O testemunho de uma aficionada doente oncológica à tomada de posição da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Depois da Liga Portuguesa Contra o Cancro se ter demarcado de um espetáculos taurino que se iria realizar nos açores em seu benefício, a redação do Toureio.pt recebeu um testemunho na primeira pessoa de uma doente oncológica e aficionada, nomeadamente a esposa do conhecido taurino Francisco Penedo.

Um testemunho que decidimos transcrever na íntegra:

Respeito os animais, racionais e irracionais, enquanto organismos vivos!

Toda a minha vida vivi no campo rodeada por animais (cavalos, cães, gatos, burros, ovelhas, etc).

Sou Engª de Produção Animal de formação.

Dou aulas numa Escola Agrícola, onde tive e tenho como alunos, pessoas que hoje em dia são cavaleiros, forcados, ganadeiros, etc., de uma ou outra forma ligados à Festa Brava!

Sempre fui aficionada, desde que me conheço, a inauguração da temporada era marcada pela Corrida de Toiros no Domingo de Páscoa, no Campo Pequeno, onde acompanhava os meus Pais e demais família.

Sempre que possível ia à Garraiada Académica da Escola Superior de Medicina Veterinária, e, nos meus tempos de Faculdade não perdia esses eventos também desenvolvidos pela Escola Superior Agrária de Santarém.

Sou esposa de Francisco Penedo, que foi apoderado da cavaleira Ana Batista, do cavaleiro António Maria Brito Paes, e, hoje em dia dos cavaleiros Luís Rouxinol e Luís Rouxinol Jr..

Tenho como amigas verdadeiras, várias pessoas do mundo taurino nacional.

Em 2011 foi-me diagnosticado cancro da mama, e no espaço de 14 dias, fui operada duas vezes!

Durante 2012, fiz tratamentos de quimioterapia e radioterapia.

Neste período menos bom da minha vida, todos os profissionais de saúde me disseram que a força interior era meio caminho andado para a cura; deveria sair de casa, distrair-me, estar enfim com quem me acarinhava e apoiava.

Sempre senti carinho destas gentes da Festa!

Fui brindada com algumas Lides e Pegas,por pessoas maravilhosas, ricas em princípios e respeito pelas tradições Portucalenses!

Recentemente a minha mãe foi também intervencionada a nível da mesma enfermidade, ela também uma grande aficionada!

Quando tive conhecimento que a Liga Portuguesa Contra o Cancro é contra as Corridas de Toiros, fiquei abismada!

Não só pela forma como sempre a Festa Brava contribui para várias instituições humanitárias, incluindo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, mas também  porque foi aí que encontrei, numa altura mais debilitada, uma ambiência calorosa.

Creio que não é possível por lei, que uma “Liga”, seja ela do que for, se possa pronunciar como se falasse por todas as pessoas que abrange, pois num regime democrático, teria que ser a moção levada a votação, e nem que tivesse em “milhões”, 1 único voto contra, teria que ficar bem claro que tinha sido aprovada por maioria e não por unanimidade!

Duvido que só eu seja contra esta afirmação!

Sou e continuarei a ser aficionada!   

 Elsa Melo Penedo”

 

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