‘Possa, que inglório! Passamos todo o tempo a trabalhar, a comprar gado bom para corrigirmos os cavalos…e outra vez que me calhou a rolha…’, diz Francisco Palha (c/som)

Francisco Palha, cavaleiro português, regressou ontem, 26 de Julho à arena de Salvaterra, na qual sofreu aparatosa colhida e lesão esta temporada.

Após as suas duas lides na XVI Tourada Real, falou ao Toureio.pt e explicou que “é sempre bom regressar, seja a Salvaterra seja a qualquer praça, com esta moldura humana”.

Acrescentou que “não há nada que motive mais um toureiro do que uma casa cheia, não sei se estava esgotada ou não, mas estava cheia e para nós é muito gratificante, e desde já dou os parabéns a todos os aficionados porque este ano têm estado a surpreender tudo e todos, a termos casas cheias e ao fim e ao cabo é isso que faz de nós toureiros”.

Sobre as suas prestações, ontem, disse que “tive dois touros completamente distintos, bastante complicados, porque o primeiro touro não vinha e como não vinha ou se dava o passo para a frente e levávamos uma porrada ou então dávamos o passo atrás e então não deixava, mas vou contente porque agora nesta segunda actuação acho que foi uma actuação muito boa, os cavalos corresponderam, e acho que foi uma corrida boa. Pelo menos as pessoas vão sair daqui contentes com a corrida, uns touros deixam-se mais e outros menos mas para isso é que nós cá estamos para dar a volta. Tenho tido um bocadinho de azar, porque tem-me sempre calhado alguma rolha…mas pronto”.

Sobre o facto de as últimas corridas em que toureou não ter triunfado com lides redondas, como já lhe vimos esta temporada e na anterior, disse que “não tenho tido a sorte de me calharem os touros que me facilitem um bocado, tenho tido touros que me pedem o cartão de cidadão com bastante frequência, sou jovem, falta-me aprender imenso, os cavalos estão em aprendizagem, mesmo o Roncalito, não é fácil muitas vezes em 15 minutos conseguirmos pôr um touro bom. Uma coisa é certa, eu entrego-me! Sairá bem ou sairá mal, mas pelo menos o público sabe que o Francisco Palha vai para se entregar, corra bem ou corra mal, isso o futuro a Deus Nosso Senhor pertence, é Deus que põe tudo, nós é que destruímos tudo e o touro descompõe muitas vezes. Umas vezes compõe uns quadros girísssimos e noutras descompõe tudo e eu infelizmente tenho tido alguns touros que me têm dificultado a vida”.

Até ao momento, esta tem sido “uma temporada de muito crer, até à queda de Salvaterra estava a ter actuações brilhantes. Depois da queda de Salvaterra eu ainda devia estar parado, não estou, mas dou a cara de qualquer maneira, umas vezes com actuações muito boas e outras não tão boas, penso que neste segundo touro é uma actuação muito boa, a do primeiro não foi tão boa porque o touro não o permitia. Falta muita temporada pela frente, falta-me aprender todos os dias e falta-me ter calma para aguentar os maus momentos quando as coisas não me saem, porque por exemplo no final do primeiro touro fui para a cocheira lixado da vida e a pensar ‘Possa, que inglório! Passamos todo o tempo a trabalhar, a comprar gado bom para corrigirmos os cavalos…e outra vez que me calhou a rolha…’. Mas isto é mesmo assim, por vezes inglório, por isso é que isto é a profissão mais gira e difícil do mundo”, rematou.

 

 

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