Entre vitórias e triunfos… cabe a liberdade!

A tauromaquia só é polémica porque somos um povo de palas e com visão curta. Num país evoluído, a liberdade de escolha seria algo natural. Vai quem gosta, ignora quem não gosta. Simples.

A tauromaquia tem uma história secular. Não é possível falar da cultura em Portugal sem abordar a tauromaquia. Quer se goste, ou não. Contudo este é dos temas que mais projecção dá. A quem gosta e a quem não gosta. Acrescente-se ainda que a tauromaquia existe em mais países, além de Portugal.

1+1=2. A conta é simples e quem quer aparecer, por bons ou maus motivos, obviamente que o fará sempre através de algo com o maior alcance possível de público. Os anti-taurinos pecam pelo excesso e pouca clareza dos seus argumentos que facilmente se esgotam, partindo depois para o insulto fácil e gratuito. Eles são certamente mais inteligentes do que demonstram. Não duvido. Mas a emoção ou ânsia de protagonismo retira alguma razão que pudessem ter.

Os taurinos pecam por não saber verbalizar todo o vasto conhecimento e argumentário a seu favor. A tauromaquia tem uma imprensa fraca que está focada em saber quem lidera o mundo, que não sabe que o profissionalismo é a melhor defesa da arte e que peca por ser provinciana. Há gente de muito valor no meio. Que lhes seja dada oportunidade de mostrar valor. Mas, porra, também que se esforcem por ser valorizados. Através do trabalho. Não da auto promoção. Na tauromaquia, os aficionados não são seres sem escrúpulos que se deliciam com o sofrimento animal. É exactamente o contrário. Os aficionados são quem mais ama os animais. Não perceber isto é um claro sinal de pouca inteligência.

Esta sexta-feira a tauromaquia voltou a vencer. Era previsível. Compare-se o número de manifestantes anti taurinos e os aficionados que esgotam praças e facilmente se perceberia que a vitória era nossa porque os deputados são eleitos pelo povo. Logo a conta volta a ser 1+1=2.

O que muda esta vitória? Nada. Tudo como dantes e o quartel general em Abrantes. Mas há tanto por mudar na Tauromaquia portuguesa. Que seja valorizada a comunicação e a palavra. Que não se resuma tudo a comunicados. Que se faça uma limpeza a quem não sabe liderar ocs, que se lixem os empresários arcaicos. Que não se tenha medo da mudança. Porque o pior que pode acontecer é achar que tudo deve ser sempre assim porque é assim. As tradições renovam-se. Que o orgulho marialva se adapte aos novos tempos. Que o amor pela arte guie uma tradição à glória a ela devida.

A tauromaquia não é polémica. O que é polémico é a sede de protagonismo. E esse só deve ser dado a quem faz ou promove arte através das emoções que desperta nos outros.

Nota: Sendo um artigo de opinião e sendo eu livre de ter a minha e para que não existam quaisquer dúvidas: sou claramente defensor da tradição. Sou a favor da tauromaquia. Sou, acima de tudo, a favor da liberdade de escolha de cada cidadão.

Nota II: Campo Pequeno, Coruche e Vila Franca de Xira voltaram a ter casas muito bem preenchidas de público. Quantas manifestações anti taurinas seriam necessárias para atingir igual número de público?

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