Sábado, Novembro 26, 2022
Publicidade
InícioCrónicasMoura: triunfo da Festa Brava!!

Moura: triunfo da Festa Brava!!

Foi com uma casa preenchida em ¾ da lotação que Moura, em noite de ambiente agradável, viveu a tradicional corrida das Festas em Honra de Nª. Srª. do Carmo. Dirigiu o Sr. Agostinhos Borges, auxiliado pelo Dr. Matias Guilherme, uma corrida muito interessante, que prendeu o público ao longo de pouco mais de duas horas (até nisto foi boa!). Perante Toiros houve Toureiros, a cavalo e a pé (bandarilheiros e forcados). Correspondeu às expectativas que tínhamos de ver um espetáculo com emoção, exigência, bons índices de execução por parte dos artistas e competição, dada a composição do mesmo. Valeu bem a pena num domingo à noite ir a Moura, ver uma corrida às 22:30!

Nas cortesias guardou-se um minuto de silêncio em memória do cavaleiro tauromáquico Brito Limpo e do forcado Luís Gameiro.

Irrepreensível a apresentação do curro de Veiga Teixeira, teve idade, trapio, muita presença e impôs respeito e emoção (prova disso o facto de ao menor erro no momento do ferro terem "brindado" os cavaleiros, algumas vezes, com valentes encontrões a empregar-se). Foi exigente e variado, do manso ao muito codicioso e bravo, houve de tudo, sempre a prender o público e a transmitir toda a noite. É muito importante para a recuperação do entusiasmo do público em voltar a ver Toiros (e assim fomentar a sua presença por repetição) que "estes" apareçam, como aconteceu em Moura. O Ganadero triunfou e deu volta no quinto! Apenas faltou vê-los sair mais de longe e com primazia para os ferros, se os tivessem “mandado vir” no inicio das lides…é que a forma como investiram para os forcados no final das mesmas, deixa, para quem gosta de ver Toiros, a sensação que em terra de bom melão de sequeiro…estes poderiam ter “sido abertos” de forma ainda melhor!

Vítor Ribeiro deu o mote logo no seu primeiro, labor, labor e muita entrega para dar a volta a um toiro reservado, que media muito e custou a deixar-se vencer. Apenas no final da lide se percebeu quem ganhara, quando o toiro se entregou e Vítor teve aí os seus mais impactantes momentos da noite. No seu segundo acusou alguma falta de rodagem, em relação aos companheiros de cartel, e demorou a encontrar-se numa atuação em que não virou cara nem procurou o êxito fácil, em abono da verdade. Respeitou sempre o público e a profissão, empenhou-se com vergonha toureira, foi reconhecido por isso mesmo e pelo valor que mais uma vez deixou em praça.

João Moura Jr, está placeado, anda com ritmo e tem soluções variadas. Tudo isto valeu para uma noite de êxito em ambos os toiros. Mais toureiro e laborioso no primeiro, que desde cedo se defendeu terminando fechado em tábuas, foi para a luta e saiu “por cima”, com os sesgos de remate a chegarem ao público, depois de muito trabalhar para contrariar as adversidades. No seu segundo, mais cómodo e colaborante, esteve mais “facilão” e pode brilhar num sentido mais festivo e junto do grande espectador, sempre sem desrespeitar as regras nem o oponente. Triunfou forte em Moura…Moura Jr.

Telles Jr. diligente e laborioso no seu primeiro, que entendeu na perfeição e a que deu a lide correta. Quanto a nós, foi no seu segundo que mais alto esteve. Com uma estampa que impunha muito respeito e não permitia erros, desde cedo percebeu que havia que fazer tudo com muito cuidado, sem exageros e paciência. Bregou quase a passo, num alarde de domínio e entendimento do toiro e seus terrenos que impressiona. Maturidade e fino aroma ao jeito do “azeite da terra” foi o que nos deixou numa lide para apreciadores. Terminou “já nas bancadas” com o seu lado mais artista, depois de andar na arena com o lado mais toureiro. Grande fecho com chave de ouro.

Nas pegas e num fim-de-semana tão “quente” para a arte apetece-nos dizer, sem detrimento de outras opiniões: Deixem de se expor senhores forcados, deixem de alimentar polémicas em excesso e ponham todos os olhos no que foi a noite de pegas em Moura e na forma com estiveram, dentro e fora da arena os Amadores de Vila Franca de Xira e Real de Moura…estiveram FORCADOS!!

Toiros que chegaram de boca fechada ás pegas, foram nobres nas investidas, mas impetuosos na reunião e que se empregaram nas viagens, com poder e fiereza. Pediam tudo bem feito desde o cite ao largar. “Toureiros” os caras, com conhecimento e consciência do que tinham de fazer, com os tempos bem marcados e a mandar nos toiros, depois os Grupos coesos e com ajudas empenhadas, em bloco a ajudar nos pitóns dos toiros, a tapar-lhes a cara e a cair só quando o impacto os atirava ao chão, sem fugas nem esperas para decidir se entram ou não no toiro!

Aplaudimos os dois Grupos.

Parece que foi simples pela estatística…6 toiros 8 tentativas, e foi…porque os Forcados tornaram fácil algo que se tornaria, facilmente, muito difícil se não fosse “bem feito” de inicio. Para a história os caras Ricardo Castelo, Bruno Casquinha e Rui Godinho por V.F.Xira, todos à primeira numa atuação totalmente perfeita de verdadeiro Luxo do Grupo. Carlos Mestre (1ª), João Cabrita (2ª, precipitado na primeira) e Valter Rico (2ª, ficou no chão em viagem difícil por baixo na 1ª) compuseram a atuação muito próxima da perfeição do Real de Moura. Outra nota do empenho e seriedade com que os cabos abordaram a noite é percetível pelo facto de um ter aberto e o outro fechado praça! O FORCADO AMADOR TRIUNFOU EM MOURA!!

Que venham mais destas…não têm “foguetório”, mas têm mais sabor e deixam mais vontade de voltar…

Publicidade
Publicidade

Últimas