
Estamos em pleno defeso, altura em que são feitos balanços e se prepara a próxima temporada. Neste sentido o Toureio.pt, tem realizado uma série de entrevistas com vários intervenientes da Tauromaquia portuguesa a fim de compreender como decorreu a temporada que findou e como se prepara a próxima.
Hoje apresentamos-lhe uma entrevista com o novilheiro português João Silva “El Juanito”, este que analisa a sua temporada 2018, falando das suas actuações nas principais arenas de Espanha, dá a conhecer alguns pormenores sobre a sua alternativa e confirma a sua presença já em algumas feiras importantes. Uma entrevista onde ficamos ainda a conhecer um pouco da personalidade deste jovem toureiro alentejano:
Toureio.pt (T) – Chegou ao fim a temporada, que balanço se pode fazer a este ano de 2018 para Juanito?
El Juanito (EJ) – Foi um ano muito positivo, sempre a mais e em que me entreguei a cada tarde e houve triunfos importantes.
T – Podemos dizer que esta temporada foi a de afirmação? Porquê?
EJ – Sim, estou em constante evolução, e a procurar o que quero expressar e este ano em todas as tardes demonstrei e fi-lo.
“Acho que a constância, a entrega, a disciplina, e querer aprender”
T – Este ano pisou as principais arenas de Espanha, nomeadamente Madrid e Sevilha, algo que tem sido difícil para outros portugueses. O que teve de diferente de outros portugueses para ter estas oportunidades todas?
EJ – Acho que a constância, a entrega, a disciplina, e querer aprender e claro evoluir a cada dia sempre com a capacidade de o fazer depois nos animais e dar golpes fortes na mesa todos os dias.
T – Nestas oportunidades que teve, nomeadamente Madrid e Sevilha, deixou boa impressão nos aficionados e houve boa crítica por parte da imprensa, mas faltaram troféus… O que falhou nestas novilhadas?
EJ – Em Sevilha a espada, pinchei os dois novilhos aos que podia cortar orelhas, mesmo assim sendo a novilhada de “Triunfadores de Temporada” triunfei demonstrei, acho, que o dia que tudo se una, vai ser algo grande, e isso ilusiona os aficionados. Em Madrid também dei tudo com um lote sonso e portanto difícil de triunfar em Madrid, mas acho que a dimensão foi muito importante, a atitude e o toureio que quero fazer.
T – Quantos espetáculos realizou este ano? Foi o número projetado de iniciou, superou ou ficou aquém do desejado?
EJ – Foi um número muito positivo para como está a situação das novilhadas. Buscamos a qualidade e a categoria. 20 Festejos, e metade em praças de primeira e segunda.
“O meu objetivo que em todos os lados que toureie as pessoas saiam só a falar de mim.”
T – Dos espetáculos que toureou, qual foi aquele em que se sentiu mais toureiro? Porquê?
EJ – Entreguei-me a cada tarde, fosse onde fosse, é o meu objetivo que em todos os lados que toureie as pessoas saiam só a falar de mim.
T – Qual foi a novilhada que preferia não ter acontecido? Porquê?
EJ – Tourear é o que mais gosto de fazer, cuajar touros e sou feliz assim. Todas as tardes quis que estar e estive a gosto.
T – Relativamente às ganadarias que este ano lidou. Qual foi o novilho que mais o permitiu desfrutar e mostrar o seu toureio? Porquê?
EJ – Acho que as primeiras investidas do meu segundo da Ganadaria do maestro Talavante em Sevilha, pela forma que tinha de acompanhar os voos da muleta, humilhar e transmissão.
T – Este ano venceu também alguns troféus de importância, destaque para o troféu de Arnedo, como se sente ao lhe serem atribuídos estes troféus?
EJ – Contente e feliz, mas sei que só é um passo mais e falta muito até chegar onde quero.
“Para entrar no circuito forte de Espanha, (…) é necessário estar disposto a sofrer injustiças a todos os níveis”
T – Quais são as principais dificuldades que em Espanha os toureiros portugueses encontram? A sorte de matar? Os novilhos/touros? Os empresários? Os outros toureiros? Porquê?
EJ – Acho que cada pessoa e toureiro é um mundo, e para entrar no circuito forte de Espanha, como no meu caso a pé, é necessário estar disposto a sofrer injustiças a todos os níveis, sofrer e saber remontar, ter essa capacidade acho que é o que te faz chegar, pensar e viver 24 horas para o toureio e mentalizar-se que cada dia é uma oportunidade para chamar a atenção. Há que deixar muitos momentos da vida de parte e esperar a recompensa com muito trabalho.
T – Relativamente às suas atuações em Portugal, este ano pouco toureou por cá, porquê?
