“Respeitamos a festa brava e dentro da realidade que é o nosso concelho não deixamos cair”, diz autarca de Beja na inauguração da Beja Brava (c/fotos)

Inaugurou ontem, 11 de Outubro, a edição deste ano do certame Patrimónios a Sul, em Beja, .

Deste certame faz parte a Beja Brava, que engloba a tauromaquia e que é, socialmente, um tema alvo de polémica.

O presidente da câmara, Paulo Arsénio, em declarações ao Toureio.pt disse, sobre a aposta nesta área, que “não sentimos nenhum tipo de receio, obviamente que há algumas reacções negativas à Beja Brava, isso tem aparecido nas redes sociais e a dizerem para retirar este item da feira. É um assunto que tem estado na ordem do dia, mas se um dia as touradas tiverem que terminar, não sabemos se isso acontecerá no futuro ou não, isso acontecerá com naturalidade. Não se faz por decreto de um presidente, de um governo ou seja lá o que for, não se faz assim. Não é assim que se constrói um país. Esta é uma tradição que deixo ao critério de cada um avaliar se é melhor ou pior, não faço juízo de valor enquanto presidente da câmara, mas efectivamente tem lugar na nossa sociedade”.

Explica que “temos ganadarias importantes no concelho, temos ganadarias no distrito, temos coudelarias no distrito e concelho, temos tauromaquia no concelho e portanto seria muito negativo para a Câmara Municipal de um momento para o outro, só porque isso poderia dar mais ou menos votos, fazermos essa contabilidade e dizermos que este ano a Beja Brava não existe. E mais, a Beja Brava caminha por ela própria, a Câmara coloca lotes em concurso público e aos quais podem concorrer, os vários stands da feira, e a verdade é que na Beja Brava este ano os stands quase duplicaram. E portanto isso demonstra que seria um erro a Câmara Municipal de Beja, esta ou outra, decidisse de um momento para o outro acabar com a Beja Brava num momento em que esta feira se afirma como das maiores do país e das mais bem constituídas em termos de tauromaquia, acabar com ela seria um erro. Não sou eu que digo, são os expositores que o dizem porque reforçaram o número de presenças. Portanto contra isto seria imprudente, seria um erro em toda a dimensão, a Beja Brava tem lugar. Naturalmente que quem não gosta desta arte ou espaço, tem uma coisa a fazer que é a feira tem outros pontos de interesse, não se esgota na Beja Brava. A Beja Brava é um ponto importante, tem espectáculos extraordinários dentro dela, mas quem não aprecia pode visitar outros pontos da feira. E o mesmo se aplica a quem não gosta de caça e pesca, pode evitar esse pavilhão, quem não gosta de Vinhos não visita a Vinipax, mas a Beja Brava faz parte de coração esta feira e de pleno direito”.

Sobre se a festa brava assume a identidade dos locais onde é executada, assume que “eu não tenho dúvidas de que sim, no centro e sul do país é claramente. Eu não conheço bem o norte de Portugal, conheço razoavelmente, não sou um grande conhecedor do Norte, e não me vou pronunciar. Mas mesmo o Norte, em Figueira da Foz, Viana do Castelo há uma grande tradição tauromáquica, na Póvoa há polémica mas há grande tradição. Há uma grande tradição tauromáquica e no sul obviamente que a festa é identitária que está também ligada à vizinha Andaluzia, Extremadura, Alentejo e portanto desse ponto de vista respeitamos a festa brava e dentro da realidade que é o nosso concelho não deixamos cair os nossos ganadeiros, coudelarias e eles estão no mercado e a CMB como actividade económica que essas actividades representam para o concelho tem de as apoiar e erro seria se não o fizéssemos”.

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