Quinta-feira, Agosto 11, 2022
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Quando há o essencial, tudo sai a ganhar

Como diz o fado “Montemor é praça cheia”, no passado sábado resolvi abdicar um pouco do meu descanso e resolvi deslocar-me até Montemor – o – Novo, para assistir á corrida de toiros. Não era um cartel estrondoso, não tinha preços escandalosos; mas tinha o indispensável, pelo menos anunciado, tinha um curro de toiros, ui, ui… mas já lá vamos.

Eu já alguns anos que não ia a Montemor a corridas, e realmente o espirito que se vive no pré-corrida tem algo de especial, sentem o momento, falam do assunto do que esperam lá dentro, etc… E com isto acrescido esperava que a letra do fado fosse concretizada, mas infelizmente não foi praça cheia. Não sei se foi por o cartel não ser tão sonante como outros que por lá tem ido, se foi pela substituição de Jacobo Botero, se foi por “ressaca” do evento que ali aconteceu neste fim-de-semana, não sei realmente, e até as próprias pessoas que estavam ao meu lado e amigos que encontrei me disseram que não esperavam meia casa, mas quem não foi arrependeu-se certamente.

Passamos então á corrida, em praça tínhamos Luís Rouxinol, para mim um dos melhor em Portugal, e foi precisamente ele o azarado da tarde. No primeiro toiro após os compridos desembolou-se e teve que ser recolhido, escusado será dizer o que se passou depois de voltar a sair á praça… pois, fechadinho em tábuas. Rouxinol fez o que pode, daí o Sr. Diretor de Corrida ter concedido a volta, mas Rouxinol com humildade não a quis dar. No segundo toiro já conseguiu ser Rouxinol mas teve que suar muito com o toiro.

Filipe Gonçalves o triunfador da tarde, teve os dois melhores toiros, mas esteve muito bem, o “Chanel” ajudando a cravar ferros de arrepiar ao piton contrário, e o “Zidane” deixaram o público deliciado, e certamente com vontade de o voltar a ter tanto em Montemor, como em o voltar a ver em outra praça. Realmente tem excelentes montadas e advinha-se grande temporada.

Salgueiro da Costa tem que trabalhar mais, muito ferro falhado, mas alguns de bom agrado, e a égua princesa, realmente é uma princesa, ainda requer algum trabalho mas tem muita qualidade, temos montada.

Forcados da Terra (Montemor) que não tiveram tarde fácil, nenhuma pega á primeira, e com três pegas duras.

E a forcadagem do grupo de Évora, bem estiveram estrondosos, de realçar que pegaram o atual cabo, e o futuro cabo onde arrancou um “pegão” no último toiro. Tarde para grandes grupos e com qualidade como foi o caso.

E de saudar também o brilhantismo e a postura da Banda de Montemor (Carlista) com que abrilhantou o espetáculo.

Bem mas se metade das pegas não foram á primeira, alguns intervenientes não estiveram bem, como ele estar a dizer que o pessoal que não foi se arrependeu? Ou que o público saiu da praça a gostar?

Pois meus caros, em praça tivemos um curro de toiros estrondoso, não falo só em apresentação, falo em ser toiros a sério. Tivemos 6 touros que não abriram a boca, e correram imenso, touros que dificultaram e muito a vida aos cavaleiros. Touros que transmitiram os tais ingredientes: “emoção”; “suspense”; “medo”, tudo o que devia fazer parte da tauromaquia.

Touros que bateram muito forte nas pegas, e dificultaram muito a vida aos forcados.
Eu destaco o segundo toiro, a mim foi o que mais me encantou; mas entre o segundo, quinto e o último qualquer deles foram estupendos, e para mim o ganadero devia ter sido chamado para a volta nestes três touros. Quando em seis touros muito bons, temos metade que se destacam e no qual o ganadero devia ter sido chamado a dar a volta á praça quererá dizer muito de como foram os toiros, não sei acho eu, Às vezes penso que sou eu que estou mal.

E foi por isto meus caros que digo eu e quem lá esteve que o dinheiro empregue no bilhete (menos que em Estremoz e tive á sombra) foi bem gasto e não saíram defraudados, ou enganados, e isto porquê? Pois, porque houve toiros, e por muito que tentem dizer o contrário, por muito que tragam Diego, Pablo, Moura, Rouxinol, etc, etc… Se não investirem num curro de toiros o público sai a dizer “faltou toiro”; “se soubesse que eram toiros assim não tinha vindo, já não me enganam mais”, entre outras coisas… E foi por ter havido o essencial que o público que esteve em Montemor saiu com um sorriso e com vontade de voltar a ver corridas e esta ganadaria.

Posso dizer que o dinheiro do bilhete e os quilómetros que fiz valeram a pena, vi grandes pegas, vi toureiros a suar para triunfar e vi toiros a sério com média de 540 Kg, e que deixaram toda a gente com água na boca. Não ouvi ninguém a dizer mal dos toiros, quando assim é….

Mas passa o artigo e não diz o nome da ganadaria? Perguntam vocês.. Claro que digo, para os menos atentos, Fernandes Castro, o nome da ganadaria que falei e elogiei atrás, já é um hábito (este dos bons) em Montemor, talvez porque se preze por ter toiros a sério não será?… fica a dúvida.

Fernandes Castro já me tinha surpreendido há dois anos em Évora onde apresentou seis toiros também muito bons, e dentro da mesma linhagem que em Montemor. Deixo aqui o meu agradecimento a esta ganadaria por apresentar touros a sério (infelizmente já se vê pouco), e quem é aficionado e vir cartéis com esta ganadaria, não hesitem, vão que não arrependerão é a minha dica. Antes de terminar, deixo também algumas dúvidas no ar:

Porquê que esta ganadaria vai pouco á principal praça do país?

E o que teria sido o grande mano-a-mano (tão vendido e badalado) de Estremoz com este curro de toiros de Montemor ou esta ganadaria? Sairiam as pessoas a sentirem-se enganadas como saíram? Pois são estas dúvidas tenho e partilho aqui com vocês.

Antes de terminar passemos então á “Faena Musical” desta semana:

Iscar en Fiestas – Eugénio Gomez Garcia

É um pasodoble que é algumas vezes ouvido nas nossas praças, principalmente na volta á arena, talvez por ter um estilo popular de marcha, muito ao estilo espanhol.

Com este tema o autor tenta retratar através do som, com um pasodoble, as festas de Iscar. Começo forte parece que a anunciar o começo da festa, tipo uma alvorada, um chamamento para o que se vai passar. Depois vem uma parte mais calma dá a sensação de ser a parte calma da festas, enquanto o pessoal se desloca para a corrida. De seguida temos uma parte “piana” a expectativa parece ali descrita, e depois repete o mesmo tema já bem mais forte e de uma forma mais apoteótica. Iscar é uma vila na província de Valladolid.

Despeço-me com grande Beijo para as aficionadas, e um grande abraço aficionado para eles.

Até á próxima semana e boas corridas!!!

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