossa unidade, através das nossas propostas.

Os nossos apelos de alerta perante o perigo real que corríamos, as nossas sugestões caíram em saco roto… não era oportuno, não se conseguia juntar a nossa gente, pois, mas a acção era uma necessidade urgente para salvaguardar a Festa, e com hesitações e medos, nada se faz.

 

Tinha focado no meu último artigo a vitória obtida no TAF/Porto, no caso da Póvoa de Varzim, afinal enganei-me pois não há meias vitórias. A Câmara daquele concelho e o seu Presidente recusaram novamente a realização da corrida anunciada, então o que falhou neste processo? Aguardamos esclarecimentos mais precisos, além da já difundida notícia do adiamento.

Assim vimos os nossos inimigos através de uma campanha bem orquestrada tanto nas redes sociais, como em outros meios de comunicação, ganhar apoios que depois se transformaram em votos e eleitos, resultando num cenário político bem mais gravoso para nós. Afinal tínhamos razão!

Discute-se muito, há movimentações dentro do meio taurino, critica-se umas vezes com razão e outras sem ela, porém agora a realidade mostra-nos que os nossos receios não eram infundados, mas há sinais que é preciso perceber:

Reportemo-nos ao que foi uma grande noite de toiros, refiro-me á Corrida de Gala á Antiga Portuguesa 2019, uma grande festa de exaltação taurina, em que imperou a coesão social, o sentimento e o entusiasmo dos aficionados, face á qualidade e empenho dos artistas que desfilaram pela arena de uma praça engalanada e exuberante, e perante a excelência do “curro de toiros” apresentado pelo ganadero que veio das planícies alentejanas. Valeu a pena ver a praça cheia e viver aquela noite única que uniu no mesmo sentimento, quem ama e quer defender a cultura taurina.

É um bom sinal, que convém entender!

Não somos os únicos a entender que temos que afirmar a essência da Festa! Veja-se, em Arles, no passado 7 de Setembro, vimos e vivemos a sublimação do toureio na corrida Goyesca. O velho Coliseu Romano albergou mais de 16.000 pessoas aficionadas que viveram uma tarde única de comunhão, de simbiose perfeita entre a corrida, a música, o canto, e o público que foi fantástico vivendo cada momento, e cada passe que os maestros Enrique Ponce e Juan Bautista (que se despedia) executavam na arena. Os ares estavam impregnados daquela magia que nos invade quando a arte e a cultura tauromáquica se expressam e comunicam daquela maneira. Que ocasião única de apoteose quando os diestros saíram em ombros triunfalmente a coroar faenas inolvidáveis!

Foi a verdadeira exaltação da Festa!

Depois disto, recuso-me a aceitar este marasmo que nos tolhe, esta é a última oportunidade para mostrar o nosso repúdio e a nossa revolta face á situação asfixiante e às medidas que mais não visam que aniquilar o nosso mundo. O mesmo em que vivemos, neste momento incómodo para aqueles grupos minoritários mas com grande influência nos media e naqueles que nos governam, os mesmos do pensamento único e do politicamente correcto, e que advogam a supressão da nossa liberdade de escolha.

Não pode ser, é hora de quem nos representa organizar uma grande movimentação tendente a concentrar todos os taurinos que querem mostrar a sua indignação e a vontade de defender o que é, e deve ser nosso e que nos querem roubar. Só queremos poder usufruir em liberdade a Festa de toiros em Portugal!

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