Mais uma vez vamos esperar…

Caríssimos aficionados: de vez em quando, vêm-me à memória poemas ou frases que me acompanharam ao longo da vida e uma das primeiras músicas que aprendi a tocar na minha viola, começava com uma quadra de que nunca mais me irei esquecer e que se adequa a esta fase que passamos, esperando eternamente a chegada de conclusões razoáveis que nos tragam a festa de volta.

Dizia assim essa quadra de António Macedo:

Erguer a vós e cantar

É força de quem é novo

Viver sempre a esperar

Fraqueza de quem é povo

 

Nós, no que à tauromaquia diz respeito, estamos com o mesmo dilema: Temos a força jovem e de raça que leva a nossa gente a enfrentar toiros garbosamente, temos a agilidade mental para apresentar propostas de grande alcance, como as que a Protoiro apresentou, bem trabalhadas e com os pés no chão, vidé as últimas declarações de Hélder Milheiro ao nosso “site” e as de Luis Capucha lembrando o mau estado financeiro em estão a ficar também os aficionados.

Depois, temos o que diz a restante quadra, temos a fraqueza de quem é povo: vivemos sempre a esperar.

Este é o lado mau de quem não tem o destino nas mãos. Não nos podem acusar de não ter ideias e não ter soluções, é necessário apenas que nos dêem espaço porque engenho e arte não nos falta. Somos, com certeza que sim, capazes de arranjar soluções criativas para acomodar os aficionados nas praças com lugares marcados e com as filas intervaladas como for preciso, no entanto estes espectáculos não vão ser como os que estávamos habituados, desde logo pela moldura humana, depois, como eu já tinha escrito noutro apontamento, os custos vão ser repartidos por todos. Luís Capucha, das tertúlias tauromáquicas recorda que em termos económicos, os aficionados não estão como estavam antes da crise e sabemos que ninguém está!

Os cabeças de cartaz têm os problemas inerentes às despesas que suportam, versus receitas que não obtêm mas os seus funcionários também mantêm despesas fixas e não conseguem rendimentos para as satisfazer.

Temos aqui um jogo de equilíbrios muito difícil de resolver e lá vamos continuando a esperar.

Ao que parece não é só por cá que o mal se propaga; em Espanha, a associação que representa os artistas também reclama do governo apoios que são dados às classes artísticas, nas quais a tauromaquia não é incluída.

A argumentação é a mesma, a falta de rendimento de grande parte dos artistas. Nem todos são Julis, nem Tomás, nem Morantes, e os que não são “figuras”, passam “as passas do Algarve”, mesmo em Espanha.

A senhora ministra da Cultura disse que no próximo conselho de ministros se saberia qual o enquadramento em que estas “salas de espectáculos” podiam ser utilizadas e com datas mais ou menos fixadas: 1 ou 15 de Junho; pelo que ficámos a saber no dia 1 não será, agora vamos ver se a fraqueza de quem é Povo não se sobrepõe ao quem espera sempre alcança.