Juntando Toureio a pé, diferença e qualidade, dá mudança de mentalidade….

Entrámos no mês de Dezembro, altura de muito consumismo em nome de ditos afetos, mas é também altura de balanços de mais um ano que agora termina. Se pensam que neste meu artigo vou fazer um balanço completo de mais um ano, analisar aqui tudo o que se passou, estão enganados, pois isso merecia um artigo altamente pormenorizado e muito bem elaborado, mas como pouca coisa me ficou na memória deste ano que passou (um irónico problema de memória) e depois a escrita não é o meu forte, confesso.

Por saber que a escrita não é um dos meus fortes, tenho ao longo dos últimos tempos convidado várias pessoas para que, com regularidade deem a sua opinião no Toureio.pt. Pessoas que nas redes sociais escrevem belos artigos e até mandam recados à imprensa taurina, quando questionados por mim, uns dizem que não se podem comprometer, outros dizem talvez e outros que vamos ver isso, mas depois apenas fica o convite e escrita… nem vê-la. Admito que nas redes sociais seja mais aliciante publicar, pois os likes são imediatos e os comentários de amigos sucedem-se, mas publicar esses artigos numa rede social, não tem o mesmo peso do que num Órgão de Comunicação Social…, são opções… mas depois não se podem é queixar que a imprensa taurina não escreve…

Bem, feito este desabafo, vamos então ao tema que me levou a escrever este artigo.

Nos últimos dias, vi num site espanhol umas declarações do gestor Taurino do Campo Pequeno, Rui Bento Vasquez, que dizia o seguinte: “Há uma mudança na mentalidade do aficionado jovem português: pede mais toureio a pé”. Uma afirmação que concordo a 98%, pois foi um facto que todos os espetáculos que tiveram toureio a pé, registaram uma boa entrada de público, dando assim a entender que o público voltou a gostar do toureio a pé. É aqui que reside um dos meus 1% de discórdia da afirmação de Rui Bento Vasquez, pois dizer que os aficionados voltaram a gostar do toureio a pé, pode ser uma meia verdade, porque na realidade sempre gostaram, não tinham era espetáculos com qualidade em Portugal, como aconteceu nos últimos tempos.

Os outros 1% de discórdia daquela afirmação prende-se praticamente com o que disse anteriormente, os aficionados não voltaram a gostar agora do toureio a pé, sempre gostaram e por isso muitos iam a Espanha. A boa afluência de público a este tipo de espetáculo com toureio a pé, pode prender-se também, pela diferença  do que vinha acontecendo, ou seja, é algo diferente que acontece, não sendo só o toureio a cavalo que nos últimos tempos nada de novo tem trazido às arenas.

Em suma, pode concluir-se que sim, a mentalidade dos aficionados está a mudar, querem algo de diferente na festa, querem mais toureio a pé e querem espetáculos com qualidade.

Certamente está a pensar que estou a tentar dizer que o toureio a cavalo está em crise, então pensou bem, porque se analisarmos a temporada à lupa o que nos vem à memória? Pouca coisa, ou seja, a maioria dos cavaleiros não manteve uma regularidade e houve ainda outros que andaram francamente mal, ao ponto de, até os toques nas montadas serem sempre praticamente iguais de corrida para corrida; alguns deveriam mesmo, ter a humildade de fazer uma pausa, para que quando reaparecessem, o fizessem com dignidade.

Em suma, o público começou-se a cansar de ver sempre os mesmos toureiros, a fazerem sempre o mesmo de praça para praça e a qualidade veio baixando, até que apareceram novamente as corridas mistas (algo de diferente e com qualidade) e resultou num sucesso.

Os ditos letrados e detentores de toda a razão certamente já estão a pensar e até mesmo a publicar alguma indireta no facebook, dizendo algo do género, mais um a dizer mal e a deitar a baixo. Pois digo-lhes que estão enganados, apenas digo isto para bem da festa que precisa de mais qualidade e diversidade.

Infelizmente tinha intenção de neste artigo dizer com exatidão quantas corridas mistas e corridas a pé se realizaram em Portugal, mas infelizmente as estatísticas oficiais da temporada ainda não saíram, contrariamente ao que acontecia com a Associação Nacional de Toureiros que há uns anos atrás, assim que terminava a temporada saiam umas estatísticas mais que completas, agora, divulgadas pela ProToiro, não se sabe quando saem e vêm incompletíssimas.

Esperemos então, que 2017 nos traga mais corridas mistas e corridas a pé, que traga mais qualidade e diversidade ao toureio a cavalo e que o público continue a ir  e aumente até, a sua ida às praças!

Para ver

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