Nem a Moita foi excepção….

Ora caros leitores, cá estou para mais um artigo, para o site de eleição dos verdadeiros aficionados taurinos.

Esta semana será como não podia deixar sobre a tão falada, a primeira a ser anunciada para a nova época, a primeira da temporada do empresário do ano 2016 na “sua” nova “conquista”, exatamente sobre a corrida mista da Moita do passado dia 27 de Maio. Será a opinião, de quem não entrou com convite, será a opinião nua e crua de quem não tirou fotos para a VIP, será a opinião de quem esteve nos últimos lugares da bancada junto aos aficionados que fazem os tais sacrifícios ao longo da temporada para irem a corridas de toiros.

Esta corrida fez correr muita tinta, e gerar grande expectativa a partir do momento em que o sr. Rafael Vilhais em meados de Janeiro apresentou o cartel para esta corrida, um estrondoso Mano-a-Mano misto nunca antes visto entre Diego Ventura e Roca Rey. Sendo na Praça da Moita, integrada na feira de Maio, e tendo a organização do empresário taurino do ano 2016, que mais se podia esperar que casa cheia e a corrida de toiros do ano não é? Pois…

Realmente na Moita a afición é diferente, o espirito é outro, e para quem nunca tinha ido a uma corrida á Moita esse espirito contagia.

Diego Ventura, ao contrário de em Estremoz, mostrou grande entrega e grande vontade, mostrou o cheirinho de “El Furacão” no último que lidou e o “Sueño” e “Roneo” novamente a colocarem a bancada ao rubro. Diego tentou de tudo para tirar o máximo dos toiros, mas não deu para mais. Houve mais touros que na corrida que enumerei em cima (pior era impossível), mas mesmo assim é pouco touro.

Ao contrário de outras vezes que me desloco para ir ver Ventura, Rouxinol, etc…; desta vez o que me fez ir á até á Moita foi Roca Rey. Tem estado em alta lá fora, e quem já o viu diz que é grande toureiro. Bem eu adorei o Roca Rey, apesar de ter atrasado a corrida em 30 minutos; e ter tido apenas um touro digno desse nome. Posso dizer que adorei imenso a qualidade, o risco, a emoção que ele coloca nas suas lides. Claramente se conseguir quero vê-lo novamente mas em Espanha, porque pelo que vi, se tivesse que matar nos dois primeiros não o faria á primeira.

Em resumo foi uma corrida razoável ninguém saiu deslumbrado com ela; mas também não será das piores da temporada, mas esperava-se bem mais.

Pois é, e perante a expectativa, o cartel, a praça, devia terminar aqui a visão de bancada da Moita, mas infelizmente mais uma vez esteve abaixo das expectativas da maior parte. E porquê?

Começamos pelo início, esperava mais público, tudo bem que a praça leva mais de 5000 pessoas, e mesmo assim estavam lá dentro 4000 pessoas mais coisa menos coisa, o que em muitas praças era excelente, mas para a Moita e para a corrida que era ficou abaixo do que ia á espera, será que Ventura já não leva tanta gente? Será que os preços (caros) voltaram a afastar pessoas?…. Algo me diz que não foi isto mas já lá vamos.

Depois disto tudo esperava mais da organização, uma corrida começar com trinta minutos de atraso, é inadmissível. Sim o Roca Rey, esteve em Cáceres á tarde, veio de helicóptero e supostamente não pode aterrar no heliporto da Moita e teve que ir aterrar a Évora vejam bem. Não sei que licenças são necessárias acredito que muitas e que sejam complicadas, mas a organização devia ter previsto isto, e arranjar um plano B, com bases aéreas no Montijo, Alcochete, Alverca, ter de ir para Évora? Pois não percebo, mas sem dúvida que começar com trinta minutos de atraso não é algo que se admita. Parece que agora é moda toureiros chegarem de helicóptero, mas ao menos Roca Rey veio ás cortesias como os regulamentos mandam, e só por isso se consegue entender um pouco aquele atraso.

Outra desilusão na Moita, ou caso para dizer mais do mesmo, foi o essencial que novamente não apareceu por lá, os touros. E enquanto uns preferem continuar a assobiar para o lado, a dizer que está tudo bem, e que os touros são o que são; há outros que pagam bilhetes e cada vez saem mais desiludidos das praças e a sentirem-se enganados, saindo a dizer: “um curro de borregos aqui na Moita não pode ser”;  como houve um senhor que me disse no fim da corrida

Na Moita não me senti enganado, acho que o Sr. Rafael Vilhais escolheu os toiros que achou que se enquadravam, e ilibo a empresa desta vez porque é apanágio deste empresário apresentar bons curros nas suas corridas, e para esta pensou que escolheu bem, mas tirando o segundo toiro de (Maria Guiomar Moura) e o primeiro toiro para Lide a pé (Juan Domecq), o resto foi mais do mesmo, e isto começa a preocupar-me e muito, porque não aparece solução. E quando á pouco em cima perguntei o motivo de a praça não encher, está aqui o motivo, as pessoas sentem cada vez mais que lá dentro não vai haver touros que transmitam perigo, emoção, touros que marrem, o que devia ser obrigatório na festa brava; talvez sintam que se calhar, deviam começar a ir outras ganadarias, com touros a sérios e que andam arredados de muitas praças, ou sentem-se enganados por muitos toureiros vetarem certas ganadarias? Não sei mesmo se não será por aí. As pessoas que pagam bilhetes, sentem-se enganadas, e na dúvida não vão isso é mais que visto. Podem dizer, “não se sabe o que são os touros quando vão para a praça, são como os melões”; sim também, mas em todas corridas os “melões” não serem bons, acho que não é coincidência ou azar.

Algo se passa na festa brava, e por muitos que queiram continuar a assobiar para o lado, e a dizer que é “internamente” que as coisas tem de ser faladas, o que é certo, é que quando estão reunidos “internamente” estes problemas não são nem sequer puxados, assim nem os anti taurinos, nem o PAN precisarão de fazer algo porque qualquer dia…. Mas isto sou eu, que cada vez acho mais que sou eu que estou errado, e o errado é que é o certo. Se calhar tenho que começar a ir a menos corridas, visto que estou errado…

Foi mais uma visão e uma opinião de quem vê as corridas isentamente, e pagando bilhete, e como ouvi na Moita “Deveria haver mais aficionados como aquele que escreve para o toureio, de certeza que teríamos uma festa brava melhor e touros a sério, e não favores de barreira”, isto dito por alguém na bancada.

Para terminar, a Faena Musical Musical desta semana é:

Ecos de Aragón – J. Silano

Não há muito a dizer sobre este pasodoble espanhol. É um pasodoble pouco taurino em alguns momentos, tanto que as vezes que é ouvido, é normalmente nas voltas á arena nas finais de lide. É um pasodoble pouco ouvido em algumas praças, a meu ver pelo facto de ser um pouco “agressivo” para as trompetes tendo muita nota aguda, e também de ser um pasodoble mais de concerto.

O autor quis transmitir com a música, os Ecos da província de Aragão (Aragón). Aragão é uma província autónoma no norte Espanha junto á fronteira com a França.

Um grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima semana, ouçam os pasodobles, e boas corridas!!

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