Moita: António Núncio e Luís Silva aproveitaram a oportunidade de se luzirem

Na novilhada da tarde do fogareiro que foi mais uma oportunidade para os jovens aparecerem e darem a conhecer o modo em que vão estando a caminho da alternativa, viu-se um António Núncio de boas maneiras, com ferros compridos sem definição de sorte mas nos curtos, com a calma que os Passanhas permitem, toureou de longe encurtando distâncias e quarteando-se perto do hastado, até que ao quarto curto o toiro acabou.

Diogo Gromicho foi o forcado escolhido para iniciar a actuação dos Forcados Amadores do Aposento da Moita.

O novilho era feio de cara, bisco do corno direito o que se previa fosse uma contrariedade para o forcado e na primeira tentativa, assim foi. Saiu da cabeça do toiro por aquele lado.

Na segunda tentativa fecha-se à barbela e melhor ajudado, concretizou uma pega com som e aplaudida com força.

Volta para cavaleiro e forcado.

A Ricardo Cravidão, coube lidar um baixelo mas bem apresentado, também Passanha.

Começa com dois ferros à tira, sendo o segundo a cilhas passadas. Nos curtos, o primeiro é bonito, o segundo já não tanto e o terceiro é de valor. Cita de longe, encurta distâncias, quarteia-se em pouco espaço e crava a contento.

Depois de trocar de cavalo tenta tourear por quiebros mas o toiro não vai no engano e entre ferros na barriga do toiro e quase na cabeça, só o último ficou em seu sítio.

Já o vimos fazer muito melhor.

Talvez por o toiro ser baixelo e não dar apoio ao forcado mas também por falta de ajudas, só à terceira tentativa Filipe Santos conseguiu ficar.

Volta para cavaleiro e forcado.

Joaquim Brito Paes mostrou ainda estar um pouco verde.

As sortes dos ferros compridos foram bem desenhadas e saíram bonitas mas nos curtos notou-se falta de “pontaria”, tendo a ferragem ficado dispersa pelo toiro, só o último ficou no morrilho.

André Silva foi o protagonista da melhor pega da noite. O novilho ao sentir o forcado na cara voltou para trás e foi preciso muito querer e uma boa reacção do grupo para o ir apanhar já no movimento inverso ao que era esperado. Pega que agradou ao público presente.

A ganadaria Calejo Pires estava em substituição da de José Luís Cochicho mas apenas lidou o toiro que saiu em quarto lugar, sendo que os restantes dois eram sobreros.

A segunda parte era destinada ao toureio a pé e aqui Luís Silva brilhou. Recebeu o seu oponente com largas afaroladas e verónicas descansadas. Ao quite saiu Angel Ramos, parecendo-nos o menos rodado dos três espadas desta noite. Toureou por tafarellas bonitas.

Luís Silva cumpre o tércio de bandarilhas com dois pares de poder a poder, algo descaídos e um a quiebro, junto às tábuas de muito bom nível.

Luís Silva toureia por ambos os lados, correndo a mão e deixa agradados os olhos que vêem séries com profundidade, bem rematadas. Executa derechasos longos e lentos, rematados com passes por alto e naturais com perfume, rematados com passes de peito e ainda há tempo para molinetes e trincheirasos que adocicam a faena. O novilho só vê a flanela rubra. É um novilho com qualidade.

Volta para o Novilheiro.

Angel Ramos tinha um Passanha para tourear e recebeu-o com duas largas afaroladas de joelhos em terra, seguindo por verónicas rematadas com meia verónica e uma rebolera.

Ao quite saiu Duarte Silva, por chicuelinas.

Tércio de bandarilhas cumprido pelos bandarilheiros com competência.

O novilho não era claro e passava melhor pela direita que pela esquerda, de modo que viram-se alguns derechasos rematados com sentido mas naturais foram poucos. O novilheiro bem tentou mas temos que esperar por novas ocasiões.

Volta para o novilheiro.

Duarte Silva tinha um Passanha que demorou a fixar-se e ao quite saiu Luís Silva por verónicas, com meia a terminar.

No tércio de bandarilhas, cumprido pelo novilheiro, no primeiro deixou meio par, no segundo um par mas com uma bandarilha na perna do novilho e no terceiro tenta um par que começa a quiebro, terminando de frente mas a coisa não corre bem e apanha um susto.

Duarte, recomposto, aparece toureiríssimo, com maneiras e profundidade, quer com tandas pela direita, quer pela esquerda.  Os derechasos e os naturais saem bem desenhados e os remates aparecem com imaginação. Alguns molinetes e bernardinas enfeitam o ramalhete. Bonito de ver.

Foi director do espectáculo o senhor João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário João Moreira da Silva, estando preenchidos perto de um terço dos lugares da praça.

 

Para ver

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*