Quarta-feira, Janeiro 21, 2026
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Ourique, mais uma data?

Batalha de Ourique foi travada numa das incursões que os cristãos faziam em terra de mouros. Nela se defrontaram as tropas cristãs, comandadas por D. Afonso Henriques, e as muçulmanas, em número bastante maior. Inesperadamente, um exército mouro saiu-lhes ao encontro e, apesar da inferioridade numérica, os cristãos venceram. A vitória cristã foi tamanha que D. Afonso Henriques resolveu autoproclamar-se Rei de Portugal (ou foi aclamado pelas suas tropas ainda no campo de batalha). Se for permitida a analogia, a história faz lembrar a atual guerra entre taurinos (cristãos) e antis (mouros).

Oxalá que se repita, pois também nesta luta, Ourique poderá ter sido uma vitória para esta guerra, pois o contributo e empenho na promoção da festa brava no concelho de Ourique, dados pelo  Comandante Eduardo Guerreiro (alvo de homenagem póstuma no inicio do espetáculo)  ficarão definitivamente assinalados se este festival, a favor da sua Corporação, se mantiver para o futuro. Julgamos existir condições para tal, pois a boa moldura humana verificada disso é sinal. Não esquecer que as horas e dias anteriores foram de invernia, as previsões climatéricas não eram as mais favoráveis e muito publico não arriscou uma ida em vão (do ponto de vista taurino) a Ourique. Também o muito publico não pagante, que aproveitou a localização privilegiada de uma barreira contigua à praça, indicia que existe “mercado”. Por ultimo, o bom ambiente e agradável recordação que deixou esta edição, são fatores a levar em linha de conta. Parece-nos que Ourique deu mais uma data à festa brava em Portugal. Se assim for…começa bem a temporada Baixo-Alentejana.

Os novilhos pequenotes mas compostos de carnes e cara enviados pela Quinta de Mata-o-Demo foram bons parceiros de festa. Andaram bem pelo seu caminho, com codicia e vontade de investir no geral. Mais reservado, sem ser mau, o ultimo. Indefinido o segundo. Colaborantes os 1º, 3º e 5º e com classe, som e nobreza o 4º. Êxito ganadero dos Irmãos Carreira.

A cavalo um cartel para o futuro, que mais se tornou com a substituição de Moura pai pelo filho Miguel.

Tito Semedo em ritmo de comodidade, passou as montadas num treino mais sério com o cómodo primeiro. Foi acarinhado por seus paisanos e abriu bem a tarde.

António Brito Paes andou no mesmo registo, de inicio de época, fácil e sem complicar com um oponente que não complicou mas nunca se definiu. Também quase “em casa” foi aplaudido.

Marcos Bastinhas foi o primeiro a chegar ao publico e aquecer a tarde, deu o mote para o resto do festival com uma boa atuação, também em ritmo de ensaio mas com mais sentido artístico e ligação. Está bem montado… veremos o que traz a época 2017 do Elvense…começou bem.

João Telles Jr foi o máximo triunfador do festival. Aproveitou a magnífica “tourinha” que lhe tocou, cuidou o oponente para que a sua escassez de força não toldasse o exito. Muito bem montado, esteve artista, fez tudo bem feito e mostrou placeamento, alegria e maturidade necessária para maiores desafios. Outro que deixou expectativa real para 2017.

Miguel Moura também treinou de forma fácil. Diligente, com facilidade e rotinado entrou bem pela porta da substituição. Bom treino do mas novo do clã.

Rouxinol Jr fechou bem este exitoso festival. Com o mais exigente da tarde esteve acertado na escolha de terrenos e montadas. Com sentido de lide mais apurado, evidenciou tambem mais maturidade dentro da praça. Percebeu-se que se trabalhou muito no inverno e 2017 pode ser a confirmação da esperança Luis André. Triunfo.

Nas pegas uma tarde boa para treinar mais a sério. Apenas o ultimo era mais poderoso e empregou-se mais. Os restantes saíram quando os forcados quiseram, alguns não quiseram e saíram os novilhos de “per sí”, seguiram pelo seu caminho sem fazer mal.

Por Cascais pegaram Luís Barbosa e Joel Carvalheiro ambos à 1ª, corretos e bem ajudados. Pelos Amadores do Redondo pegou João Calado á 3ª tentativa, mal na 1ª, mal ajudado na 2ª e corrigiram todos na 3ª e André Ramalho bem, ele e as ajudas, à 1ª. Pelo Grupo de Beja, estreou-se Paulo Marques (1ª) bem ajudado e Guilherme Santos dobrou com correção numa tentativa rija o jovem José Tiago, que saíra lesionado após tentativa em que as ajudas não foram suficientes para o ímpeto do novilho.

Duas notas finais:

– Estreou-se nesta tarde a acomodação de todas as reses a lidar em curros no interior da praça portátil. Não nos parece que traga valor acrescentado em comodidade e bem estar das reses, sobretudo quando chegar o Verão. Obrigando a mais manobras, aumento de riscos de inutilização e desgaste de animais que se querem o menos “mexidos” possível. Tanto que o sorteio e reconhecimento continuam a ser feitos no camião.

– A organização poderia ter incluido no minuto de silencio inicial a recordação e homenagem a Luis Cruz, tambem ali granjeou amizades e promoveu a festa brava e os cavalos. Vem aí Serpa e Beja, onde de certo tal se fará notar.

Bem-haja a organização por ter levado até ao fim o Festival e até 2018…pela feira do Porco Alentejano!

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