O Futuro e a Esperança…

Vou hoje escrever-vos do que vai sendo a tauromaquia por estes tempos de pandemia (que nunca mais passa) e da palavra mágica: Esperança!

Face à maldita pandemia da COVID-19 que nos tirou o princípio da época tauromáquica e, quem sabe, nos tirará grande parte do resto da mesma, têm sido aventados os mais diversos cenários para fazer face à escassez de espectáculos e, bem assim, aos problemas económicos e artísticos que vamos tendo. Os cenários propostos, ao que parece, iam desde corridas à porta fechada transmitidas pela internet ou outro figurino mais razoável, que seria as praças preenchidas com espectadores que respeitassem as distâncias impostas entre eles. Mesmo assim, afigura-se de difícil execução, contudo, é possível dado que todas as praças têm lugares marcados e se forem utilizados os mesmos critérios que estão a ser utilizados nos cinemas ou nos espectáculos tauromáquicos em Espanha, é possível termos corridas de toiros.

Outra coisa é a viabilidade de tais espectáculos. Se os toiros custarem o que normalmente custam e os toureiros cobrarem o que normalmente cobram, os espectadores não vão pagar o que normalmente pagam, mas sim um bom bocado mais.

Se calhar, se quisermos ter corridas de toiros em moldes parecidos com os que tínhamos na situação normal todos temos que ceder um pouco.

É provável que os senhores ganadeiros prefiram ver o seu efectivo lidado mesmo que com um pouco (?) menos de lucro, os cabeças de cartaz também não verão os seus cachés tão bem pagos, mas será melhor que manter os cavalos fechados sem lucrar nada com isso e os matadores poderão rodar em condições diferentes do que se não houvesse espectáculos e os forcados pegarão noutras condições que não as dos tentadeiros e, assim sendo, também os aficionados seriam parte na repartição dos custos e veriam corridas de toiros o que não impediria que as transmitissem também na internet minimizando assim, os custos de todos os intervenientes.

Todos sabemos que este ano não teremos as condições ideais, mas teremos as possíveis e estas serão melhores que as impossíveis.

Ouvi com atenção a entrevista que Nuno Pardal, presidente da associação nacional de toureiros, deu ao Toureio.pt e fiquei esperançado que o futuro pode ser melhor do que em princípio se perspectivava.

Recomendo vivamente que se ouça a referida entrevista para que se não digam coisas inexactas e que podem desvirtuar o trabalho de quem tem lutado pela Festa dos toiros.

Há gente com visão e esperança no futuro e com olhares que nos trazem outros matizes que não só uma visão a preto e branco. Temos que ter a serenidade de saber escolher o nosso futuro, coisa que acontece poucas vezes, e lutar por ele. Os aficionados, se acreditarem nas propostas que lhes são apresentadas, ajudarão a lutar por elas até ao fim. Estas devem ser apresentadas sem “vanguardismos” estéreis e sem alardes sabichões. Esses já mostraram que não servem de nada.

Todos nós estamos ávidos da nossa festa, queremos ter toiros para ver mas não a qualquer preço, esperemos as directivas que, mais dia, menos dia, sairão e lidaremos com elas se nos servirem, ou então lutaremos pelo futuro da Festa Brava sempre com a força da nossa Festa e das nossas tradições identitárias sem deixar que mais ninguém, com fins inconfessáveis, cavalgue o nosso corcel. Há oportunistas em todo o lado, gente que só ouve falar em corridas de toiros quando lhes serve para angariar votos, já foi assim e continua a ser, é preciso separar o trigo do joio, quem vier para nos ajudar será bem-vindo, quem vier para nos saltar para as costas brandindo uma qualquer bandeira, não obrigado. Desses estamos cheios.

Sabemos ir pelos nossos pés e com a nossa gente, não precisamos de arautos nem de gente que descobre a pólvora em cada curva do caminho.

Venha o futuro que nós estamos de braços abertos para o receber, assim sirva os interesses taurinos. Esperança não nos falta!