O Porto não é a Póvoa, Albufeira não é Montemor. O financiamento público ao sector taurino

Antes de mais, e apelando à vossa paciência para este meu primeiro artigo, agradecer ao Hugo Calado pelo convite para colaborar com o Toureio.pt, deixando a promessa de tentar corresponder às expectativas num espaço de referência como é o que aqui tem vindo a criar e tentando dar a visão de alguém com poucos anos de vida, mas com muitos anos de festa, embora com mais participação directa desde há pouco tempo.

Efectivamente tenho pouco tempo de participação directa na festa brava, que tenho de agradecer ao António Lúcio, deixando desde já a porta aberta a que me apontem erros técnicos ou históricos que certamente irei cometer ao longo dos tempos, sem maldade, com ingenuidade.

Feita esta declaração de interesses inicial, e porque isto da festa brava tem muito que se lhe diga, planeei o inicio desta minha colaboração com uma série de artigos sobre aquilo que no meu entender deve ser a orientação estratégica do sector para se defender dos ataques, cada vez mais frequentes, que tem vindo a sofrer. No entanto e porque a actualidade assim o exige, e embora não fugindo muito ao tema, vou abordar a mais recente votação do Parlamento Europeu sobre o fim dos apoios financeiros à criação de toiros de lide.

Em primeiro lugar e como o próprio deputado do PAN disse esta é uma proibição que se aplica única e exclusivamente aos toiros de morte, situação que em Portugal se regista apenas em Barrancos. Ainda assim e porque o caminho começa a ser claro, é essencial que na minha opinião se discuta um aspecto.

O Parlamento Europeu, bem como a nossa Assembleia da Republica tem todo o direito em discutir o financiamento publico global ao sector tauromáquico, assim como a outros sectores. Há claro, a vertente empresarial, onde o ideal é que ninguém dependa de subsidios públicos, mas há também a vertente agricola e da manutenção de uma espécie que é o toiro de lide, onde aí as decisões mais recentes já podem ser debatidas.  

Ainda assim, a questão do financiamento público do sector tauromáquico é de dificil análise de um ponto de vista global, devendo respeitar as particularidades regionais, sendo por isso o ideal que fosse dada margem às autarquias para decidirem ou não os apoios a dar sem interferência do estado central.

Isto porque, se por exemplo, na Câmara Municipal de Albufeira provavelmente não faz muito sentido existir apoio público a uma corrida de toiros ou a uma festa taurina, por outro lado, na Câmara Municipal de Coruche, ou de Montemor, ou de Vila Franca, fará todo o sentido, porque é pela vertente taurina que o turismo é impulsionado nestes municipios.

Esta avaliação deve assim ser efectuada pelas autarquias e pelos respectivos candidatos às câmaras municipais, sabendo eu, enquanto aficionado que se candidato x garante ser pró-taurino e aproveitar o sector como uma mais valia turistica para o municipio isso constitui um motivo a ter em conta no momento do voto.

Deve assim o estado central (Assembleia da Republica, mas também Parlamento Europeu), deixar nas mãos das Câmaras Municipais a decisão do apoio público ou não ao sector taurino, até porque uma autarquia do Bloco de Esquerda no coração do Ribatejo acredito que possa ser pró-taurina, assim como uma autarquia CDS num grande centro urbano possa não o ser. O Porto não é Lisboa, assim como Montemor não é Albufeira ou como o Porto não é a Póvoa do Varzim, ou como nenhuma destas é Barrancos.

A vontade de apoiar ou não o sector taurino deve caber às populações e são as câmaras municipais que estão mais perto destas para analisar a importância desse investimento. Nós, os aficionados devemos aceitar opiniões contrárias, ou propostas contrárias, não podemos é aceitar que em Bruxelas ou em Lisboa se diga que para Montemor, ou para Coruche, ou para Vila Franca o investimento taurino deve ser proíbido. 

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