O canto do cisne da Tauromaquia (?)

António tereno

Tinha pensado falar dos indultos nas praças de toiros, tão generosamente concedidos no ano transacto, da sua razão ou não, mas temas mais candentes levam-me a deixá-lo para um próximo artigo.

Vamos ser claros, vivemos num País do faz de conta!

Sentimos que a segurança, a vivência democrática e a paz em que temos vivido em Portugal estão em perigo, vemos tempos de intolerância no horizonte, com governantes divorciados da realidade, com compadrios e corrupção a ameaçar-nos, atingindo quem nos deveria defender, continua-se a injectar dinheiro nos bancos em vez de os penalizar, a saúde está uma desgraça e ninguém é responsável, vemos a divida pública subir assustadoramente, entre outros problemas.

Sinais evidentes de degradação social que nos deveriam preocupar seriamente, mas claro que para quem governa o problema é apenas a tauromaquia, somos sempre o mau da fita!

Então e os políticos/ deputados que tanto diziam gostar do mundo do toiro, que tanto se afirmavam taurinos, que ganharam protagonismo á custa desta cultura, onde estavam no Dia da Tauromaquia?

Se calhar estavam envergonhados por terem votado a subida do IVA das touradas, obedecendo á ordem do Chefe do Governo, que nunca tinha perdoado o deslize que os mesmos tinham cometido no ano passado, verticalidade, onde paras?

Honra a homens que deram a cara e disseram presente, como Manuel Alegre, João Soares, ou Elísio Summavielle entre outros, por sinal socialistas, mas homens de palavra e de convicções bem firmes.

Não queremos que o Dia da Tauromaquia tenha sido o “Canto do Cisne” do Campo Pequeno, e por arrastamento da nossa tauromaquia.

Depois da comunhão que foi este dia épico, em que aficionados, toureiros, cavaleiros, forcados e demais agentes da Festa juntamente com as famílias, com os jovens e as crianças que são futuro da arte tauromáquica em Portugal, se deram as mãos e viveram uma jornada empolgante, cheia de vivências e sentimentos á flor da pele, de sensações de pertença a esta arte e a esta cultura que nos une, maior é a responsabilidade de todos nós, assume uma grandeza incomparável e obriga-nos a deixar para trás o marasmo que nos tem manietado.

A partir daqui a não podemos ficar á espera da compreensão daqueles que simplesmente querem acabar connosco, o seu fanatismo não tem remédio, e o respeito pelas diferenças culturais não é apanágio desta gente.

Deixemos de ter ilusões, temos que defender o Campo Pequeno, enquanto capital do toureio, praça emblemática e património cultural de todos nós, que amamos a Festa de Toiros. Que diriam aqueles que a construíram, que opinariam aqueles que a reabilitaram embelezando-a e convertendo-a cada vez mais no pólo aglutinador do universo taurino nacional?

Todos os que por lá passaram, que viveram tardes de tragédia, ou de glória, merecem o nosso respeito e o nosso compromisso de que tudo vamos fazer para que não desapareça este símbolo de união entre todos os que gostam da Festa de toiros.

A Federação Portuguesa de Tauromaquia – PRÓTOIRO, enquanto entidade que coordena todos os agentes da Festa, tem que arregaçar as mangas, e gizar uma estratégia que permita ultrapassar este impasse na primeira praça de toiros do País. Tem que questionar o Poder, recorrer às instâncias judiciais, e junto á Assembleia da Republica, fazer valer o nosso direito de usufruir da cultura tauromáquica consagrada na nossa Constituição, senão onde param a democracia e os valores que nós cultivamos?

O mundo taurino conseguiu uma importante vitória, não foi aqui, mas sim no Peru, onde o Tribunal Constitucional daquele país sul-americano, perante acções de movimentos antitaurinos, mas com a devida resposta do mundo taurino local, decidiu que a tauromaquia era uma cultura a preservar, e como bem o afirmou o prémio Nobel da Literatura Mário Vargas Llosa: “Hay que celebrarlo no como un episodio local, sino como una victoria de la democracia y de la libertad contra sus tradicionales enemigos”.

E, nós por cá?

Tudo bem?

Se calhar devíamos já ter assumido posições frontais em defesa do que é nosso, se calhar já nos devíamos ter manifestado, ou aproveitado o grande Dia da Tauromaquia passado, e ter feito circular entre as milhares de pessoas presentes, uma Petição a pedir que o Presidente da Republica, o “homem dos afectos”, para algumas coisas que não para o nosso mundo taurino, também nos defendesse como parte integrante da cultura deste País!

Enfim tanta coisa que poderia já ter sido feita, e o muito que nos falta ainda fazer!

Nós estamos aqui, prontos para o combate!

P.S. – Soube agora que, hoje 04 de Março de 2020, foi lançado o concurso para a realização de corridas de toiros no Campo Pequeno e, muito no ar deixo algumas considerações:

– Não será o princípio do fim?

– Tenha-se em conta o número diminuto de corridas a efectuar (menos de metade que em 2019), e a imposição de datas pela empresa Plateia Colossal – Unipessoal, Lda.

– O exagerado custo do Concurso Público, e o início tardio da temporada, entre outros condicionantes.