S.MANÇOS foi “PRAÇA CHEIA”

S. Manços, freguesia do concelho de Évora, celebra por esta altura do ano as suas Festas Anuais; terra de muita aficion, daí que a corrida celebrada na Praça “José Jacinto Branco” tenha registado, tal como no ano transacto, “casa cheia”, tendo também contribuído para tal a excelente noite climatérica que se registou. Cartel atrativo, com triunfo generalizado dos artistas, e um curro de toiros sério e bem apresentado. E foram os toiros os protagonistas, pela positiva, do espetáculo. A ganadaria Brito Paes, divisa amarelo e branco, enviou seis bonitos, sérios e bem apresentados toiros (média de peso de 591 kg), que na generalidade cumpriram bem, destacando-se o saído em quarto lugar, de pelagem castanho, que apesar da escassez de forças, foi bravo e nobre, o que fez com que o ganadeiro o levasse de volta para o campo.

Abriu função LUIS ROUXINOL, cavaleiro que goza de imenso cartel nesta castiça praça, e que lidou o toiro mais pesado da corrida, um negro de muito volume, que se distraia com o que se passava ao seu redor, que foi nobre, deixando-se lidar, mas nunca rompendo, apenas meias investidas, daí faltar alguma emoção no momento de receber os ferros. Foi uma lide correta, sem grandes alardes, bregando bem, citando ora de largo, ora em curto, e cravando de frente. O público ainda pediu o habitual par de bandarilhas, mas realmente o toiro não dava para mais e o ginete de Pegões ficou-se por um ferro de palmo. A segunda atuação foi triunfal, calhou-lhe em sorteio o melhor toiro da corrida, um castanho com 540 kg (o menos pesado do curro) que teve uma saída vistosa à praça, e que revelou bravura, codícia e nobreza, apenas teve o senão de ser escasso de mãos, daí cair por duas vezes. Rouxinol demonstrou o porquê de ser um dos melhores cavaleiros que pisam as nossas arenas; lide muito bem construída, sempre ligado com o toiro, brega notável e ferros curtos de grande nível. Cravou um grande par de bandarilhas, com o toiro no centro da arena, e logo de seguida um de palmo, saindo em apoteose do ruedo.

JOÃO MOURA JResteve bem nas duas lides que efectuou, mas para o seu estilo de toureio necessitava de toiros com mais transmissão e andamento. O seu primeiro oponente, um bonito castanho, bem apresentado, com trapio, rompeu praça com bastante impetuosidade e foi muito bem recebido na garupa da montada. Deixou-lhe dois bons ferros compridos, devidamente rematados. Com os curtos esteve bem a reunir e tentou a sua brega característica, ladeando, junto de tábuas, mas o toiro veio a menos e ficava-se nesses terrenos, tirando o brilhantismo à lide. Era também de pelagem castanha o seu segundo oponente, bem rematado de carnes, e que cumpriu. Voltámos a assistir a bom toureio a cavalo, dentro do estilo Mourista, bregando bem, ladeando e cravando a receber, arredondando as sortes.Com o toiro fechado em tábuas deixou cingidos ferros de palmo.

O mais novo da dinastia Moura, MIGUEL MOURA, completava a terna de cavaleiros e vinha também ele para triunfar. Foram duas lides algo intermitentes, sempre de menos a mais, o que fez com que o público lhe tributasse bastantes aplausos no final de ambas as lides.Com o terceiro da corrida, um bonito castanho chorreado, com trapio, começou por lhe deixar 2 compridos regulares. Trocou a montada e optou por cravar os curtos em cambiadas ao piton contrário, que nem sempre resultaram, faltando toiro no momento da reunião. Voltou novamente a trocar de montada e trouxe o Pinguin, um bonito e vistoso cavalo que chega facilmente ao público e aí a lide mudou para melhor, toureando mais em curto e bregando com bonitos adornos, que este cavalo lhe proporciona e que causou alvoroço nos tendidos. Tinha o nº 29 e 610 kg de peso, o toiro que encerrou o espectáculo; de capa negra, comprido, e com bastante morrilho, que veio a revelar-se encastado, deixando-se lidar e transmitindo no encontro com as montadas. Logo de saída deu um forte toque na montada, daqueles que poderia fazer estra-gos.Voltou a carregar forte na altura de receber o ferro e fez saltar um dos estribos do cavalo. Tudo isto não intimidou o jovem cavaleiro que foi melhorando a sua prestação; alternando a cravagem dos ferros, entre entradas ao piton contrário, agora bem concretizados, e entradas de frente, bem rematados. Também ladeou e bregou com bastante toreria. Fechou a lide com ferros de palmo, e aqui aconteceu que queria cravar mais um, mas não haviam mais ferros desse tipo, pois realmente nesta corrida os cavaleiros usaram vezes de mais essa ferragem.

No capitulo das pegas estiveram os grupos de forcados de Santarém e S.Manços, grupos habituais nas últimas corridas efetuadas neste tauródromo. Pode-se dizer que tiveram prestações positivas, embora não concretizando as pegas todas ao 1º intento. Pelos scalabitanos, foram caras DAVID INÁCIO que na 1º tentativa sofreu um forte derrote no alto e não conseguiu fechar-se de pernas, retificou e depois sem problemas de maior, fechou-se à barbela, com o grupo a ajudar. LOURENÇO RIBEIRO não concretizou à 1ª, pois o toiro quando sentiu o forcado na cara foi-se abaixo e não permitiu que as ajudas compusessem a pega. Também à barbela, resolveu a papeleta. ANTÓNIO TAURINO protagonizou uma rija pega, fechando-se muito bem à córnea e aguentando derrotes por alto. Pelo grupo da casa abriu as hostes o cabo JOAQUIM BRANCO que esteve correcto a receber e fechou-se sem problemas de maior à córnea. Também MANUEL VIEIRA concretizou a sua pega à 1ª tentativa, fechando-se à córnea. Finalmente veio o mau da festa, as colhidas feias e PEDRO PONTES sofreu no corpo os fortes derrotes do toiro, tendo sido conduzido até à enfermaria. Foi dobrado por RUI FREIXA que depois de ter sido desfeiteado com fortes derrotes na 1ª tentativa, efetuou a pega da noite, aguentando uma barbaridade de derrotes, com o toiro a desfeitear os restantes ajudas.

Terminava assim uma boa noite de toiros, que decorreu em bom ritmo, e foi bem dirigida pelo delegado do Igac, Sr. Tiago Tavares, assessorado pela médica veterinária Dr.ª Ana Gião Gomes.

 

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