
Quando há Toiros, Toureiros e Forcados há festa. Pena que o público dê cada vez mais sinais claros de pouca instrução taurina, tal a forma insipiente e fria com que reage ao que se passa na arena, sempre que não exista folclore, saltos, braços no ar e correria. Agridoce pode ser o sabor que caracterize a Corrida Ovibeja 2015, pelo atras exposto.
Um curro bem apresentado, com muita transmissão, motor, raça, codicía, sem maldade, fiero e a exigir, sem querenças. Um trio de toureiros distintos, com distintos recursos, mas que nunca virou cara ás circunstancias, nunca tentou malabarismos para enganar o “pagante” e chegou mesmo a momentos de acesa e saudável competição, sempre com muita sobriedade e bom-senso. Três Grupos de Forcados que tiveram que se aprumar depois de uma primeira parte de inadaptação a TOIROS, ao invés dos “toirecos” que predominam nas temporadas dos Forcados atuais. Moral da história: Uma corrida “à séria”, para apreciadores, porque houve Toiros!!
Sobre o curro de Passanha Sobral já dissemos o essencial. Grande nota no global, com os 1º, 2º, 5º e 6º (este menos exuberante) a serem os de maior destaque, o 3º mais reservado e com sentido e o 4º nobre mas diminuído. Triunfou com muita força na apresentação na Praça da sua terra, com uma corrida completa, e manteve o hábito das ultimas corridas completas que saíram (muito curta camada em cada ano): Chamada, justa, do ganadeiro à Praça!
A cavalo uma tarde interessante no registo de cada interveniente. Tito Semedo lidou o belíssimo 1º em tom de correção, com aprumo e maturidade de “toureiro velho”. Teve sentido de lide e soube sair no momento certo quando o publico já se rendera a uma acuação séria, limpa, ligada e que chegou pela via do respeito ás bancadas. No seu segundo andou mais facilão a cuidar um toiro sem faculdades, com problemas de mobilidade. Mais em curto, deixou a ferragem da ordem com limpeza a "segurar" o oponente. Boa e agradável prestação, assim reconhecida pelo publico.
Rui Fernandes andou laborioso em ambos os toiros. Teve o melhor lote e triunfou com força, está com rodagem e bem montado. Soube conduzir ambas as lides por forma a tirar partido do bom que tinham os seus dois oponentes. Soube ligar-se ao publico e deixar de forma variada a ferragem, com ligação e sentido de lide próprio de que está para arrear e em pleno. Muito bem e triunfante em ambas, com maior ambiente e harmonia perante o magnifico quinto.
Marcos Bastinhas, ainda á procura do ritmo de cruzeiro, respondeu aos companheiros de cartel com raça e profissionalismo e chegou também a bom nível. No primeiro esteve artista e laborioso, contornou um oponente com sentido e a medir que apertava muito, sem malabarismos e com seriedade lidadora. No seu segundo triunfou mais forte, com verdade, sentido de lide e em plano artístico a arrimar-se ao publico com boas execuções, variadas e rematadas com a marca da casa. Foi mais um saudável competidor na tarde.
Apenas dois reparos: Um para a ferragem a silhas passadas em algumas ocasiões, que a todos aconteceu. Numa tarde tão interessante pela positiva, constituiu uma pecha a melhorar e aprumar. Outro para o facto de, não se dar primazia de investida a toiros que deixaram vontade de ver com mais "vento pela proa"…
Nas pegas duas partes distintas. Uma primeira em que houve toiros a mais e forcados a menos. Erraram nas primeiras tentativas os caras (não mandaram nos toiros, sobretudo nas reuniões) e porque eram TOIROS aprenderam e passaram a lutar com outras “ideias”, sobretudo o terceiro. Na segunda parte as melhores execuções e mais acertadas remediaram uma atuação para futuro estudo "caseiro e honesto”, dos três Grupos.
Por S. Manços, João Fortunato à 4ª e de cernelha (numa decisão acertada dadas as condições físicas do toiro) Manuel Vieira e Paulo Gomes à 1º entrada, sem problemas.
Por Cascais, Carlos Dias à 6ª a resolver e Joaquim Faísco à 1ª, numa boa pega e com grave fractura do peróneo direito.
Por Beja, Miguel Sampaio à 5ª a resolver e João Fialho muito bem à 1ª, numa pega tecnicamente perfeita e bonita, como poderia ter sido a maior parte, das da tarde. Se houvesse mais "toreria" em praça por parte dos Forcados de "cara", para aproveitar o brilhantismo que a raça dos Passanha Sobral emprestava.
Direcção acertada de Agostinho Borges, coadjuvado pela Dr.ª Ana Gomes, Dª Ana Narciso enquanto cornetim, embolação e ferragem de Bruno Lopes e abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense uma corrida com meia casa preenchida.