Onde pára a democracia?

Vi há dias a apresentação do projecto: “Gira de Reconstrucción: volvemos para crecer ”, que pretende ser de longo prazo neste tempo de pandemia, cresce a ilusão e a esperança no futuro da tauromaquia em Espanha.

Conjugaram-se esforços, esbateram-se diferenças e deu-se o arranque.

É assim que se faz a tauromaquia, que se vive e se perpetua esta arte que nos apaixona!

O acordo alcançado por ganadeiros, toureiros, empresários e sob a égide da FT L- Fundación Toro de Lidia, e com o inestimável apoio do Canal Toros da Movistar Plus, permite a realização de 21 festejos taurinos, a serem transmitidos pela televisão.

Assisti à primeira corrida da “Gira”, que teve lugar na cidade de Cabra/Córdoba, louvo o esforço, a vontade de ressurgir, de não deixar morrer, imagino o difícil que terá sido conseguir juntar no mesmo desiderato organismos tão diferentes ainda que prosseguindo um objectivo comum: não deixar morrer a tauromaquia.

Esta iniciativa está a dar o grande impulso, o tão necessário passo solidário para ajudar os profissionais do toureio que já passam necessidades no País vizinho, e que representam um balão de oxigénio para a tauromaquia.

Dignos de exemplo também os canais autonómicos de TV: o Canal Sur; O Canal Extremadura e o Castilla la Mancha Media, que continuam a fazer transmissões directas e a promover os espectáculos tauromáquicos.

E por cá?

Temos usufruído de corridas trabalhadas por voluntariosos empresários, com o apoio de ganadeiros , toureiros/ cavaleiros, e forcados. Juntaram-se esforços e tem-se conseguido verdadeiros milagres, tendo em conta as apertadas restrições à assistência do público, que é quem paga.

Ninguém pode acusar os taurinos de não terem cumprido as normas de segurança vigentes, e impostas pelo Governo devido, ou a pretexto da pandemia.

Nós temos sido os mais cumpridores, enquanto paralelamente assistimos a todo o tipo de ajuntamentos permitidos pelo menos tacitamente pela DGS (Direcção Geral de Saúde), leia-se: manifestações/ concentrações de todo o tipo; festas ilegais, etc.

Presumimos que num Estado de Direito, as decisões teriam que ser para todos, não devem ser selectivas sob pena de pouco terem de democráticas. Não dá para entender, ou então será que com o manto diáfano da capa política tudo pode ser permitido?

Haja coerência, e aplique-se a lei por igual a todos!

Felizmente a tauromaquia portuguesa parece dar sinais de vitalidade, e apesar de responsavelmente não se terem efectuado as tradicionais feiras do calendário, as corridas de toiros continuaram a marcar presença no panorama taurino nacional.

Várias tiveram lugar, Santarém foi praça cheia, Chamusca, Azambuja, Vila Franca de Xira e outras despontam no horizonte, bom sinal!

Muita carolice, muito amor á causa é evidente. Falta alguma organização neste tempo de crise, mas a mesma é suprida pelo entusiasmo com que se projectam e realizam os sucessivos festejos, a afición agradece!

Pois, mas neste momento em que a transmissão da última tourada liderou as audiências na RTP, quem não devia, continua a aproveitar o espaço de antena para veicular opiniões pessoais e ódio contra esta arte (sim porque se aproveitam dos cargos). Refiro-me evidentemente ao Provedor do Telespectador, Jorge Wemans, que sem qualquer pudor e respeito pelo cargo que exerce, manifesta a sua própria opinião tendenciosa, numa televisão que é pública, e apenas tenta dividir os portugueses, afirmando: “Espero que a tourada transmitida este ano tenha sido a última e que para o ano deixe de haver transmissões destas na RTP”!

Que espera a PRÓTOIRO para avançar com uma queixa a quem de direito, e uma Petição Pública para corrigir esta anomalia, impensável num regime democrático, em que este “senhor” quer impor a sua opinião através de um canal público de TV pago por nós, por todos os contribuintes?

Onde pára a Democracia?