Moita: Uma noite entretida, na primeira da Feira de Setembro de 2020

Mau grado os constrangimentos provocados pela Covid – 19, a praça Daniel do Nascimento, na Moita, apresentava uma boa moldura humana.

Tratava-se de uma corrida mista com um cartel rematado com dois cavaleiros de postim; Luís Rouxinol e João Telles sendo que para a lide apeada anunciava-se Miguel Angel  Perera que à última hora – 18:41 – apresentou um atestado médico, por sentir uma dor nas costelas, não podendo tourear. O matador espanhol foi substituído pelo português Juanito que bem aproveitou a oportunidade como adiante referiremos.

Do Cartel fazia ainda parte o Grupo de Forcados Amadores da Moita, capitaneados por Pedro Raposo.

As ganadarias eram as de David Ribeiro Telles para a lide a cavalo e de Ascensão Vaz para a lide a pé. Com o chão da praça muito revolvido, os toiros apresentaram falta de força nas mãos.

O espectáculo foi dirigido por Fábio Costa, assessorado pelo veterinário Carlos Santos.

Para Luís Rouxinol saiu o primeiro da corrida, recebido com dois ferros à tira, bem colocados e logo aí se viu cuidado na brega.  Muito bem a bregar e a escolher os terrenos, deixou uma série de curtos terminando com um violino e um palmito, muito aplaudido pelo público.

Para pegar este toiro saltou o cabo do grupo em praça, Pedro Raposo; nas duas primeiras tentativas o toiro passa literalmente ao lado do forcado da cara e primeiro ajuda, sendo à terceira tentativa consumada a pega mas acabando com o toiro e os forcados por terra.

Cavaleiro e forcado agradeceram no centro da arena.

O segundo da noite foi para João Ribeiro Telles; uma noção de toureio totalmente diferente da de Rouxinol mas empolgante e exuberante, sempre com as coisas bem feitas especialmente nos curtos, onde pode dar largas à sua arte de empolgar o público, com sortes ao piton contrário mas levando às vezes um pouco de mais o esforço, se o público por ele puxar.

Os dois últimos ferros foram de nota superior!

David Sol fez a pega parecer fácil, o que é o maior mérito. Citou como mandam as regras, recuou bem, fechou-se e o grupo fechou.

Havia nos curros dois de Ascensão Vaz, para a lide apeada. Para o seu primeiro, Juanito tinha à espera um toiro com 450 Kg.

Recebeu-o com Verónicas rematadas com meia, entretanto sofre uma aparatosa voltareta e passa para o tércio de bandarilhas, efectuado pelos bandarilheiros.

Com a muleta começa trasteando por alto cuidando da investida do toiro, depois quer pela esquerda quer pela direita, vêem-se bons apontamentos de um toureiro já com ofício e a requerer oportunidades, terminando com uma série de desplantes que o público aprecia.

Simulou a estocada e agradeceu nos médios como mandam os tempos.

Agora não se poderá dizer segunda parte porque não há intervalo, mas na sua segunda actuação Luís Rouxinol vem ainda mais toureiro com uma brega muito cingida e vistosa, sobejamente aplaudido por isso. Logo nos ferros de saída crava duas tiras bem cuidadas em seu sítio, depois é um repertório de ferros a quarteio e cheio de bons modos. Todos os ferros têm o respectivo remate, coisa que vai escasseando nas praças e fecha a actuação com a marca da casa: um par de bandarilhas em todo o alto!

Francisco Tavares foi o escolhido para pegar este toiro. Fez tudo bem e até aguentou um par de derrotes fenomenais que só com uma grande alma e muita força se consegue aguentar. O grupo ajudou a concretizar esta rija pega.

O forcado teve direito a uma ovação especial!

João Ribeiro Telles, nos ferros compridos esteve bem mas no início da lide, com curtos, alguma coisa não correu bem e falhou por duas vezes a colocação do seu primeiro. Segue lidando no seu estilo exuberante mas sempre com os tempos marcados, por fim vai buscar outro cavalo e com uma sorte bastante veloz e de ataque, faz uma forte batida ao piton contrário que o público aplaude forte. Repete a sorte e a praça fica em alvoroço e pedem mais mas ele não acede e retira-se.

O toiro é pegado por Fábio Silva. Uma enorme pega! Tudo bem feito desde o citar até ao ajudar do grupo.

 Grande noite de pegas.

Forcado e cavaleiro tiveram direito a “duas voltas” no centro da arena.

Juanito veio fechar a noite.

Diga-se desde já que este jovem soube aproveitar esta oportunidade que lhe caiu no colo.

No capote, vêem-se brilhar lances variados de verónicas, a Tafarellas e até Zampopinas.

Grande reportório tem este jovem matador!

Nas bandarilhas, cujo tércio é cumprido pelos bandarilheiros da quadrilha, ficou na retina o último par.

Na faena de muleta, inicia com cambiadas pelas costas e segue com passes que só não têm mais profundidade porque o toiro tem pouco recorrido e para a meio das sortes mas em todas as oportunidades de mais um passinho ou dois, lá está a correr a mão e a dobrar o pulso. Luziu-se ainda com bonitas séries, embora poucas, de derechasos rematados com passes por alto e naturais rematados com passes de peito.

Já para terminar a lide e de joelhos em terra, faz cambiadas pelas costas que lhe valem aplausos fortes.

Aproveitou bem a oportunidade deixada pelo diestro Miguel Angel Perera.