Sexta-feira, Setembro 30, 2022
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InícioOpiniãoNão será a cornada do COVID-19, que nos vergará!

Não será a cornada do COVID-19, que nos vergará!

Correm tempos difíceis por todo o mundo, silencioso e sem a nobreza do toiro bravo, manhoso o vírus que se foi espalhando, começou a dar-nos “cornadas” imprevistas e dolorosas, e nós o que fizemos?

Responsavelmente, refugiámo-nos nas trincheiras das nossas casas, e esperamos que esta vaga maléfica provocada por esse vírus demolidor passe.  

Temos a consciência que a humanidade atravessa uma crise inédita nos seus contornos, a comunidade científica não se entende na procura da sua terapia, ou os Lobbies falam mais alto, tão pouco os economistas e matemáticos acertam nas suas previsões. O Governo comete erros de palmatória: impreparação nas medidas de prevenção – escasseiam materiais de protecção para os profissionais da saúde, os hospitais estão sobrelotados, etc.

Há uma evidente falta de liderança, o barril de pólvora que representam os lares para idosos, deveriam ter planos de contingência, e nada ou quase nada foi feito. As previsões do pico da pandemia são feitas no ar e sem qualquer consistência. Há um desastre comunicacional na informação prestada pelos responsáveis do Ministério da Saúde e do nosso Primeiro Ministro, inclusive negando que houvesse falta de material, pessoal e equipamentos no SNS, quando todos sabemos que não houve planeamento nem orientação por parte dos responsáveis.

Vemos milhares de infectados e de vítimas por todo o mundo, assim como pelo nosso País, e isso obriga-nos a ser mais responsáveis e mais críticos, a tirar ilações do que está a suceder e nos atinge a todos. Muitos dirão que a dimensão da crise não era previsível, pois sim mas no nosso caso de país exemplo para a Europa, que tem um excedente orçamental à custa de cosmética financeira e de desinvestimento na saúde (verdadeiro milagre diz-se!) do ministro Centeno e das suas cativações, como vai ser a seguir?

Como vai ser com as inumeráveis declarações de Layoff, com as falências encapotadas ou não, com os milhares de empregos perdidos, com os pequenos negócios a não aguentar, parados e sem futuro!

Vai haver ajudas, esperamos que sejam para todos sem excepção, mas chegarão?

Quero ser optimista, e no caso particular da Tauromaquia, que também por via das limitações impostas pelo Estado de Emergência decretado, teve que parar com os consequentes prejuízos devido a não gerarem receitas através das praças de toiros/corridas, com as ganadarias a não conseguirem vender os seus toiros. Com os empresários, toureiros, cavaleiros e todos aqueles que trabalham no mundo do toiro, inactivos e sem rendimentos para subsistir, como vai ser?

Esperemos que impere o bom senso, e as ajudas preconizadas abranjam igualmente o universo taurino.

Como decorre do pacote de medidas aprovado no âmbito do já referido Estado de Emergência, no seu ponto 2 – 2.1 – que implica o encerramento de “Praças, locais e instalações tauromáquicas”, fácil é constatar que a tauromaquia é considerada como um bem cultural, o que equivale a dizer que devem ser considerados os apoios a atribuir a esta arte e a todos os que exercem o seu trabalho no mundo do toiro.

Paralelamente a esta situação de crise e para lhe fazer face de forma resiliente, muitos profissionais do toureio, as suas organizações representativas ajudam activamente (ex: Praça de las Ventas cedendo todo o equipamento e material sanitário da sua enfermaria, ou a Praça do Campo Pequeno cedendo o espaço para nele se instalar um possível hospital de campanha, etc.) e estão sendo postos á disposição dos hospitais no combate ao COVID-19.

Basta ver nomes como El Juli, Román Collado, Álvaro Lorenzo e muitos mais, em campanhas de angariação de fundos, destinados á compra dos equipamentos e material sanitário que tanta falta fazem.

É a ajuda solidária que o universo taurino quer prestar a toda a comunidade que sofre!

E para já impõem-se duas perguntas pertinentes:

Nesta situação de aflição para toda a população mundial, onde está a voz contestatária e que deveria ser solidária neste momento? Daquela Greta que acusava o mundo pelo desastre ambiental? Se calhar está a hibernar com medo, e agora simplesmente desapareceu!

E os milhões? Os que são anualmente canalizados pela indústria animalista, através de figuras públicas, fundações e organizações ditas filantrópicas, para os partidos e organizações anti-taurinos, com a única finalidade de atacar e eliminar tudo o que seja arte e cultura tauromáquica? O que fazem para preservar a vida humana, ou será que não importamos?

É nos momentos de crise que aparecem os verdadeiros líderes! Nós, no mundo taurino, não temos medo de enfrentar as piores corridas porque como alguém disse: “piores cornadas dá a vida”.

Há muitos aficionados taurinos, como médicos de profissão, enfermeiros e restantes profissionais de saúde, que estão na linha da frente combatendo a pandemia; extenuados, isolados das suas famílias, mas sempre ao lado dos doentes, com aquela teimosia valente de quem quer salvar vidas.

Para eles deve ir o nosso reconhecimento e a nossa solidariedade, porque apesar das reticências de alguns profissionais do mediatismo e do protagonismo (leia-se, governantes) da nossa praça (que não de toiros), eles sim são os verdadeiros protagonistas e os verdadeiros heróis.

Nós como taurinos solidários com toda a população, e com eles especialmente, tal facto enche-nos de orgulho!

Termino afirmando que: como o toureiro que ressurge após uma cornada, também nós, que respeitamos o toiro (leia-se: vírus!) vamos levantar-nos, porque nada nos vergará!

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