Moita: Cuqui, o destaque da segunda noite da Feira Taurina

Neste dia 16 de Setembro era anunciada uma das mais esperadas corridas da Feira, como vem sendo hábito. Uma corrida só com matadores e com a aliciante de um deles, “Cuqui” se apresentar pela primeira vez como matador na sua praça, como ele diz.

O cartel era cheio de juventude e com uma ganadaria de responsabilidades: havia seis Palhas para lidar!

Nuno Casquinha, “Cuqui” e “Juanito”, estavam prontos a jogar os seus trunfos.

Antes do início da corrida, durante as cortesias, foi guardado um minuto de silêncio em memória de dois homens dos toiros recentemente desaparecidos; o bandarilheiro Jacinto Fernandes e o forcado Luís Branquinho. Que descansem em paz.

O primeiro Palha saiu para Casquinha e é recebido com Verónicas. Na segunda “tanda”, também por Verónicas, remata com uma “revolera” bonita e ouve aplausos por isso. Nas bandarilhas, comparte o tércio com “Cuqui” e conseguem alguns pares com qualidade. Com a muleta o toiro vai mostrando que passa melhor pela direita e é com “derechasos” que se vêem melhores figuras. Encadeando passes com alguma profundidade há “tandas” começadas pela direita que mudando de mão, terminam com passe de peito. Simula a estocada e agradece nos médios, os aplausos merecidos.

No seu segundo, as coisas não correram bem porque o toiro se soltava e não repetia, obrigando o matador quase que a correr atrás do animal, para lhe sacar meia dúzia de lances. Nas bandarilhas, o tércio não foi a contento porque o toiro não era claro e fugia. Na muleta, repetiu-se a cena do capote e Casquinha deu algumas voltas à praça atrás do toiro, até que simulou a estocada. O público aplaudiu o seu esforço e a custo fez sair o toureiro para agradecer.

“Cuqui” recebe de joelhos em terra por verónicas e compartilha o tércio de bandarilhas com Casquinha. Para os matadores este tércio não será uma boa recordação. Correu mal! Este toiro que nas bandarilhas não deu para os matadores se luzirem, na muleta foi-se acoplando e deu uma lide que “Cuqui” recordará com gosto. Passes por ambos os lados, alguns com profundidade, bem sublinhados com aplausos desde a bancada e via-se que o toureiro se sentia a gosto, surgindo naturalmente “derechasos” rematados com passes por alto, ou naturais rematados com passes de peito. Viu-se toureio e toureiro nesta lide. O público reconheceu o esforço do toureiro e a qualidade do toiro, tendo ambos escutado fartas ovações e foi chamado à praça um campino representante da ganadaria para, também ele, escutar os aplausos vindos da bancada.

O seu segundo, lesionou-se ao partir um corno quando na saída rematou contra um “burladero”, pelo que “Cuqui” toureou o primeiro “sobrero”. Foi recebido com uma “tanda” por verónicas, rematada com meia e passou para o tércio de bandarilhas executado pela quadrilha. O tércio foi cumprido com denodo, destacando-se o último par junto às tábuas, com ganas e em todo o alto o que valeu uma estrondosa ovação ao bandarilheiro que o efectuou e que agradeceu de “montera” na mão. Na muleta, o toiro “tarrascava” pela direita e não tinha recorrido pela esquerda, destapando-se na viagem. O matador abreviou a faena por não haver condições de lide. Silêncio.

“Juanito”, que na noite anterior aqui tinha toureado por falta de Miguel Angel  Perera, tinha agora prova de fogo, ao encontrar os Palhas pelo caminho. Recebe o hastado apenas com trasteios porque o toiro só derrota e não passa no capote, no tércio de bandarilhas impõe-se e domina a arena, dando azo a que todo o tércio seja atrapalhado e no fim, eram mais as bandarilhas no chão do que as colocadas no toiro. Os bandarilheiros também não estavam com confiança. Com a muleta tudo se modificou! O toiro foi embarcando, passando e deu uma oportunidade ao jovem matador de mais uma vez deixar boa impressão. Por ambos os lados foi como que ensinando o toiro a investir e cada vez com mais confiança partiu para algumas séries bonitas e de uma plástica apreciável. Foram dominados os modos impetuosos do toiro e aos poucos criaram-se condições para uma boa lide que a princípio parecia não ser possível. Um toiro que nas bandarilhas dominou a arena pelo medo, deu uma grande lide na muleta. No fim, agradeceu nos médios.

No seu segundo, as coisas não lhe correram bem, apenas trasteou de capote, nas bandarilhas os bandarilheiros também não estiveram nos seus melhores dias e a lide de muleta pouco acrescentou porque o toiro se desligava e ao segundo passe já tinha fugido. No fim, silêncio por parte das bancadas.

Da corrida há a salientar a boa presença de público, o toiro lidado por “Cuqui” em primeiro lugar e a lide que lhe foi imprimida.