Lisboa: Miguel Moura e o altruísmo do Forcado Amador!

Meia casa de publico de verão animou um espetáculo sensaborão, do ponto de vista artístico na nona da temporada 2015, em Lisboa. 
 
Muita presença e pouca transmissão no curro de Guiomar Moura. "Deixaram-se" sem história nem picante, mas a servir comodamente, com nobreza, para que os artista se explanassem "à vontade". 
 
A nível dos cavaleiros o destaque maior vai para a forma de Miguel Moura. Está com maturidade e "placeamento". "Sem espinhas" fez o que tinha a fazer perante as circunstancias e soube tirar o melhor que podia de ambos oponentes, com discernimento, asseio e noção de lide do toiro sem perder a "gestão da bancada". Está muito maduro o mais novo dos "Mouras" e triunfou em Lisboa.
 
Vítor Ribeiro deixou um perfume da sua linha sobretudo no segundo, o mais complicado do sorteio. Não fossem alguns encontrões e teria sido uma grande lide. De qualquer forma sentimos a espaços o regresso do "Ribeiro" que granjeou seguidores em toda a carreira pré-paragem, na sua noite lisboeta. Sempre com uma honestidade profissional característica, deixou tudo o que podia na arena. Anseia-se o "partir de quadro" que dê balanço ao potencial que leva dentro, ainda…
 
Jacobo Botero é simpático, anda bem a cavalo, procura fazer bem feito e chega-se com facilidade à bancada. Passou bem por Lisboa, contribuiu para o espetáculo tendo em conta o "perfil" do publico maioritariamente presente. Alguns encontrões desnecessários tiraram brilho a um noite que podia artisticamente ter sido ainda mais positiva. Agradou dentro das circunstancias. 
 
Nas pegas uma noite de muitos matizes. Importa levar como base de analise o comportamento dos toiros nas pegas: foram nobres, nenhum derrotou a bater e apenas o primeiro foi um TGV (mas sem fazer mal), os restantes chegaram já temperados de forças, que aliado à sua nobreza, fez com que vários perdessem as mãos nas viagens, "afocinhando" com os forcados durante a viagem.
 
O G.F.A.A.B.V. Alcochete teve uma noite para muita reflexão de todos nós e do Grupo inclusive. A necessidade de recorrer ao altruísmo característico dos forcados de excepção, com a fardação e atuação "no batente", inextremis do Ex-Cabo João Salvação, na preocupação de não comprometer a noite, depois de algumas baixas de forcados mais experientes,logo na primeira atuação. Não é o procedimento ideal, mas foi o encontrado pelo Grupo que provavelmente não teria outros recursos nos forcados não fardados, que estão no ativo e que poderiam e deveriam avançar. Mas porque é que isto acontece? É simples. Um Grupo a pegar quatro, cinco ou seis corridas por ano (muitas delas de dois toiros), durante alguns anos seguidos, não consegue, por muito que queira, fazer estrutura, renovar com consistência e maturidade suficientes por forma a ter várias soluções, quando as lesões surgem ou quando um toiro faz o que fez o primeiro ao Grupo. Não consideramos que esteja em causa nem o prestigio, nem o historial do Grupo, nem mesmo o FORCADO que é o "Ninam" e outros da formação Alcochetana. Mas enquanto se insistir em ter o exagerado numero de Grupos que temos, a moda dos dois toiros por corrida, agravar-se-á a dificuldade dos Grupos em "fazer escola"…
 
Diogo Amaro esteve com uma estoicidade impressionante ao "pôr-se" seis vezes diante de um TGV com mais de 600Kgs que saia franco, mas com muitíssima pata. Se conseguisse mandar  e receber para reunir na perfeição, teria sido, esta sim, pega para várias voltas à praça, mas pelo lado de fora. Foi muito valente!! Sem problemas, César Nunes à primeira e Marcelo Loia também à primeira, fecharam bem, com correção uma noite em que a raça e espirito de entrega de João Salvação foram decisivos, nas formações do Grupo destas duas pegas. O publico pediu e o diretor concedeu a volta suplementar para Loia e Salvação no ultimo. 
 
Os Amadores das Caldas padeceram do mesmo problema nas execuções, com as tentativas a resultarem de más reuniões por os forcados de cara não mandarem nos toiros. António Galeano à terceira (bem), António Cunha à segunda e Francisco Mascarenhas na ultima e para nós a mais perfeita da noite, embora menos espetacular (talvez por isso mesmo).
 
Dirigiu o Sr. João Cantinho, com acessoria do Dr. Jorge Moreira da Silva. Embolação e ferragem de José Alcachão e Carlos Simões.

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