“Não pedimos muito, não pedimos milhões de euros, pedimos sim o reconhecimento desta arte como cultura”, diz Cabo dos Forcados Évora sobre falta de apoio da autarquia (c/som)

Como noticiamos recentemente, a empresa gestora da Arena D’Évora apresentou os primeiros cartéis da temporada da arena eborense.

O Grupo de Forcados Amadores de Évora tem presença assegurada nas três corridas apresentadas, sendo que o destaque é pegar em solitário na corrida do São Pedro.

O Toureio.pt falou com João Pedro Oliveira, Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Évora, que começou por dizer que “a corrida de destaque para nós, é sempre o São Pedro, é a nossa corrida, na nossa praça, com os nossos amigos e família no público e, portanto, é uma corrida que pesa por si só, por toda a conjuntura e porque nós queremos dar ao nosso publico o nosso melhor nível exibicional”, acrescentando que este ano tem “o acréscimo de ter duas ganadarias, o que pede que o grupo seja ajustável, porque o comportamento dos touros vai certamente variar e portanto só um grupo com um leque alargado de opções é que consegue ter aqui uma boa prestação e sem dúvida o grupo de Évora está num grande momento e isso não vai ser um problema.”

Questionado sobre como está o grupo actualmente e se há uma renovação, João Pedro Oliveira refere que “há uma renovação, como disse o grupo atravessa uma fase jovem, com forcados jovens, mas já com maturidade, ou seja, que já têm alguns anos de grupo e, portanto, já está assegurado o futuro”, ressalvando que “o que acontece é que temos renovação, miúdos novos a entrar para o grupo e isso é sempre motivo de louvar, agora é como tudo na vida, as renovações têm de ser de forma sustentável e equilibrada para serem bem sucedidas e nisso acho que o grupo de Évora, como tem o presente assegurado e não precisa de fazer crescer à pressa os forcados que começaram agora, essa renovação está garantida.”

Relativamente às ganadarias que se anunciam para o concurso, o Cabo dos Amadores de Évora diz que “o concurso de ganadarias é das corridas que nos mete o corpo mais para dentro, isto porque estão seis ganadarias de renome, é o concurso de ganadarias mais antigo e de maior prestigio em Portugal e, portanto cada ganadeiro que vem, aposta no seu melhor toiro e, portanto, três touros que calham ao Grupo de Évora, vão ser três touros de certeza com apresentação irrepreensível e que vão exigir certamente de todo o grupo. Se no dia 27 de junho temos 2 ganadarias, aqui o grupo tem de se ajustar a três ganadarias e a três touros que vêm para arrecadar os troféus.”

Já sobre a corrida para onde se anunciam touros de António Charrua, João Pedro Oliveira, afirma que os “touros Charrua que para muitos parece um curro facilão, mas não é, é muito ao agrado dos toureiros, mas depois chega à parte da pega e exige muito do grupo, porque são touros que tem uma cadência e uma investida muito própria e pedem que o forcado da cara tenha todos os tempos da pega bem definidos e saiba estar bem com ele, caso contrário será uma carga de trabalhos para o grupo, mas esperemos que assim não seja.”

No momento da apresentação João Pedro Oliveira referiu que os Grupos de Forcados não têm a força para escolher as ganadarias, questionamos-lo se a afirmação teria sido feita em tom de brincadeira ou em tom mais sério, tendo este respondido que “foi em jeito de brincadeira mas com muita seriedade, mas atenção disse essa minha afirmação, não é de me queixar, é pelo contrário pois acho que um grupo quer ser um grupo de forcados e nós somos amadores, não temos o dever se quer de escolher o toiro a pegar, o toiro é que nos mete também a um nível acima da média ou não. Pelo grupo de Évora nós queremos é os toiros que tenham maior investida, não queremos toiros assassinos, queremos touros bravos que testem as capacidades do grupo, porque como disse essas são as pegas que ficam na memoria, se a pega for fácil acaba a corrida e ninguém se lembra, serem com toiros duros e se forem três grandes pegas do grupo toda a gente vi falar do grupo e é isso que me interessa enquanto cabo.”

Numa altura em que a festa sofre vários ataques, questionamos se o Grupo de Forcados Amadores de Évora recebe algum apoio da Autarquia local, tendo João Pedro Oliveira sido peremptório ao dizer que “é um aspecto menos positivo, sei que há muitos grupos que têm apoio das autarquias, infelizmente o grupo de Évora não tem qualquer apoio da câmara de Évora, tenho pena disso, mas acho que passa pelo trabalho feito, já tive algumas reuniões na câmara e toda a ajuda é pouca, porque temos as despesas inerentes aquilo que é a actividade do forcado, como o seguro e as deslocações que é do bolso de cada um. Não pedimos muito, não pedimos milhões de euros, pedimos sim o reconhecimento desta arte como cultura, e que reconheçam que têm no nome de Évora o grupo de forcados que é o 4º mais antigo do mundo, que tem 57 anos de historia ininterrupta e pelo menos que respeitem como respeitam outras associações culturais, é só isso que nos pedimos e o resto cabe ao gosto de cada um, quem quer ir vai á corrida, que não quer ir não vai à corrida, quem gosta da tauromaquia gosta, que não gosta, não gosta e não tem de ir ver.”