Sexta-feira, Setembro 30, 2022
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Montijo: De Coimbra veio uma lição na arte de pegar toiros

Neste dia 14 de Maio voltou a fazer-se a já tradicional corrida da flor. Foi bonito ver tanta flor para distribuir pelos artistas, num ambiente colorido como só as flores nos transmitem.

Pode dizer-se que para assistir a este espectáculo, estiveram cerca de metade da lotação da praça.

Quanto ao espectáculo tauromáquico que aqui nos trouxe, foi agradável com bons desempenhos e em especial o Grupo de Forcados Académicos de Coimbra deu “uma lição” de bem pegar toiros, mas a seu tempo falaremos disso.

A empresa Tertúlia Óbvia, preparou uma corrida de gente com valor inquestionável, para uma tarde de toiros de grande valia.

Num espectáculo dirigido por João Cantinho, coadjuvado pelo Veterinário Carlos Santos, foi lidado um bem rematado curro de Passanha com comportamentos muito “parelhos”, não pondo problemas de maior aos artistas. Com arrancadas limpas e o seu galope murubenho permitiram remates em ladeios sempre vistosos.

O toiro que se destinava a abrir praça lesionou-se, antes de Rouxinol cravar o primeiro ferro, pelo que foi devolvido aos curros.

De seguida, saiu um Passanha com vontade de investir, que foi recebido com dois ferros à tira, logo aí já aplaudidos pelo conclave. Nos curtos, Rouxinol consente muito tendo sempre o toiro debaixo do braço. Para gaudio dos espectadores, o inevitável par de bandarilhas e um palmito, qual cereja no topo do bolo.

Luís Carrilho, cabo do grupo da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, escolheu Armando Costa para a primeira pega da tarde, mas só à terceira tentativa e com ajudas carregadas se conseguiu dar volta à papeleta. Só houve volta para o cavaleiro.

Marcos Bastinhas vinha com vontade de triunfar e fez por isso. Recebe o toiro à porta dos curros e galopa até o parar. Nos compridos, mostra logo ao que vem e o público está com ele aplaudindo as duas sortes à tira, com que recebe o oponente.

Depois de mudar de cavalo, segue com ferros a quarteio com reuniões apertadas e sempre espectaculares. O terceiro curto feito em terrenos menos apertados, fica na retina pelos seus vagares e a correcção da sorte.

Depois vem o número que já todos conhecem; faz que vai sair esperando que lhe peçam para cravar o tradicional par de bandarilhas, depois da cravagem das bandarilhas, desmonta com espectáculo e beija a areia da praça.

Marcelo Loia, cabo dos Amadores do Barrete Verde de Alcochete, escolheu João Armando Coimbra para pegar este toiro, que arranca franco e mete bem a cabeça; o forcado fechou-se bem e o grupo ajudou a contento ao primeiro intento.

Volta para cavaleiro e forcado.

Francisco Palha veio substituir Pablo Hermoso de Mendonça que se lesionou enquanto treinava em sua casa. Oportunidade que o ginete luso agarrou, com ambas as mãos.

O toiro sai com muita pata e vontade de perseguir o cavalo, o que leva o cavaleiro a exibir artes para o colocar para o primeiro ferro. Os dois compridos são cravados sem rodriguinhos mas eficazes e em sortes bem desenhadas.

Nos curtos, utiliza outras armas e sita em curto fazendo vibrar os espectadores, contudo, quando as sortes são desenhadas com mais espaço, têm outra vista.

Boa e vistosa, esta lide.

Ricardo Marques, cabo dos Académicos de Coimbra escolheu Francisco Gonçalves para esta pega.

O toiro arranca de longe, Francisco recua e encaixa-se na cornamenta do toiro de uma maneira que deixou toda a gente em delírio. Foi um espectáculo dentro de outro espectáculo. Parecia que os espectadores estavam presos com uma mola que se soltou. Grande momento!

Quando se fizer a história das melhores pegas do ano, esta tem que estar presente e será séria candidata ao troféu!

Uma lição vinda de Coimbra.

Volta para cavaleiro e duas voltas para o forcado.

O eng. Cortesão deve ter ficado feliz com esta demonstração do “seu” grupo, esteja ele onde estiver.

Rouxinol veio cantar de novo aos nossos sentidos.

Uma lide muito bem conseguida logo desde o início. Nos compridos, faz duas bonitas sortes à tira e demonstra ao que vem, com os ferros bem colocados. Nos curtos, vai em crescendo sempre com grande ligação à plateia.

Nos curtos, exibe recursos de pôr o coração a bater forte!

O toiro arranca de praça-a-praça e é esperado junto à trincheira, do outro lado. Quando parece que pouco há a fazer para evitar algo de mau, quarteia-se num palmo de terreno e deixa um ferro memorável, terminando a lide com mais um ferro da marca Rouxinol e um palmito.

Jorge Feitor, da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, fez mais uma grande pega nesta tarde.

O público aplaude forte!

Volta para cavaleiro e forcado.

Marcos Bastinhas recebeu o seu oponente com duas sortes à tira, rápidas e prossegue. Nos curtos e com uma montada mais adequada para o efeito, faz sortes à tira muito lentas e quiebros que ficam na retina.

Para pegar este toiro salta o cabo dos de Alcochete: Marcelo Loia.

Este homem tem braços de aço e uma vontade de ferro! Fechou-se com ganas e o toiro foi tirando os ajudas pelo caminho mas ele não saiu. Uma pega de levantar a praça!

Volta para cavaleiro e forcado.

Francisco Palha, começou com duas sortes à tira, sem grandes cuidados nem pressas para os curtos onde quer a quiebro, quer a quarteio, vai explanando a sua arte. Com remates e ladeios prolongados, põe o público no bolso.

Para a pega, os de Coimbra fazem saltar João Tavares que é desfeiteado no primeiro intento mas na segunda tentativa fica com ganas. A quem vem a terra de forcados ter tal êxito, só se pode dar os parabéns;  votos de que o êxito continue, para os homens das margens do Mondego.

Volta para cavaleiro e forcado.

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