Ressurgir, é preciso!

António tereno

Assistimos há pouco via TV, a uma grande tarde de toiros desde Las Ventas. Que emoção ver a monumental praça madrileña, capital do mundo taurino, tão bem composta de um público de aficionados – dentro da normas impostas pelo Covid – com um entusiasmo latente em cada faena, juntando presente e futuro, por via das grandes figuras e do jovem novilheiro, que nos deliciaram nessa tarde épica de ressurgimento na mítica arena.

Entretanto na Andaluzia – região espanhola com área e população semelhante ao nosso País – o Director-Geral da RTVA/Canal Sur, anunciou a transmissão do Ciclo de Novilhadas, uma aposta firme e institucional na promoção da tauromaquia, através de oportunidades dadas aos futuros toureiros.

Por cá, já não bastavam as dificuldades e falta de apoios ao mundo taurino, inventam-se cada vez mais proibições em relação ao futuro da Festa. Refiro-me claro, ao já anunciado Contrato de Serviço Público de Rádio e Televisão, pelo Secretário de estado Nuno Artur Silva (o tal das produções Fictícias), que simplesmente na sua redacção diz que irá proibir a transmissão de corridas de toiros na RTP – a mesma que é paga por nós, que nem sequer somos ouvidos perante tal decisão.

Estas pessoas mais não são que correias de transmissão da estratégia governamental, e estas medidas assentam nas contrapartidas devidas aos partidos que não podem com a nossa cultura, e assim vendem o seu apoio na aprovação dos Orçamentos do Estado.

Afinal continuamos a correr atrás do prejuízo, alguém pensava que eles eram bonzinhos, que respeitavam as regras e não se lembrariam de tal medida, ou que não continuariam a atacar-nos?

Vivemos num País, em que apenas 10% dos cidadãos acredita que Portugal tem uma “democracia plena”, e 36% diz que esta tem muitos defeitos. Afinal os sucessivos casos de corrupção, de “amiguismo” e o compadrio vão-se reflectindo assustadoramente na opinião pública. Que está passando neste “cantinho á beira-mar plantado”?

Porquê esta descrença?

Só pode ser resultado de más políticas governamentais, ineficácia da justiça, políticas sociais desajustadas, inexistência de uma estratégia em termos de futuro, imagine-se nem sequer aproveitámos os dinheiros ainda existentes no Programa Europeu Portugal 2020!

Agora vem a trapalhada originada pela ocultação perante a opinião pública, das propostas do governo, e aceitação de medidas exigidas por Bruxelas, no que se refere ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Tanto problema por resolver pelo poder central, e a sua prioridade assenta em atacar a cultura e a arte taurina. Impera a política da proibição, a quem pensa diferente, a quem defende o nosso modelo de sociedade livre, que consagra a nossa liberdade de gostar e defender o mundo do toiro bravo com tudo o que comporta, e em que o respeito é o denominador comum!

Nós que gostamos da tauromaquia, somos respeitadores, cultivamos valores, e admiramos uma boa corrida em que um diestro, e um nobre animal produzem uma tarde de beleza e estética sem igual. Valorizamos a amizade como norma, e respeitamos quem não gosta do que nós gostamos.

Abominamos o animalismo, porque ele é a antítese do humanismo, porque não observa os limites da liberdade de cada um para podermos viver em liberdade, aquilo que nos permite viver em sociedade respeitando as diferenças e  preservando a coesão social entre todos.

Acreditamos que Maio deve ser o mês do ressurgimento da tauromaquia no nosso País. Cartéis bem rematados despontam no horizonte, a bruma vai-se dissipando e pese embora, a má vontade governamental, as corridas de toiros serão uma realidade e dentro do tempo anormal que vivemos, a tauromaquia entrará pouco a pouco na normalidade que queremos.

Está nas mãos dos agentes do meio taurino, do público e dos aficionados, ressurgir em pleno e com segurança. É isso que nos pedem aqueles que ao longo dos tempos dedicaram a sua vida e o seu empenho á preservação do mundo do toiro e á nobre arte da tauromaquia!

É esta herança cultural que nos impele a defender o legado tauromáquico, e transmiti-lo às novas gerações sem dogmas fundamentalistas, mas com uma total abertura em que impere sempre a liberdade de escolha, a de respeitar os que não gostam e exigir que nos respeitem, a nós que gostamos!

De uma vez por todas, deixem-nos ressurgir!

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