“Palavras levas o vento”…

Há um ditado muito antigo que diz “Palavras leva-as o vento”. Ora tendo em conta que este inverno faltou chuva mas sobrou vento, houve umas palavras que voltaram e outras que foram, e já vão perceber a que me refiro.

Mas antes da ida e volta das palavras, ao ritmo do vento, começo por parabenizar todos os aficionados que em 2017 foram às praças de touros portuguesas, e não foram poucos, pois segundo os dados recentemente lançados pela Inspeção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), o número de espectadores nas praças aumentou substancialmente.

Um aumento com o qual me congratulo, pois é o sinal de que a Festa dos Touros em Portugal está bem viva, apenas tem de ser cuidada. E penso que foi isso que começou a acontecer em 2017: houve um maior cuidado na organização dos espectáculos.

Se em 2017 houve um maior cuidado na organização dos espectáculos, é sinal que os agentes taurinos começaram a entender que os aficionados e o público em geral não são tolos e são quem paga. Logo quem paga tem de ser bem servido, pelo que os espectáculos medíocres foram penalizados e vão cada vez mais sê-lo, porque a vida está cada vez mais cara para todos e o dinheiro tem de ser bem investido. Por falar em dinheiro…bom, deixemos isso para outros artigos. A temporada é longa.

Por isso volto, uma vez mais, a referir que congratulo-me com o aumento da qualidade dos espectáculos e com o aumento do público. Mas não embandeiremos em arco, pois ainda muito há a fazer. Também esta questão ficará para outros…artigos.

E agora vamos ao tema que me leva hoje a escrever este artigo. Confesso que fiquei estupefacto com certas reações de ‘Organismos’ (palavra que pretende dar ar de algo que não é…mas fica bonita) que tentam primar pela verdade, pois é sua função defender a festa dentro e fora deste núcleo, mas sempre com a verdade. Digo eu…

Mas vamos a factos concretos, e depois tiremos as nossas conclusões… Em Janeiro de 2017 a Inspeção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), tal como o fez na ultima semana, divulgou as suas estatísticas da temporada taurina por si regida onde dava conta do número de espectadores. Por acaso e tal como aconteceu este ano, o Toureio.pt foi o primeiro a divulgar esses dados, sendo que passados poucos minutos da publicação, alguns agentes da festa apropriaram-se das redes sociais e foi um ‘Ai Jesus’ que as estatísticas estavam enganadas, outros diziam que aqueles dados não correspondiam a toda a tauromaquia nacional, houve mesmo quem nos dissesse que aquele tipo de noticias por nós publicada só dava força aos anti… E houve ainda a Prótoiro, que fez eco, através do site Touradas, com uma notícia que ainda está online em que dizia “Prótoiro contesta e clarifica dados do IGAC”. Conclusão: Na altura, o mau da fita foi o Toureio.pt, como se tivesse dado eco a mentiras…

Pois bem, como disse no início, “palavras leva-as o vento”, ora o vento veio e levou as palavras de 2017, pois em 2018 as mesmas estatísticas, agora referentes a 2017, foram publicadas, com dados bastante positivos, com um aumento do numero de espectadores e ‘voila’, que agora já está tudo correto, estas estatísticas são as maiores e tudo mais.

Como devem compreender, eu não quero que os agentes taurinos desvalorizem estas estatísticas, pois são dados bastante positivos e que devem ser ecoados, apenas critico a falta de coerência dos vários agentes. E eu pergunto: então o ano passado as estatísticas não correspondiam e este ano já correspondem à verdade? Que dirão as pessoas que visitam o site da Prótoiro e lêem uma notícia a criticar umas estatísticas e depois outra notícia, um ano depois, a enaltecer? A Festa precisa de coerência… Mas precisa de memória…e isso parece existir pouco.

Bem, volto mais uma vez a repetir que congratulo-me com os números apresentados, sim porque sou aficionado e quero que a Festa evolua.

E este meu artigo, espero que sirva para uma reflexão, pois infelizmente na Festa Brava em Portugal, há pouca sensibilidade para olhar para os erros, para estatísticas menos boas, para eventos menos conseguidos e parar para reflectir no que correu mal, o que tem de mudar, em quem pode ajudar a melhorar, onde melhorar, etc. Actualmente na festa o que é menos bom tenta-se abafar ou meter debaixo do tapete, sendo que por outro lado quando há resultados bons, faz-se um grande eco, mas também não se tenta perceber ao certo o que correu bem e se ainda se pode melhorar mais.

E este caso que vos relatei é bem flagrante desta ideia que vos tentei transmitir.

A temporada está ai à porta, espero que voltemos a ter mais público nas praças, espero que voltemos a ter ainda mais qualidade e principalmente que a festa comece de vez a ganhar o fulgor que merece!

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