Na Moita, com uma dor na alma

Nunca me tinha sentido assim!

Eu sabia que não havia a tradicional Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem, mas do saber ao sentir vai uma imensidão de sentimentos e parece que só assim acreditamos.

É desolador!

Apenas uma rua engalanada e os sempre garridos barcos tradicionais do Tejo com as suas bandeiras desfraldadas ao vento, criam como que uma corrente colorida que ajuda a que, pelo menos ali, haja festa quando forem abençoados pela padroeira.

Da festa brava apenas alguma música na Daniel do Nascimento, já com as bilheteiras abertas e um perfil de toiro que anuncia uma exposição de fotografia taurina.

Nas imediações da praça, um grupo de jovens pouco dado a distâncias sociais e nada mais.

A avenida, noutras ocasiões cheia de areia para que se pudessem fazer as largadas, agora é um enorme parque de estacionamento, impessoal, igual a tantos outros em tantas outras cidades pelo mundo fora.

Falta o encanto da festa e as caras alegres, agora com poucas razões para sorrir.

 Maldito vírus!

É um vazio, cheio de ausências!

É o lugar do convívio entre amigos que está vazio e que se preenche com a ausência de toda a envolvente de movimento e cheiros de diferentes iguarias e que trás gente de todo o lado para os coiratos, as bifanas e as entremeadas.

Dói visitar uma terra que era para estar em festa e por causa dos tempos que vivemos, está sem chama.

Temos pela frente a Feira Taurina de Setembro de 2020, com quatro espectáculos de cartéis bem montados e que merecem ser vistos. Façamos votos para que os espectadores estejam em força, dentro das limitações que as circunstâncias exigem e que os artistas tenham material para brilhar.

Que todos tenham sorte!