EJ – Considero que quando as pessoas me vejam em Portugal, querem ver o melhor de mim, o mesmo que estou a fazer em Espanha, é o que esperam, e tenho o compromisso máximo de assim o fazer e para isso têm de haver boas condições a todos os níveis para que o possa fazer e que o público disfrute e só assim o toureio a pé pode voltar á cima. Cada vez que o meu apoderado considere uma proposta adequada e um trato a que isso suceda, de seguro que estarei.
“Se toureei esse festival foi porque a forma de contratação teve a categoria, o trato e a seriedade que se deve”
T – Este ano toureou nas principais praças de Espanha, e curiosamente em Portugal, toureou na Aldeia da Luz, porquê esta discrepância entre Portugal e Espanha?
EJ – Porque assim sucedeu, como expliquei em cima. Eu mantenho-me à margem de contratações, dedico-me a tourear e a melhor e a arrear muito, esse é o meu dever. Confio no meu apoderado e se toureei esse festival foi porque a forma de contratação teve a categoria, o trato e a seriedade que se deve.
T – Se pudesse voltar atrás no tempo, o que mudaria na sua temporada 2018?
EJ – Penso que tudo sucedeu com verdade e resultados. Agora a pensar em 2019.
T – Bem, falando agora da sua temporada 2019, o que se começa a projetar?
EJ – De momento um inverno duro, com muito trabalho e muito por melhorar, quero dar uma grande dimensão logo de princípio de temporada.
T – Já o disse que pretende tomar a alternativa em 2019, já poderá ser numa das arenas que este ano pisou?
EJ – Tudo se saberá a devido momento, confio em quem me rodeia, e que será um dia bonito.
T – E quem poderá ser o Padrinho ou quem deseja que seja?
EJ – Ainda é cedo para saber. Qualquer toureio o figura. Mas penso só em mim e no importante que tem de ser esse dia.
T – E no que respeita à ganadaria?
EJ – Seguramente será uma ganadaria de máxima garantia para poder ser o primeiro triunfo do começo de tudo.
T – Para além da alternativa, já há mais alguma coisa agendada para 2019 que nos possa adiantar?
EJ – Até Maio estarei de novilheiro, aproveitar as primeiras feiras e despedir-me de novilheiro com triunfos nas primeiras feiras da temporada de Olivença, Valencia, Sevilha e Madrid e assim poder tomar a alternativa com força.
T – Relativamente à equipa, que alterações pode haver?
EJ – Entrou este ano como bandarilheiro Felipe Proença “Chamaco”. É a única alteração de momento de resto tudo contínua como estava.
T – E a importância de Joaquin Dominguez na sua carreira?
EJ – Estamos juntos desde o princípio, temos lutado muito juntos passado por momentos muito duros e momentos bonitos, aprendido dos fracassos e crescer com os triunfos, é um mais na minha família e eu na sua, a sua entrega e trabalho comigo têm sido exemplares.
“Gosto de competir com os melhores porque quero e posso ser o melhor”
T – Em 2019 era interessante um mano a mano seu com outro toureiro, com que desejaria fazer um mano-a-mano e porquê?
EJ – Gosto de competir com os melhores porque quero e posso ser o melhor. Qualquer dos companheiros que também tenha triunfado esta temporada seria uma tarde bonita de rivalidade.
T – Falando agora no geral, qual a sua opinião sobre o estado atual da Tauromaquia em Portugal?
EJ – É uma situação difícil que só com a união e a força de cada um de nós pode melhorar e progredir.
Acredito em Portugal e acredito na tauromaquia em Portugal, há grandes aficionados, toureiros e forcados bem como ganadarias e qualquer cada uma das pessoas que contribui para a categoria das corridas.
T – O que falta em Portugal para que o toureio a pé consiga vingar?
EJ – Penso em mim, quero ser essa pessoa, triunfar forte e que os portugueses tenham ilusão por verme.
T – E o estado da Tauromaquia em Espanha?
EJ – É uma potência muito forte o toureio em Espanha, estamos também todos a unir-nos mais e proteger-nos de ataques exteriores, há que agradecer á Fundacion del Toro de Lidia por o grande trabalho que estão a desempenhar.
T – Muitos dizem que não se consegue chegar a matador porque os jogos de bastidores, são muito grandes e há mesmo quem diga que há toureiros a pagar para tourear e outros a oferecer touros para tourear, é mesmo isto que acontece? Qual a sua opinião?
EJ – Prefiro manter-me á margem de essas polémicas e concentrar-me em mim.
T – Em 2019 pensa tomar a alternativa, alguns toureiros espanhóis e também portugueses após tomarem a alternativa “apagaram-se”, como vai fazer para que isso não aconteça consigo?
EJ – Por isso há que triunfar forte de novilheiro e ser muito inconformista e querer sempre mais.
T – João para terminar que mensagem deixa aos leitores do Toureio.pt?
EJ – Que leiam o toureio.pt porque acredito na verdade e no bem-fazer desta web em prol da tauromaquia.
