Crónicas

Moita é Moita! E a corrida de quinta-feira voltou a resultar!

Por ocasião das festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita, deu-se início à sua feira taurina com uma corrida de toiros à portuguesa e um lote de executantes de primeira água, – um praticante, Paco Velásquez, que quer estar ao nível dos melhores.

Os toiros que saíram à praça, da ganadaria Passanha Sobral, com sangue Cebada Gago e Marquês de Domecq, eram bem-apresentados, com pesos a rondar os 500 kg e bonitos de córnea, o que em certas alturas facilitou a função dos forcados.

Para pegar este curro estavam os Forcados Amadores do Aposento da Moita, cujo Cabo é Leonardo Mathias.

Para António Telles saiu um cornalão com olho de perdiz e que pesou 511kg. Com é normal, começou com ferros à tira para ver como o toiro reagia e mostrou como os clássicos também podem evoluir, ao cravar um ferro após uma volta completa já depois do toiro ter arrancado. O público deu valor e foi a primeira grande ovação da noite. Nos curtos, desenvolve um toureio alegre e vai deixando perfume nos curtos que coloca.

Para pegar este toiro, o cabo do grupo de serviço esta noite, Leonardo Mathias salta para pegar e dar o exemplo. A pega foi brindada ao grande forcado “Mata”. O cornalão pareceu não ter posto dificuldade e cedeu na primeira tentativa.

Volta para cavaleiro e forcado.

Gilberto Filipe, para abrir crava três ferros à tira sendo que no terceiro leva um toque do toiro. Nos curtos, monta espectáculo com uma fórmula que vê que resulta. Bem em curto, entra por direito, os ferros vão ficando bem e o público pede mais um, mas a arte está em saber parar. O último, a pedido, a sorte soube a pouco e não terminou com a chave que pretendia. Devia ter terminado no ferro anterior.

Tiago Valente, foi o escolhido para pegar este toiro. À segunda tentativa, o toiro arranca de largo e entra pelo grupo que fecha a contento.

As voltas autorizadas ficaram por cumprimentos, no centro da arena.

João Moura Jr. está em grande forma! Manda sair os peões de brega e espera-se uma porta gaiola. Sorte de grande efeito, mesmo no centro da arena. Faz mais uma tira bonita e quando passa para os curtos vai autenticamente toureando. Quarteios algo rápidos mas que chegam com força às bancadas.  Passa para as sortes de adorno com um ferro com o cite muito curto e muito bonito, uma “Mourina” (ou será Mourinha, uma sorte criada pelo seu pai), e termina com um palmito a pedido do respeitável público.

Pegou este toiro João Freitas. O toiro veio pelo seu caminho mas ao sentir o forcado desvia-se da linha do grupo que recupera com mérito.

Voltas para cavaleiro, forcado e rabejador, devido ao seu enorme trabalho.

João Ribeiro Telles está um toureiro e tanto! Começa com tiras bem desenhadas e passa para os ferros curtos toureando, ora com quiebros, ora a quarteio mas sempre com as bancadas ao rubro. Os dois últimos chegaram forte ao público e o espaço que sobrava era tão pouco que nem deu para rematar a sorte. Da Universidade da Torrinha não se cansam de sair talentos.

Diogo Gromicho saltou para pegar este morlaco. O toiro arranca de longe e dá brilho à pega. Bonito o espectáculo dado pelo grupo e pelo toiro.

Voltas para cavaleiro e forcado

João Salgueiro da Costa trás no sangue a toureria da família. Sem alardes em demasia faz o seu trabalho com honestidade e dá gosto ver em praça. Começa com ferros à tira para alegrar o toiro. Vai-se adaptando ao jogo do opositor donde resulta uma lide alegre e variada, desde quiebros lentos a quarteios, carregando a sorte. Vale a pena ver que luta para vingar!

Martim Cosme sentiu algumas dificuldades, quando se propôs agarrar o toiro que baixou a cabeça, quase fazendo cair o grupo todo contudo, a “calma” da formação resolveu o problema.

Volta para cavaleiro e forcado.

Era obra para o praticante Paco Velasques vir medir forças com estas figuras. A sorte correu bem, embora o início não tenha corrido pelo melhor, com o comprido a ter batido e não cravado. A segunda tira já correu melhor e nos curtos com muito trabalho para colocar o toiro, a lide foi subindo de tom e esperamos ver a sua evolução noutras ocasiões. É ganhando saber e força com corridas destas que se chega à alternativa.

André Silva, pegou com o toiro a vir à voz e sem “fazer mal”.

Volta para cavaleiro e forcado.

Rui Loução

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