Montijo: Márcio Chapa merecia melhor despedida…

No sábado 28 de Setembro, teve lugar na Monumental do Montijo, Amadeu Augusto dos Santos a quinta corrida das tertúlias. Tratou-se de um concurso de ganadarias e onde também se assinalava e homenageava Márcio Chapa, na despedida de cabo dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, passando o testemunho a Luís Carrilho.

No concurso de ganadarias apresentaram-se para o veredicto as seguintes: Prudêncio, Vinhas, Fernandes de Castro, José Palha, Santos Silva e Alves Inácio. Para lidar este curro de toiros tivemos em praça Rui Salvador, assinalando os trinta e cinco anos de alternativa, e dois homens da terra, Luís Rouxinol e Gilberto Filipe.

Da terra eram também os dois grupos de forcados que, acompanhados por uma selecção de forcados amigos do homenageado, se propunham pegar os exemplares a concurso.

Os Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo que passaram a ser comandados por Luís Carrilho, os Forcados Amadores do Montijo capitaneados por Ricardo Figueiredo e a selecção de amigos de Márcio Chapa, cujo cabo era João Luís Branquinho.

O espectáculo foi dirigido por Fábio Costa, assessorado pelo médico veterinário Hugo Rosa.

O primeiro exemplar em praça, da ganadaria Santos Silva, coube a Rui Salvador. O cavaleiro dos ferros impossíveis fez o que pôde mas nem recorrendo aos seus dotes de impossibilidade, conseguiu retirar “sumo de uma laranja seca”. Bons momentos, um quarto curto de boa nota mas pouco mais.

Márcio Chapa saltou com o seu grupo para pegar o primeiro da tarde. O toiro que pouco se tinha empregado no cavalo, deixou o mau feitio para o forcado que se iria retirar. Este, depois de brindar à família, que se sentirá mais “leve” daqui para a frente, teve a seu cargo resolver um dos problemas mais complicados da tarde. Só a terceira tentativa e com ajudas muito carregadas, o grupo conseguiu pegar o toiro. Muito querer e muita vontade de todos. Foi a jaqueta rasgada nestas tentativas que Márcio passou ao seu sucessor, Luís Carrilho, numa cerimónia cheia de sentimento.

Parabéns a ambos!

Depois da volta dada pelo cavaleiro e pelo forcado, seguiram-se as homenagens ao homem e ao forcado. Bem justas mas como é vulgar nestes casos, atrasando a corrida num ror de tempo. Márcio bem merece essas homenagens e também merecia que fosse tida em consideração a sua participação na Festa ao longo de tantos anos para que, na sua despedida, não fosse mais um “limpar” de currais.

 

O de Alves Inácio calhou a Rui Salvador para abrir a segunda parte. Mais uma vez muito profissionalismo de um homem que não se deixa vencer pelas contrariedades, mas o seu oponente não lhe dava razões para brilhar. Nos compridos, o segundo ficou descaído e nos curtos, depois de uma brega com afinco, e de ter falhado o primeiro, vem ao de cima o seu querer estar por cima do toiro e crava ferros com remates pelo corredor. Não havia mais para dar!

Após uma primeira tentativa onde tudo foi mais brusco e mais desordenado, o novel cabo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, Luís Carrilho, pegou à segunda tentativa com as ajudas mais juntas e mais carregadas e com uma investida mais limpa e mais clara do toiro.

Volta para Cavaleiro,forcado e ganadero.

 

 

Luís Rouxinol teve pela frente um Prudêncio que havia de ganhar o prémio de apresentação, com 600 quilos mas com o seu sangue Murubenho, permite o toureio descansado e calmo mas não aperta e não dá o “som” que o “maestro” gosta. Toureou de modo que agradou às tertúlias mas nada de mais. Os dois últimos curtos, com remates bonitos, foram o que de melhor se viu.

Hélio Lopes, dos amadores do Montijo foi o escolhido para esta pega, mas esta não era a tarde dos forcados. Nas duas primeiras tentativas o toiro passa-lhe ao lado, na terceira o forcado não se fecha e na quarta, a sesgo, com ajudas carregadas lá ficou.

Volta só para o cavaleiro.

No caminho de Luís Rouxinol desta vez calhou-lhe um de José Palha, bonito de apresentação, mas não seria o escolhido pelo júri. 

Depois de dois ferros compridos a abrir e depois de mudar de cavalo, vem uma série de curtos com entradas por direito, quarteando-se em pouco espaço e deixando ferros de nota superior, no morrilho do toiro. Viram-se momentos de bom toureio que chegaram às bancadas, em especial as que estavam preenchidas pelas tertúlias da terra. Nada de deslumbrar como estamos habituados a ver aos Rouxinóis. 

Se calhar para um toureiro de craveira média tinha sido uma lide muito boa, a questão é a bitola em que se colocam os diversos artistas, sendo que o grau de exigência é diferente, consoante se sobe na escala de valores. Não é só nos artistas, connosco na escrita, acontece o mesmo!

Ricardo Almeida dos Forcados do Montijo só à terceira tentativa ficou na cabeça do toiro e só nesta circunstância o grupo parou o seu oponente.

Volta só para o cavaleiro.

 

 

Gilberto Filipe, homem da zona, brinda ao antigo e ao novo cabo dos Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo. 

Coube-lhe tourear um Vinhas.

Para perceber o comportamento do seu oponente cravou três compridos sem grande história, depois seguiu toureando a quarteio. Bem a bregar e a colocar o toiro mas não foi uma lide redonda. O violino e o palmito com que encerrou a função, eram dispensáveis.

Pela selecção de Forcados Amigos de Márcio Chapa, pegou Rafael Costa dos Amadores do Ribatejo. Foi a única pega à primeira tentativa, mau grado o toiro ser baixelo. Muita vontade e boas ajudas, fizeram superar a falta de apoio dos cornos do morlaco.

O segundo que coube ao Gilberto Filipe foi o de Fernandes de Castro que haveria de ganhar o prémio de bravura.

Este toiro, com o qual se encerrou a função, foi recebido com três compridos algo trazeiritos. Nos curtos, toureia com quarteios bonitos e ajustados que o conclave gosta e aplaude. Os dois últimos, com batida ao piton contrário, fazem subir o nível dos aplausos mas o palmito com que termina a lide não acrescentou nada a nível artístico. 

Pela Selecção de forcados pegou um dos da casa: Filipe Correia, do Grupo de Forcados Amadores do Montijo. Pegou à segunda tentativa, com ajudas mais juntas e coesas.

Volta para cavaleiro e forcado.

 

De realçar que pela instalação sonora da praça nos foram dadas todas as informações necessárias à compreensão do espectáculo que estávamos a ver, desde o nome dos cavaleiros e bandarilheiros, aos forcados da cara e respectivos grupos e os toiros lidados e suas ganadarias.

Um exemplo a seguir em muitas das nossas praças. É uma mais-valia! Neste aspecto a empresa da praça de toiros do Montijo é um bom exemplo.

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