Terça-feira, Dezembro 6, 2022
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Moura…outra para aficionados!

A corrida Olivomoura 2014 foi um espetáculo muito interessante, mais um esta época, para o aficionado ao Toiro de Lide e ao Toureio do Toiro de Lide, muito por culpa da matéria-prima, que é afinal a essência do espetáculo tauromáquico…o Toiro de Lide! Pena o terço de casa ter sido pouco para um cartel rematado e montado com muito sentido aficionado. 

Dizer que foi uma corrida com muitos matizes, com emoção, com momentos mais populares, com o êxito e tragédia bem perto um do outro, foi tudo menos monótona, "sensaborona" e aborrecida. Os pupilos de Passanha Sobral saíram muito no tipo da ganadaria, quer no fenótipo, quer em genótipo. Bem rematados de acordo com o esqueleto que têm, com trapio, com chispa, raça e sem querenças de mansidão solene. O mau estado da arena e o calor que se fez sentir, aliados à vontade de lutar, levou a que brandeassem de "remos" com alguma facilidade e a partir de meio das lides quase todos perderam "gás", só recuperando no momento da pega para investidas francas, vigorosas e a pedir tudo bem feito. Foi um curro com interesse a que terá faltado dar mais distancia nas sortes, deixar os toiros crescer na lide pela via das vantagens, fica a sensação que podia ter vindo a mais na globalidade se os "mandassem vir" mais de largo, desde o inicio. Gostámos dos 1º, 5º e 6º, regular o 3º, com génio o 2º e manso o 4º. Justifica-se a chamada dos ganaderos.

Rui Salvador teve uma tarde positiva no global. No primeiro andou asseado e com "tarimba" deu lide que podia ter ido a mais. No seu segundo, bem mais difícil, esteve toureiro perante o desafio, pode dizer-se que foi um toiro para o Salvador que todos conhecemos e reconhecemos, sem espetacularidade assinou uma Lide de alto nível e muito profissionalismo.

Filipe Gonçalves não se entendeu com o seu primeiro, um toiro complicado, com acometidas violentas e que exigia mais temple nas montadas sobretudo no momento do ferro. No seu segundo, igualmente exigente mas o mais nobre, parecia ir por um tom correcto a lide até que um comentário vindo do Sol "picou" o "algarvio". Enraçou-se e partiu para o êxito, tirou partido do oponente, com lide ligada, viagens frontais e rematadas com piruetas em dose que bastasse, boa série de curtos que deveria ter terminado no momento de apoteose, após o "par de bandarilhas", o palmo que pôs depois só arrefeceu. Foi o máximo triunfador!

O Rejoneador Colombiano Jacobo Botero "tem praça", procura fazer bem feito e com critério, tem sentido dos terrenos do toiro e aponta ao topo da classe profissional, a seu tempo. No primeiro demorou a acoplar-se ao andamento do toiro, em particular no momento do ferro, não lhe virou a cara e conseguiu alguns momentos com brilho. No seu segundo cantou outro galo, é certo que era mais cómodo, mas Jacobo foi para o triunfo, entendeu-o, teve conhecimento e arte para tirar partido do que o oponente tinha para dar, bem a lidar e a desenhar as sortes, compôs actuação do agrado geral.

Nas pegas viveram-se momentos de drama muito por culpa dos forcados, quando se está mal com Toiros, diferentes dos "toirecos" que a maior parte das vezes, em numero raramente superior a dois no mesmo espetáculo, sai para grande partes das agremiações actualmente existentes, vê-se a diferença entre quem tem e não tem. Foi o caso em Moura.

Na brega a habitual eficiência dos peões de serviço: José Bartissol, R. Andrade, Duarte Alegrete, Cláudio Miguel, João Prates "Belmonte" e Tiago Santos.

Os toiros investiam francos, com ganas, pelo seu caminho, a empregar-se, mas sem maldade. Pediam tudo bem feito em toda a formação.

Por Moura, Carlos Sota à 1ª ( mal a receber, mas muito bem ajudado e com ganas, na pega mais vibrante) e João Cabeça bem à 1ª, compuseram a actuação de Grupo mais consistente da tarde.

Os Amadores de Safara levam muito que contar por culpa própria mas também pelo infortunio. No primeiro, Bruno Valente saiu lesionado com uma "arrepiante" fractura exposta da tíbia e peróneo, foi dobrado pelo Cabo Pedro Lúcio que com eficiência pegou na sua 1ª tentativa. No seu segundo, foi o cabo dos trabalhos num toiro facilão, que esteve pegado por duas vezes e inexplicavelmente se libertou de uma pinha de elementos. Muito mal nas ajudas, sem consistência, sem nexo e sem saber em muitos elementos. Mais uma vez, o Cabo Pedro Lúcio (agora nas primeiras) foi o abono de família para "agarrar"  o Passanha Sobral. 6 tentativas de Jorge Reis e José Silva. 

Os Amadores da Póvoa de S. Miguel tiveram em José Santos o cara do seu primeiro, bonito no cite, com conhecimento fez tudo bem até ao momento da reunião, em que recebeu mal nas duas tentativas, com valente par de braços emendou-se e concretizou. Rúben Torrado também à 2ª  e também com muita vontade em ficar, já no limite, num toiro que fugiu ao Grupo, mas sem problemas. 

Abrilhantou a Banda dos Amarelos de Moura um espetáculo com direção de Agostinho Borges e assessoria do Dr. João Infante.

 

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